Assinado em janeiro e com início previsto para maio, acordo reforça a exigência por rastreabilidade, integração de dados e maior controle da operação

O acordo Mercosul-União Europeia já mobiliza as agroindústrias brasileiras em torno de uma agenda que vai além das tarifas. Antes mesmo dos efeitos comerciais se tornarem mais claros, empresas do setor avançam na rastreabilidade, conformidade e integração de dados para comprovar, com mais consistência, a origem da matéria-prima e o controle do processo ao longo de toda a jornada do produto.

Em mercados externos mais exigentes, escala, eficiência e qualidade seguem relevantes, mas já não sustentam, sozinhas, a competitividade. Ganha força a capacidade de responder, com segurança, sobre a origem, o processamento, a armazenagem e o transporte do produto até a entrega final.

“Mais do que criar uma nova exigência, o acordo Mercosul-União Europeia acelera uma agenda que já vinha ganhando força no agro. O que muda, na prática, é que não basta mais dizer que a operação segue boas práticas. Será cada vez mais necessário comprovar isso com rastreabilidade, dados confiáveis e evidências ao longo de toda a cadeia”, afirma o diretor de agronegócios da Senior Sistemas, Fernando Silva (foto).

 

Da origem à entrega — Nas agroindústrias, essa exigência não se restringe ao ambiente interno da empresa. Ela abrange etapas como originação, recebimento da matéria-prima, processamento, armazenagem, expedição e logística, e qualquer falha nesse percurso pode enfraquecer a capacidade de comprovação.

Por isso, a pressão tende a aparecer primeiro em pontos especialmente sensíveis. A originação ganha centralidade por concentrar informações sobre a procedência, os documentos de entrada e o vínculo com os fornecedores. Já a logística deixa de ser tratada apenas como apoio e passa a influenciar diretamente a confiabilidade do processo. Erros de movimentação, mistura de lotes, falhas de armazenagem ou problemas de transporte podem comprometer o histórico do produto e enfraquecer a rastreabilidade.

Esse avanço não parte do zero. No algodão, por exemplo, segmento que já opera em um nível mais maduro de rastreabilidade para atender mercados externos, a Senior atende três das cinco maiores tradings do país. Na base da companhia, 72 das 100 maiores empresas do agro brasileiro são clientes, e a estimativa é de que cerca de 50 delas possam ser beneficiadas de forma mais direta pelo acordo. O preparo, porém, ainda avança em ritmos diferentes entre empresas que já estruturaram processos e tecnologia e outras que ainda dependem de controles manuais e de registros dispersos entre áreas.

 

Quando a informação se perde — Se a exigência de comprovação cresce —, a fragmentação da informação cobra um preço maior. Em muitas agroindústrias, os dados até existem, mas permanecem dispersos entre áreas, planilhas e controles manuais. O problema ocorre quando surge uma auditoria, uma exigência contratual ou uma demanda comercial e a operação precisa reconstruir, às pressas, etapas que deveriam estar organizadas no dia a dia.

O resultado é uma rotina marcada por retrabalho, demora na consolidação de documentos, decisões mais lentas e maior exposição a riscos fiscais, contratuais e logísticos. Em vez de sustentar a competitividade, a operação perde eficiência justamente quando o mercado exige rapidez e consistência.

“Quando surge a exigência de comprovar uma informação, a resposta não pode depender de buscas em diferentes áreas nem de esforço manual para reunir dados. Sem informação consolidada e validada, a empresa perde agilidade, aumenta custos e enfraquece sua capacidade de resposta”, diz Silva.

Em operações de comércio de commodities, é possível dimensionar esse cenário com alguns exemplos. “O benefício tarifário associado ao acordo UE–Mercosul pode representar entre 2% e 5% do faturamento, a depender de fatores como o tipo de produto, o volume exportado e as condições contratuais. Por outro lado, eventuais falhas documentais — como inconsistências na comprovação de origem — podem gerar impactos relevantes, incluindo custos adicionais de demurrage, perda de benefícios tarifários e capital imobilizado ao longo da operação. Em determinados contextos, esses efeitos podem atingir uma faixa estimada entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões por operação, considerando diferentes variáveis envolvidas e o tamanho da empresa, o que ilustra como a gestão documental pode influenciar diretamente a eficiência financeira das exportações.”

 

O que muda na prática – Nesse novo contexto, o preparo das agroindústrias passa a ser medido menos pela quantidade de relatórios e mais pela capacidade de localizar documentos, rastrear lotes, reunir evidências e responder ao mercado com rapidez e segurança. A cobertura da rastreabilidade, a qualidade documental na entrada, o tempo para reunir comprovações, o volume de retrabalho e a visibilidade logística ganham peso nessa conta. Sem integração entre sistemas e áreas, a empresa até coleta informações, mas não consegue transformá-las em conteúdo disponível quando necessário.

“Nesse novo cenário, a maturidade operacional consiste em reduzir o intervalo entre a pergunta e a prova. Quanto mais rápida e consistente for a capacidade de reunir evidências, maior tende a ser a preparação da agroindústria para competir em mercados mais exigentes”, conclui o executivo.

A Senior Sistemas é a escolha de empresas líderes de mercado que buscam inovação e gestão de alto desempenho. A multinacional oferece um portfólio completo que abrange todas as etapas da cadeia produtiva em setores estratégicos da economia, como o agronegócio, a construção, a indústria e a logística. Mais de 35 anos de excelência já transformaram a gestão de mais de 13 mil empresas de médio e grande porte no Brasil e em outros países da América Latina. Com 15 filiais e três mil colaboradores no Brasil e no exterior, a Senior mantém 160 canais de distribuição e, em 2024, registrou crescimento de 16,8% na receita líquida. A Senior acredita que, com sua profunda expertise e soluções tecnológicas, tem a oportunidade de impulsionar empresas rumo à maior eficiência operacional, à expansão de receitas e à liderança em seus segmentos. Por isso, entrega mais do que tecnologia.

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