Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Semana de alta – O mercado internacional da soja atravessou uma semana de intensa volatilidade, mas encerrou a sexta-feira (10/07) em campo positivo e atingiu picos de dois meses na Bolsa de Chicago (CBOT). O movimento refletiu a absorção de dados climáticos e o ajuste de posições após a aguardada divulgação dos relatórios do governo americano.
- Relatório de Oferta e Demanda – O principal balizador da semana foi o relatório mensal de Oferta e Demanda Mundial (WASDE), divulgado pelo USDA na sexta-feira. A agência manteve inalterada a estimativa de produção de soja nos Estados Unidos para a safra 2026/27 em 120,7 milhões de toneladas, sem gerar surpresas nas mesas de operação. Os estoques finais norte-americanos também permaneceram estáveis na casa de 8,44 milhões de toneladas (cerca de 310 milhões de bushels), o que aponta para uma demanda interna perfeitamente alinhada à produção.
- Produtor ainda cauteloso – Apesar da formação de preços muito atrativa no Brasil, a liquidez dos negócios permaneceu limitada no interior do país. O foco absoluto das fazendas do Centro-Sul está voltado para o escoamento urgente do milho safrinha, deixando a comercialização da soja em compasso de espera por ralis climáticos ainda maiores nos Estados Unidos.
De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de alta no contrato de soja spot em Chicago (jul/26), que fechou cotado a US$11,96 por bushel, com alta de 5,65%. O contrato de março/27 seguiu a mesma direção, apresentando alta de 3,25% e fechando a US$12,06 por bushel. Esse cenário impulsionou o Índice FOB Santos para patamares recordes, indicador exclusivo da Grainsights, que teve alta de 2,40% na semana, encerrando em R$146,79 por saca.
O que esperar do mercado?
- Clima continua no radar – A bússola que guiará os fundos de investimento nesta semana será, indiscutivelmente, o monitoramento meteorológico focado no Meio-Oeste dos EUA. O mês de julho marca a fase crítica do desenvolvimento vegetativo e o início da floração da soja nos Estados Unidos. Qualquer alteração nos mapas climáticos que indique bolsões de calor severos ou estresse hídrico no Corn Belt será o gatilho perfeito para uma corrida de compras especulativas em Chicago.
- Condições das lavouras em foco – Paralelamente, os operadores voltarão suas análises semanais ao relatório de Progresso de Safra (Crop Progress) do USDA. O mercado buscará constatar se as volumosas chuvas recentes em certas partes do território norte-americano causaram ou não prejuízos decorrentes do excesso de umidade. As flutuações semanais na nota de lavouras nas condições “Boa” e “Excelente” determinarão a volatilidade diária das cotações.
- China cada vez mais presente – O retorno expressivo dos importadores chineses ao mercado americano, confirmado pelo USDA na semana passada com mais de 700 mil toneladas, tem sido o principal motor da alta desta segunda e, caso o movimento se mantenha, deve trazer novas altas. O volume é relevante e sinaliza que a demanda chinesa não foi pontual: trata-se de uma retomada estrutural que dá sustentação real às cotações.
- Geopolítica continua onerando – Os custos do frete marítimo global seguirão elevados e exigirão atenção do setor exportador. Os embargos e os atrasos em importantes rotas do Mar Negro e do Estreito de Ormuz mantêm a logística internacional de prêmios e seguros bastante cara. Essa carga onerosa continua sendo repassada e descontada na formação do preço final nos portos brasileiros, esmagando os prêmios locais.
- Exportações brasileiras aquecidas – A logística de escoamento no Brasil continua sendo um trunfo indiscutível da temporada. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reportou que o Brasil embarcou um volume robusto de 13,84 milhões de toneladas de soja no balanço consolidado de junho. Esse apetite voraz do mercado asiático confirma que a supersafra nacional de 180,3 milhões de toneladas está encontrando forte escoamento marítimo, o que impede a queda dos prêmios.
- “El Niño” ameaça a safra 2026/27 – O planejamento macroeconômico e agrônomico da safra de verão 2026/27 entrará na prancheta, com foco nas adversidades decorrentes do fenômeno El Niño. Previsões consolidadas apontam que a distribuição hídrica poderá atrasar as chuvas no Norte/Nordeste e provocar inundações no Sul. O sojicultor precisará negociar a compra de sementes rústicas em uma conjuntura de fertilizantes encarecidos, que registraram queda nas vendas devido à inadimplência histórica no campo.

Como o mercado se comportou?
- Relatório de oferta e demanda – O grande evento da semana anterior foi o relatório de Oferta e Demanda (WASDE), divulgado no dia 10 de julho, que tentou frear a queda livre. O USDA cortou os estoques finais da safra norte-americana de 2026/27 em 170 milhões de bushels, ajustando a reserva para 1,8 bilhão de bushels. Essa redução drástica foi motivada pela elevação surpreendente das estimativas de exportação dos EUA em 50 milhões de bushels, o que atesta uma procura internacional firme pelo grão americano.
- Pressão de colheita – As cotações brasileiras ainda sofrem a pressão das colheitadeiras no Centro-Oeste. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) atualizou seu boletim, evidenciando que a colheita da safrinha saltou para 44,27% da área estimada até o dia 3 de julho, o que marca um ritmo de trabalho ininterrupto e amplamente superior ao do ciclo histórico anterior.
- Demanda externa – O grande esteio que evitou um derretimento mais brutal nas cotações regionais voltou a ser a indústria de bioenergia agressiva. Favorecidas por preços internacionais do petróleo inflacionados, as colossais usinas de etanol de milho situadas nos estados de Mato Grosso e Goiás aceleraram suas operações, limpando os gargalos pontuais nas regiões industriais e criando um piso de sustentação regional contra quedas totais.
De acordo com a Inteligência de Mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 3,06%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu a mesma direção, fechando a R$ 64,72 por saca, o que representa uma leve alta de 0,50% na semana. No mercado físico, na região do Triângulo Mineiro, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 55,35 por saca.
O que esperar do mercado?
- Pressão da colheita continuará — As negociações nos próximos dias serão dominadas pelo avanço da colheita da safrinha de milho. Com os trabalhos se encaminhando rapidamente para ultrapassar a marca de 50% em polos vitais do Centro-Oeste, o despejo ininterrupto de grãos inundará fábricas, armazéns e pátios logísticos. Essa entrada de oferta gigantesca atuará como a âncora principal, puxando os preços físicos para um viés de forte baixa estrutural no curtíssimo prazo.
- Safra norte-americana no radar – Na pauta internacional da Bolsa de Chicago, a polinização nos Estados Unidos ditará os nervos de aço dos fundos. Julho representa a etapa fenológica decisiva em que a espiga de milho americano define sua produtividade real. Relatórios climáticos semanais do USDA (Crop Progress) serão seguidos à risca; surpresas envolvendo calor prolongado nas Grandes Planícies são a única carta na manga capaz de injetar de volta prêmios de clima.
- Demanda aquecida nos EUA – Além do clima, o mercado testará os números ajustados pelo WASDE de 10 de julho. O corte nos estoques finais norte-americanos de 1,8 bilhão de bushels ancorou-se à premissa de exportações em volume. O desafio agora será observar se os EUA sustentarão relatórios de vendas semanais pujantes para justificar a forte absorção demandada, ou se o excelente rendimento esperado do campo diluirá o ajuste.
- Exportações brasileiras em xeque – A pauta das exportações brasileiras enfrentará forte concorrência de vizinhos sul-americanos para escoar os excedentes da safrinha. Com a Argentina confirmando uma safra ampla de 63 milhões de toneladas e fretes oceânicos globais encarecidos pelas tensões navais, as tradings no Brasil exigirão prêmios portuários muito achatados para manter o produto nacional atraente frente aos grandes importadores globais e asiáticos.
- Safrinha em risco no Sul – Em termos de riscos meteorológicos internos, o radar permanece apontado para os extremos do Sul. Frentes polares mapeadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia mantêm o alerta para geadas pontuais. Lavoura tardia no planalto paranaense ou catarinense poderá sofrer parada do desenvolvimento devido ao choque térmico e gerar perdas de potencial produtivo.
Macroeconomia e oportunidades – A inflação voltou a pressionar o ambiente econômico, com o IPCA rompendo o teto da meta e reforçando um cenário de juros elevados, o que encarece o crédito rural, como se reflete no Plano Safra 2026/27. Embora o Boletim Focus tenha reduzido a projeção de inflação para 2026, a manutenção da Selic em 14% ao ano indica que o custo do financiamento seguirá elevado para o produtor. Ao mesmo tempo, o dólar deve permanecer volátil e sustentado acima de R$5,10, influenciado pelo mercado de trabalho dos Estados Unidos e pelo cenário fiscal brasileiro, mantendo-se como importante fator de proteção das margens para o agronegócio exportador.
–
Comunicação Grão Direto








