Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Logística e prêmios. O escoamento da safra recorde brasileira ainda apresentou desafios, embora os prêmios nos portos tenham sinalizado estabilidade. O elevado custo do frete marítimo e do diesel, influenciado pela volatilidade do petróleo, seguiu limitando o repasse de preços ao interior.
- Safra norte-americana. Com a colheita da soja no Brasil praticamente concluída, o mercado passou a dedicar mais atenção à safra dos Estados Unidos. O plantio avançou sob condições climáticas favoráveis, o que pressionou as cotações futuras na Bolsa de Chicago.
- Geopolítica. O cenário geopolítico também ganhou destaque após a cúpula entre os Estados Unidos e a China. A sinalização de aumento nas compras chinesas de soja americana gerou apreensão inicial, mas perdeu força diante da menor competitividade do grão norte-americano no mercado internacional.De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de soja spot em Chicago (maio/26) encerrou a semana cotado a US$ 11,87 por bushel, com leve alta de 2,15%. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, com alta de 2,23%. Apesar da alta em Chicago, o prêmio e o câmbio exerceram um contrapeso significativo, pressionando os preços no índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que caiu 1,30% na semana e encerrou cotado a R$ 132,60 por saca.
O que esperar do mercado?
- Safra norte-americana. A principal bússola internacional para a primeira semana de maio será o relatório semanal de Progresso de Safra (Crop Progress) do USDA, a ser divulgado na segunda-feira, 4 de maio. O plantio de soja nos Estados Unidos começou em ritmo acelerado e surpreendente, já superando a marca de 12% da área total plantada em estados cruciais, um número muito acima da média histórica para o período.
- Clima continua no radar. O clima de maio trará novos desafios para o encerramento seguro da safra nacional. O Inmet divulgou seu prognóstico mensal apontando para a possibilidade de chuvas concentradas e acima da média climatológica na Região Sul. O excesso de precipitação nessa reta final acende o alerta vermelho para o apodrecimento das vagens, a perda de qualidade e a formação de grãos ardidos nas lavouras gaúchas e catarinenses que ainda aguardam as colheitadeiras.
- Moratória da soja. No Brasil, o desfecho jurídico da Moratória da Soja dominará a atenção institucional. O prazo estipulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que tradings, produtores e governos apresentassem propostas de conciliação encerrou-se em 30 de abril. O mercado do agronegócio aguarda ansiosamente as próximas diretrizes da Corte, que poderão redefinir de vez as regras comerciais de originação nas áreas do Cerrado e da Amazônia Legal.
- Tensão no Oriente Médio continua. As constantes ameaças de bloqueio naval no Estreito de Ormuz mantêm os preços dos fretes e do petróleo sob forte pressão de alta. A qualquer sinal de escalada militar, o produtor rural deve estar preparado para flutuações agressivas do dólar, o que demandará extrema agilidade comercial para garantir boas margens.

Como o mercado se comportou?
- Risco climático na safrinha. O estresse hídrico no Centro-Sul e na Matopiba tem preocupado o mercado. O calor excessivo e a irregularidade das chuvas, especialmente nas áreas plantadas fora da janela ideal, passaram a gerar expectativas de corte no potencial produtivo do milho de segunda safra, o que tem sustentado os preços regionais.
- Safra norte-americana. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de milho operaram sob pressão ao longo da semana, acompanhando o ritmo acelerado do plantio nos Estados Unidos. As condições climáticas favoráveis limitaram as tentativas de alta, mantendo as cotações em patamares mais estáveis.
- Biocombustível. A disparada nos preços globais do petróleo impulsionou a competitividade do etanol de milho nas bombas, estimulando as usinas do Centro-Oeste a atuarem com força na originação do grão, o que ajudou a limitar quedas adicionais nas praças de negociação de Mato Grosso e Goiás.
- Margens Pressionadas. O mercado de insumos segue em alerta devido às tensões no Oriente Médio, que impactam diretamente os preços globais de combustíveis e de fertilizantes nitrogenados. A volatilidade da ureia e o aumento do preço do diesel elevaram os custos operacionais, o que deteriorou a relação de troca do produtor brasileiro. Esse cenário de custos elevados tem levado a uma postura de comercialização mais lenta, com o setor priorizando a proteção das margens.De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta expressiva de 2,86%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 67,88 por saca (-1,05%) na semana. A alta na B3 refletiu-se no mercado físico em várias regiões do Brasil, porém de forma mais tímida. Na região Sul Goiana, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 55,27 por saca (-1,07%) no mercado disponível.
O que esperar do mercado?
- Clima no radar. A instabilidade climática segue como principal fator de preço para o milho safrinha, com o avanço de uma massa de ar polar elevando o risco de geadas no Sul e a previsão do Inmet indicando continuidade do tempo seco em regiões como Goiás e Mato Grosso do Sul; esse cenário aumenta o risco de perdas, especialmente nas áreas plantadas mais tarde, e tende a elevar os prêmios nos contratos futuros da B3.
- Safra norte-americana. O mercado global de cereais ajustará suas posições de médio prazo com base no relatório Crop Progress do USDA, previsto para 4 de maio. O plantio do milho americano tem andado dentro das margens previstas pelo mercado. Se o avanço das plantadeiras nos EUA confirmar um ritmo forte na próxima semana, isso poderá atuar como um fator de pressão baixista sobre as cotações em Chicago.
- Demanda interna aquecida. No mercado interno, a crescente demanda das indústrias de bioenergia atuará como o principal contrapeso para a sustentação das cotações. O etanol de milho manteve excelente rentabilidade e competitividade devido à escalada internacional do petróleo, o que forçou as usinas do Centro-Oeste a atuarem agressivamente na originação do grão físico para garantir a robusta moagem no segundo semestre.
- Exportações ameaçadas. O setor exportador nacional continuará avaliando a forte ameaça geopolítica à demanda. O Irã é um dos principais e mais fiéis importadores do milho brasileiro. Com as tensões crescentes e as interrupções frequentes do trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, o mercado teme que milhões de toneladas de milho nacional percam a segurança logística e sejam represadas, sobrecarregando ainda mais os estoques do mercado interno.
Macroeconomia e oportunidades – O cenário econômico abriu o mês precificando as contundentes decisões da “Superquarta”, realizada na semana passada (29 de abril). A manutenção das taxas de juros americanas (entre 3,5% e 3,75%) pelo Fed, justificada pela pressão de custos decorrente da guerra no Oriente Médio, combinada ao corte brando da Selic para 14,50% pelo Copom, firmou um contexto propício à valorização constante do dólar frente ao real. Esse câmbio forte é a principal alavanca atual do produtor para compensar a queda dos prêmios portuários. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção.
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Comunicação Grão Direto









