Sistema de manejo integrado com planta de cobertura reduz custos e melhora eficiência no plantio da cana-de-açúcar

Por Lara Gabriely Silva Moura, zootecnista, mestranda em forragicultura e pastagens e coordenadora de P&D da SBS Green Seeds

A adoção de práticas conservacionistas e de sistemas de manejo integrados tem desempenhado papel importante na modernização e na sustentabilidade da cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Trabalhos científicos mostram que estratégias como a diversificação de cultivos, o uso de plantas de cobertura, a adubação verde e sistemas alternativos de implantação da lavoura contribuem simultaneamente para a redução de custos, a melhoria das propriedades do solo e o aumento da produtividade agrícola.

Entre as inovações avaliadas, observou-se que métodos de implantação que utilizam linhas-mãe para o fornecimento de mudas (MEIOSI), associados ao cultivo de leguminosas, apresentam alto potencial para reduzir o consumo de mudas e diminuir a dependência de operações mecanizadas. Estas são tradicionalmente responsáveis por grande parte dos custos de renovação do canavial.

Em alguns cenários, verificou-se que esse tipo de abordagem pode reduzir em mais de 20% os custos totais de plantio, já que o consumo de mudas foi 56% menor, além de favorecer a manutenção da estrutura do solo e de ampliar a eficiência operacional. A integração com leguminosas também contribui para o aporte biológico de nitrogênio e para a maior disponibilidade de nutrientes na área em reforma.

 

Plantas de cobertura – De forma complementar, o uso de plantas de cobertura, isoladas ou em consórcios como os MIX, tem se destacado como prática essencial para a sustentabilidade de sistemas de produção em regiões tropicais. Gramíneas apresentam elevada produção de biomassa e decomposição mais lenta, fornecendo palhada por mais tempo e protegendo o solo contra a erosão, a oscilação térmica e as perdas por evaporação.

Leguminosas, por sua vez, contribuem para a fixação biológica de nitrogênio e para a rápida ciclagem de nutrientes. Quando utilizadas em conjunto, essas espécies proporcionam efeitos sinérgicos, resultando em melhorias significativas nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo. São observados aumento da infiltração e da retenção de água, maior teor de matéria orgânica, elevação da capacidade de troca de cátions, redução de nematoides e ampliação da diversidade microbiana, fatores essenciais para o bom desenvolvimento das culturas subsequentes.

Resultados ainda indicam que sistemas de plantio direto da cana associados à adubação verde com leguminosas podem aumentar expressivamente o rendimento da cultura. Espécies como a Crotalaria se destacam pela capacidade de formar cobertura rápida e de acumular grandes quantidades de biomassa e nutrientes. A cobertura densa proporcionada por essas plantas suprime a ocorrência de plantas daninhas, reduz a erosão e cria um ambiente mais favorável ao enraizamento da cana. Em sistemas em que a cana foi implantada sobre a palhada dessa leguminosa, observou-se um incremento de até 37% na produtividade, em comparação ao cultivo convencional sem cobertura vegetal.

A análise integrada dessas evidências mostra que o manejo conservacionista, a integração de culturas e a otimização do solo, de fato, criam sistemas mais eficientes. A combinação entre redução de custos de implantação, melhoria contínua das condições do solo e aumento da produtividade é o caminho certo para ampliar a competitividade da cana-de-açúcar em cenários de demanda crescente por sustentabilidade e eficiência.


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