Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias

Como o mercado se comportou?

  • Movimento de alta. A soja na CBOT rompeu a barreira de US$ 12,00 por bushel. Esse movimento foi impulsionado inicialmente pela força do complexo energético (petróleo) e pela alta demanda das indústrias de esmagamento nos EUA. No Brasil, o prêmio de exportação permaneceu sustentado pela forte demanda externa, o que ajudou a compensar a pressão da ampla oferta sul-americana.
  • Clima nos EUA. Entretanto, o clima nos Estados Unidos passou a exercer um papel de “teto” para as altas. Com o plantio avançando em ritmo acelerado e previsões favoráveis do tempo no Corn Belt, o mercado passou a precificar uma oferta global confortável. Além disso, sinais vindos da China sobre uma possível redução gradual nas importações de soja trouxeram cautela aos investidores, limitando ganhos mais expressivos no encerramento da semana.
  • Volatilidade. O fechamento da semana foi pautado por movimentos mistos no complexo soja: enquanto o óleo de soja buscou recuperação após perdas recentes, o farelo passou por realização de lucros. Esse cenário de incerteza no Oriente Médio e a queda do petróleo na sexta-feira reforçaram a postura defensiva dos investidores em relação às commodities agrícolas.De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de soja spot em Chicago (maio/26) encerrou a semana cotado a US$ 11,94 por bushel, com leve alta de 0,59%. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, com alta de 0,42%. As altas também impactaram positivamente os preços no índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que teve leve alta de 0,10% na semana, encerrando cotado a R$ 132,82 por saca.

 

O que esperar do mercado?

  • Monitoramento de safra. A semana começa com a expectativa pela divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA (WASDE), previsto para terça-feira, 12 de maio. O mercado projeta que o órgão norte-americano possa elevar as estimativas de produção para o Brasil e apresentar as primeiras projeções oficiais mais robustas para a safra 2026/27 dos EUA, o que pode gerar volatilidade técnica em Chicago.
  • Geopolítica. A atenção se volta para a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, marcada para começar na quinta-feira, 14 de maio. Há grande expectativa de que as negociações resultem em novos acordos de compra de soja norte-americana pelos chineses, o que poderia alterar o fluxo global da commodity e dar suporte adicional aos preços na CBOT, caso os volumes sejam expressivos.
  • El Niño. O clima também ganha protagonismo com o monitoramento do fenômeno El Niño, cujos sinais de retorno começam a aparecer neste mês de maio. Para o Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas nas próximas semanas, o que exige atenção dos produtores que ainda estão finalizando a colheita ou planejando a safra de inverno. No Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas e o calor acima da média continuam no radar, o que pode afetar a umidade do solo nos ciclos subsequentes.

 

Como o mercado se comportou? 

  • Estabilidade nos preços. O mercado do milho apresentou um comportamento mais estável, com oferta interna elevada e demanda doméstica aquecida. O setor de etanol de milho continuou sendo um suporte fundamental aos preços, absorvendo volumes significativos da produção. No Mato Grosso, a safrinha apresentou bons índices de produtividade, mas o mercado monitorou com atenção as chuvas irregulares em estados do Sudeste, o que trouxe certa sustentação aos preços regionais.
  • Pressão no cenário internacional. O milho acompanhou o sentimento de pressão decorrente do avanço do plantio nos Estados Unidos e operou próximo à estabilidade. Com o clima colaborativo no cinturão produtor americano, as expectativas de uma safra volumosa nos EUA fizeram com que as altas na CBOT não fossem significativas. O cereal também sofreu influência da volatilidade do petróleo, dado que a queda dos preços da energia reduz a atratividade do biocombustível, impactando indiretamente as margens e a demanda global pelo grão.
  • Competitividade do milho brasileiro nas exportações. Apesar da grande disponibilidade, o ritmo das vendas externas e o consumo das indústrias de proteína animal mantiveram o mercado equilibrado. A cautela dos investidores em relação ao cenário macroeconômico global impediu movimentos mais agressivos, mantendo os preços em patamares laterais na maioria das praças brasileiras.

De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com leve alta de 0,22%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu na direção oposta, fechando em R$ 66,01 por saca (-2,75%) na semana. A leve alta na B3 não se refletiu no mercado físico. Na região Sul-Goiana, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 54,87 por saca (-0,72%) no mercado disponível.

 

O que esperar do mercado?

  • Monitoramento de safra. Com o mercado doméstico ditando o rumo dos preços, sem muita dependência do externo, o mercado de milho terá atualizações da Conab esta semana. O mercado aguarda os números sobre o desenvolvimento da segunda safra, especialmente após o período de chuvas irregulares no Centro-Oeste e no Sudeste em abril e no início de maio. A B3, junto com o mercado físico, deve reagir às novas divulgações. Em Chicago, o foco estará no relatório WASDE do USDA nesta terça-feira (12/05). A expectativa é de que a produção global de milho seja revisada para cima, impulsionada por recuperações na Ucrânia e no próprio Brasil, compensando possíveis quebras na Argentina.
  • Plantio nos EUA. O mercado nos Estados Unidos entra em fase crítica em função do clima, com o ritmo do plantio no Corn Belt ditando o humor dos investidores no país, o maior produtor de milho do mundo. As previsões de chuva dentro da normalidade para maio favorecem o avanço das máquinas, mas qualquer atraso significativo devido ao excesso de umidade em estados-chave será rapidamente precificado.
  • De olho nos custos logísticos. Por fim, a logística continuará sendo um ponto de atenção. Com a proximidade da colheita da safrinha, a disputa por espaço em armazéns e a alta nos custos de frete devem influenciar as estratégias de comercialização. A Grão Direto entra como uma importante aliada na comercialização, dispondo de preços em tempo real para que as oportunidades sejam identificadas com rapidez e segurança.

 

Macroeconomia e oportunidades – A semana começa com expectativa pelos dados de inflação (IPCA), que serão divulgados na terça-feira e servirão de referência para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. O real continua surpreendendo com a forte entrada de capital estrangeiro, fazendo o câmbio se manter abaixo de R$ 5,00 após uma semana de recuos. A competitividade do agronegócio brasileiro permanece alta, com as exportações indo bem, mas o produtor deve lidar com a pressão dos custos logísticos e de energia que afetam a margem líquida.

A Grão Direto é a plataforma líder na comercialização digital de grãos na América Latina, atendendo milhares de agricultores e compradores, como fábricas de ração, cooperativas, tradings, armazéns, corretores, confinamento de gado, granjas, entre outros. A plataforma pode atuar tanto em negociações no mercado spot quanto no mercado a termo/futuro, bem como em operações de barter, que envolvem a troca de insumos para a futura produção. Para ter acesso aos serviços, agricultores e compradores do Brasil podem baixar o aplicativo gratuitamente para seus dispositivos móveis ou acessá-lo em computadores. Com o aplicativo, os usuários têm acesso a diversos serviços e ao suporte da Grão Direto. Além disso, a empresa oferece soluções personalizadas aos seus clientes corporativos, apoiando-os em suas transformações digitais. Esses serviços incluem inteligência de mercado, digitalização da base de fornecedores, gestão de documentos e contratos digitais, ferramentas de precificação de grãos em tempo real, produtos e serviços financeiros e integração com soluções de compliance social e ambiental (ESG). Tudo para tornar o comércio de grãos mais eficiente, moderno e sustentável. A plataforma possui diversos reconhecimentos nacionais e internacionais e mantém um acordo de colaboração inédito no mundo com a Bolsa de Chicago (CME Group). 

Comunicação Grão Direto