Na virada do ciclo pecuário, o crédito passa a valer tanto quanto a arroba

Por Henrique Schardong, diretor comercial do Plantae Agrocrédito

 

Todo ciclo pecuário cria oportunidades. A diferença é que nem sempre elas são aproveitadas por quem produz mais, mas por quem consegue agir mais rápido.

Depois de um período marcado pelo elevado abate de fêmeas, a pecuária brasileira entra em uma nova fase. A retenção de matrizes começa a reduzir a oferta futura de animais, enquanto a demanda pela carne bovina brasileira permanece consistente nos mercados interno e internacional. Esse novo cenário tende a valorizar ainda mais a eficiência dentro da porteira, mas também exige uma mudança na forma como o pecuarista administra seu capital.

Na minha visão, essa será uma das grandes diferenças deste novo ciclo. O crédito deixa de ser uma solução para momentos de necessidade e passa a ser uma ferramenta estratégica de crescimento.

Durante muitos anos, o pecuarista precisava esperar o término de um ciclo produtivo para iniciar outro. O capital permanecia imobilizado até a venda dos animais. Hoje, essa lógica já não faz mais sentido para uma pecuária cada vez mais intensiva e profissional.

É justamente nesse contexto que o boitel assume um papel diferente do que ocupava no passado. A “ferramenta” permite reduzir o intervalo entre um investimento e outro. Quando um lote entra na fase de engorda, o agroinvestidor já consegue estruturar operações de crédito para adquirir novos animais e iniciar um novo ciclo produtivo. Isso significa colocar o capital para trabalhar continuamente, sem depender exclusivamente da liquidação de um lote para financiar o próximo.
Essa talvez seja a principal mudança que estamos acompanhando no mercado.

O boi sempre foi um dos maiores patrimônios do pecuarista, mas nem sempre foi reconhecido pelo mercado financeiro como um ativo capaz de gerar liquidez ao longo do ciclo produtivo. Para quem vive dentro da porteira, essa visão já existe há algum tempo, o que permite uma evolução importante nesse modelo. O crédito acompanha cada vez mais a dinâmica da atividade e permite que o pecuarista transforme patrimônio em capacidade de investimento.

Na prática, isso significa maior velocidade de giro, melhor aproveitamento das áreas de pastagem, aumento da escala de produção e maior competitividade.

Os números mostram que essa transformação já está em curso. O levantamento mais recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) projeta que Mato Grosso deverá confinar aproximadamente 1,44 milhão de bovinos em 2026, um crescimento superior a 55% em relação ao ciclo anterior. O estudo também aponta melhora na relação de troca entre boi gordo e milho, redução dos custos de alimentação e maior utilização de instrumentos de comercialização antecipada e de proteção de preços, o que demonstra uma pecuária cada vez mais orientada pela gestão de risco e pela eficiência econômica.

Esse novo ambiente também exige uma visão diferente das instituições financeiras. Em um cenário de juros elevados, maior rigor na concessão de crédito e necessidade crescente de garantias consistentes, torna-se fundamental desenvolver soluções que acompanhem o ciclo da pecuária. O desafio já não é apenas oferecer recursos. É fazer com que o crédito esteja disponível no momento em que o criador de gado precisa tomar decisões estratégicas.

Quando isso acontece, o impacto vai muito além da operação financeira. O pecuarista consegue antecipar a compra de animais de reposição, aproveitar melhores oportunidades de mercado, aumentar o giro da fazenda e capturar com mais eficiência os ganhos decorrentes da inversão do ciclo pecuário.

Na minha avaliação, a próxima evolução da pecuária brasileira será menos marcada pelo aumento do rebanho e muito mais pela eficiência no uso dos ativos.

O Brasil continua investindo em genética, nutrição, sanidade e tecnologia. Mas o diferencial competitivo estará cada vez mais na capacidade de integrar produção, gestão financeira e crédito em uma única estratégia. Porque na pecuária moderna a rentabilidade não depende apenas da arroba produzida. Ela depende, principalmente, da velocidade com que o pecuarista transforma patrimônio em novas oportunidades de crescimento.

O Plantae Agrocrédito está no mercado há mais de 22 anos e sempre atuou na área de fomento comercial, por meio da antecipação de recebíveis por meio da aquisição de títulos de crédito. Em janeiro de 2021, recebeu autorização do Banco Central para operar como instituição financeira. Com sede em Presidente Prudente/SP, atua em vários segmentos do agro e tem parcerias com grandes empresas do ramo de pecuária, como MFG, Marfrig e Minerva, setor sucroenergético, com Tereos, Cofco, Adecoagro, Cocal, Grupo CMAA, CMNP, Usina Jacarezinho, Energética Santa Helena, Viterra Bioenergia, ATVOS, setor de citrus, com a Citrosuco, além do segmento de grãos com COFCO, ADM, Cargill, entre outras.

Por Lilian Munhoz
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