Com o avanço da estiagem nas regiões Norte e Centro-Oeste, investimento em tecnologia desde o plantio é o caminho para blindar raízes e assegurar o estande de culturas como soja, milho e algodão
O planejamento da safra ganhou um componente de peso nos últimos anos: a imprevisibilidade climática. Nas regiões do Norte do País e no Estado de Mato Grosso, os produtores enfrentam o desafio constante de manter o potencial produtivo de grandes culturas, como a soja, o milho safrinha e o algodão, sob a ameaça de secas prolongadas e de veranicos. Esse fenômeno, caracterizado por altas temperaturas, baixa umidade do ar e ausência de chuvas em pleno período de desenvolvimento agrícola, impõe um estresse severo às plantas, colocando em risco o investimento de toda uma temporada.
De acordo com dados recentes do Monitor da Seca, o avanço da estiagem tem delineado um mapa de alerta para o campo. No Centro-Oeste, a escassez de chuvas resultou no aumento de áreas com estresse hídrico no norte de Mato Grosso do Sul e nas regiões centro e norte de Goiás, com o Mato Grosso voltando a registrar condições de seca em sua porção sudeste, regiões que concentram uma produção expressiva de grãos e plumas. Na Região Norte, o panorama é semelhante: houve o surgimento de seca moderada no Acre e expansão das áreas afetadas no Amazonas, Pará, Tocantins e Rondônia, impactando tanto a janela de grãos quanto a qualidade das pastagens. O calor intenso acelera a evaporação da água do solo, reduz drasticamente a reserva hídrica disponível para as culturas e agrava o impacto no campo.
Para mitigar esses riscos e proteger o potencial biológico das plantas, a recomendação técnica aponta para a construção de lavouras mais resilientes desde o início do ciclo. É nesse contexto que o manejo focado no sistema radicular e na base do plantio ganha destaque.
“O produtor não consegue controlar o clima, mas pode preparar a planta para suportar os períodos de adversidade. O segredo está em construir um sistema radicular profundo e vigoroso logo no início do estabelecimento da cultura”, explica Cibele Medeiros, Engenheira Agrônoma e Gerente de portfólio da Nitro.
Esse cuidado inicial reflete diretamente na arquitetura da lavoura. Um manejo assertivo no tratamento durante a semeadura garante que as sementes germinem uniformemente e se desenvolvam adequadamente, gerando plantas mais robustas e preparadas para enfrentar intempéries.
“Culturas como a soja, o milho e o algodão, quando atingidas pelo veranico em fases críticas, como o florescimento e o enchimento de grãos, sofrem perdas severas de produtividade. Investir em soluções eficientes na semeadura é o primeiro passo para promover esse arranque e blindar a raiz, permitindo que ela explore camadas mais profundas do solo em busca de água e nutrientes, mesmo quando a superfície sofre com o calor”, complementa Cibele.
Além de comprometer o desenvolvimento vegetal e reduzir o rendimento dos grãos, o tempo extremamente seco e a baixa umidade relativa do ar elevam o risco de incêndios, o que ameaça lavouras prontas e áreas de pasto, além de prejudicar a sanidade geral do ecossistema agrícola. Por isso, a antecipação estratégica consolida-se como a principal ferramenta de defesa do agricultor. Ao focar na proteção do solo e no fortalecimento subterrâneo das culturas, o produtor do Norte e do Mato Grosso constrói caminhos para garantir a segurança e a rentabilidade do negócio, transformando o manejo técnico em um escudo contra as incertezas do clima.
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