Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Chicago em alta – A penúltima semana de julho foi marcada por forte valorização na Bolsa de Chicago, levando as cotações da soja aos níveis mais altos desde maio de 2024. O movimento foi impulsionado principalmente pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos e pelo aumento das tensões geopolíticas, fatores que estimularam a atuação dos investidores e apoiaram os preços.
- Clima nos EUA – As previsões de tempo mais quente e mais seco no cinturão agrícola norte-americano mantiveram o mercado em alerta, acrescentando um prêmio de risco às cotações. Apesar disso, as condições das lavouras permaneceram favoráveis, segundo o USDA, o que limitou ainda mais os movimentos de alta.
- Demanda aquecida – Pelo lado da demanda, os Estados Unidos registraram bom desempenho nas exportações. O USDA reportou volumes de exportação acima das expectativas do mercado, reforçando o interesse pela soja norte-americana e contribuindo para a sustentação das cotações em Chicago.De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de alta no contrato de soja spot em Chicago (ago/26), que fechou cotado a US$12,47 por bushel, com alta de 0,56%. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, apresentando alta de 3,61% e fechando a US$ 12,63 por bushel. Esse cenário impulsionou o Índice Soja FOB Santos (SPOT) renovando os patamares recordes, indicador exclusivo da Grainsights, que teve alta de 2,82% na semana, encerrando a R$ 153,09 por saca. Com a combinação de altas em Chicago e de prêmios de exportação muito elevados, os preços físicos no Brasil atingiram o nível mais alto do ano. Na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, as cotações para a soja spot chegaram a testar a marca de R$132,53 por saca.
O que esperar do mercado?
- Clima nos EUA – Para a virada do mês, o mercado internacional terá os olhos fixos nos radares meteorológicos do Meio-Oeste dos Estados Unidos. O mês de agosto consolida a fase de enchimento de vagens da soja americana, o estágio mais crítico para a definição da produtividade. Qualquer mapa que aponta para uma seca prolongada acionará compras especulativas intensas e injetará prêmios de risco elevados na Bolsa de Chicago.
- Brasil tem alerta – A MetSul emite alerta para dois novos episódios de chuva volumosa no RS, com acumulados de até 250 mm, risco de novas cheias e temporais — quadro associado ao Super El Niño em curso. O balanço de sexta já apontava danos em mais de 40% dos municípios gaúchos. O impacto logístico na infraestrutura de escoamento merece atenção.
- Condições das lavouras – Acompanhando o clima, o relatório semanal de Progresso de Safra (Crop Progress) do USDA será analisado pelos operadores. O mercado buscará confirmar se as altas temperaturas do final de julho causaram alguma degradação no índice de lavouras em boas e excelentes condições. Se o índice recuar significativamente, a soja poderá romper com facilidade novas resistências na CBOT.
- Pausa nos conflitos – Os preços também encontraram suporte com o alívio das tensões geopolíticas, após os Estados Unidos e o Irã interromperem os ataques mútuos e retomarem os esforços diplomáticos. A redução do risco de interrupções no fornecimento de petróleo, aliada às negociações no Estreito de Ormuz e à possibilidade de um acordo de paz, diminuiu a aversão ao risco nos mercados. Com isso, a evolução das negociações no Oriente Médio seguirá sendo um dos principais fatores para o comportamento do mercado de energia e, por consequência, do complexo soja.
- Fretes marítimos pesam – Os custos do frete marítimo internacional continuarão exigindo grande atenção. O encarecimento das rotas e dos seguros navais, devido aos conflitos globais, eleva o preço da commodity entregue na Ásia. Para manter a soja nacional atraente para o comprador final, as tradings muitas vezes achatando o prêmio pago ao produtor nos portos, espremendo as margens FOB.
- Argentina entra na briga – A concorrência com a Argentina exigirá cautela das tradings brasileiras. O mercado monitorará de perto se o governo argentino prorrogará as isenções de impostos de exportação. Caso a medida se mantenha, a soja argentina mais barata seguirá atraindo o apetite chinês, o que pode esvaziar parte da demanda que seria destinada aos portos brasileiros e pressionar nossos prêmios.

Como o mercado se comportou?
- Volatilidade em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho registrou uma semana de intensa volatilidade, mas fechou em alta. As cotações oscilaram, divididas entre a excelente condição das lavouras de verão nos Estados Unidos, que pressionou os preços, e os sobressaltos geopolíticos no Leste Europeu, que deram fôlego esporádico ao cereal. - Colheita avançando – Internamente, a avalanche da colheita em Mato Grosso ditou o ritmo do mercado físico. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) atualizou seus dados, mostrando que a retirada do milho dos campos superou os espantosos 90% da área total. O clima seco favoreceu as máquinas, o que consolidou o encerramento do ciclo de forma incrivelmente antecipada em relação à média histórica.
- A colheita iniciou no Sul – No Sul do Brasil, os trabalhos finalmente ganharam ritmo. Após semanas de atraso devido à alta umidade e ao excesso de chuvas, o Departamento de Economia Rural (Deral) apontou que a colheita no Paraná avançou e atingiu 29% da área plantada. O sol firme da última semana permitiu que o maquinário avançasse sobre as lavouras maduras, adicionando ainda mais oferta ao mercado físico do Centro-Sul.De acordo com a Inteligência de Mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 4,27%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu na mesma direção, fechando a R$ 70,58 por saca, o que representa uma alta significativa de 2,47% na semana. No mercado físico, na região do Extremo Oeste Baiano, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 56,61 por saca.
O que esperar do mercado?
- A pressão da oferta continua – O mercado doméstico de milho continuará sendo impiedosamente ditado pelo ápice da oferta nas próximas semanas. Com Mato Grosso finalizando a colheita dos últimos 10% da área e o Paraná acelerando o ritmo em dias de sol pleno, os pátios logísticos serão inundados pelo cereal. Essa pressão para vender a qualquer custo manterá os preços spot (físicos) fortemente deprimidos no curto prazo.
- Safra dos EUA – Na Bolsa de Chicago, a atenção continuará voltada à fase de polinização nas Grandes Planícies dos EUA. Agosto é o mês em que a espiga define o seu tamanho. Se as previsões climáticas falharem e o calor extremo retornar ao Corn Belt de forma prolongada, os fundos de investimento farão compras massivas para cobrir posições vendidas, o que pode gerar um forte repique altista internacional.
- Condições das lavouras – A saúde das lavouras americanas continuará a ser medida semanalmente pelo Crop Progress do USDA. O mercado buscará evidências numéricas de que as excelentes notas atuais se traduziram em produtividade real. Qualquer queda qualitativa reportada pelo governo americano servirá de justificativa imediata para conter as fortes quedas que assolaram a CBOT nas últimas semanas.
- Concorrência pesada – A competitividade externa do Brasil será posta à prova máxima. Com o aumento substancial da safra na Argentina (estimada em 64 milhões de toneladas), o mercado asiático está repleto de opções sul-americanas. Para que as exportações do Brasil reajam e aliviem o mercado interno, os portos de Santos e do Arco Norte precisarão oferecer preços FOB extremamente agressivos e atrativos aos importadores.
- Geopolítica continua no radar – Os desdobramentos geopolíticos no Mar Negro continuarão a influenciar os preços do milho. Se o acordo de paz e a segurança dos corredores marítimos da Ucrânia se consolidarem, os grãos do leste europeu voltarão a fluir com facilidade para o Oriente Médio e a Europa. Esse fluxo concorrencial retiraria a pressão compradora que hoje se concentra nos Estados Unidos e no Brasil, o que pesa sobre as cotações globais.
Macroeconomia e oportunidades – No cenário macroeconômico, o mercado seguirá atento às decisões do Federal Reserve e aos dados de emprego dos Estados Unidos (Payroll), que podem influenciar o dólar e o fluxo de capital para as commodities. No Brasil, a Selic elevada continua favorecendo os ativos locais, enquanto as preocupações com o cenário fiscal e as tarifas americanas permanecem no radar, embora produtos como carne bovina, café, itens energéticos e aeronaves tenham sido isentos da tarifa adicional de 25%.
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Comunicação Grão Direto








