O desafio transformador do Eco Invest
Por Aline Locks, CEO da Produzindo Certo
Grandes transformações acontecem quando ideias inovadoras encontram recursos em quantidade adequada, projetos de qualidade e gente capaz de executá-los.
Quando falta uma dessas peças, resta a sensação de que poderíamos ir além e de que estamos desperdiçando uma oportunidade histórica.
É o que acontece, até o momento, com o Eco Invest Brasil, programa conduzido pelo Tesouro Nacional, que tem por finalidade atrair investimentos de longo prazo para operações de impacto socioambiental.
O instrumento é particularmente aderente a outro projeto do governo, o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, que, como indica o nome, pretende estimular a recuperação de áreas hoje improdutivas, destinadas a lavouras e/ou a espaços aptos à prática de pecuária intensiva.
A premissa é, de fato, transformadora. O Eco Invest Brasil despertou o interesse de grandes instituições financeiras nacionais e estrangeiras, tornando-se uma evidência concreta da disponibilidade de capital para a transição sustentável no agro.
A prática tem demonstrado, entretanto, que nem todas as peças necessárias para que essa transformação aconteça estão acessíveis – pelo menos até agora.
Não é, desta vez, como é comum acontecer, uma questão de funding. A distância entre a expectativa de captar R$ 30 bilhões para o programa e os R$ 200 milhões já estruturados reflete um problema de execução.
O principal gargalo está, mais especificamente, na originação qualificada de operações que se enquadrem nas exigências rigorosas impostas pelos formuladores do programa – diga-se, tecnicamente muito bem fundamentadas.
Na busca por maior controle do risco e melhor mensuração dos impactos na aplicação dos recursos, eles demandaram dos produtores rurais um extenso e complexo rol de dados, que nem sempre estão acessíveis, sobretudo aos agricultores e pecuaristas menos estruturados.
A primeira consequência é que o modelo não consegue, assim, atender com eficiência aos pequenos e médios produtores, que representam parcela relevante do agro brasileiro.
Repete-se, assim, o mesmo périplo que eles percorreram na busca de outras fontes de crédito mais complexas. Acabam ficando à margem por não terem seus dados organizados nem um plano técnico formalizado. Além disso, costumam ter dificuldade de acesso à assessoria técnica de qualidade.
O resultado, quase sempre, é serem classificados com risco mais alto e passíveis de taxas mais altas na obtenção de financiamentos.
O problema de inclusão (ou de exclusão, nesse caso) não é individual. Quando o modelo não é adequado para operar com pequenos e médios produtores, dificilmente alcança escala. E sem escala, limitamos o impacto.
Para se adequarem a programas como o Eco Invest Brasil, projetos devem responder a perguntas fundamentais:
- Quem são os produtores elegíveis e em que estágio estão?
- Qual é o plano técnico de transição (só intenção não basta)?
- Qual o risco socioambiental associado à operação?
- Como esse risco será monitorado ao longo do tempo?
Muitas vezes, o problema não é a falta de produtor elegível, mas a dificuldade em enxergá-lo. Isso só é possível com dados confiáveis e estruturados.
É nesse ponto que plataformas de inteligência socioambiental e MRV ganham relevância. Mais do que ferramentas de compliance, tornam-se infraestrutura operacional para viabilizar operações elegíveis, monitoráveis e financiáveis em escala, capazes de funcionar como base para operações dentro dos parâmetros exigidos.
Isso porque o Eco Invest exige uma inversão na lógica de estruturação dessas operações. Se antes se iniciava pelo funding (recursos disponíveis, custo, condições), tendo o MRV como acessório, agora uma operação estruturada parte da elegibilidade real de produtores, de um projeto técnico concreto, da avaliação de risco socioambiental e de uma lógica de monitoramento contínuo.
Sem dados confiáveis, auditáveis e contínuos, qualquer narrativa de impacto fica vulnerável. Com o crescente escrutínio sobre promessas ambientais, isso não é um detalhe: é um risco real.
A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adaptou a regulação para viabilizar os Fundos Eco Invest. As mudanças regulatórias não foram marginais. Foram estruturais e mostram que o desafio não era apenas atrair capital, mas viabilizar estruturas capazes de absorvê-lo.
Em resumo, o Eco Invest não será definido pelo volume de capital, mas pela capacidade de estruturar, executar e comprovar o impacto. Só se tornará um programa realmente transformador se esse capital for revertido em impacto real, mensurável e confiável.
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A Produzindo Certo apresenta uma solução real para empresas preocupadas em garantir uma rede de fornecimento verificada segundo os mais rigorosos padrões de compromisso social e ambiental. Seus produtos e serviços unem o melhor da tecnologia à essência do trabalho de campo, sempre com o objetivo de aproximar produtores e empresas e, assim, promover transformações nas cadeias do agronegócio.









