Especialistas apresentam novas tecnologias de análise, melhoramento genético e o papel comunitário na cadeia de sementes
Inovação tecnológica, qualidade de sementes e restauração ambiental estarão entre os destaques do XIII Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Sementes Florestais, que será realizado em 28 de agosto, durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), em Foz do Iguaçu (PR). Especialistas de instituições de pesquisa, empresas e organizações apresentarão soluções voltadas ao fortalecimento da cadeia de sementes florestais.
Na mesa-redonda sobre qualidade genética de sementes florestais, a engenheira agrônoma Andreza Cerioni Belniaki, da Kolecti, apresentará a polinização suplementar mecanizada aplicada à produção de sementes de pinus. Segundo ela, a tecnologia inovadora amplia a eficiência reprodutiva dos pomares clonais e reduz os impactos das condições ambientais sobre a fecundação. “A polinização suplementar mecanizada atua justamente para minimizar esses riscos, promovendo uma distribuição mais eficiente do pólen e favorecendo a fecundação nos períodos críticos. Na prática, funciona como um verdadeiro ‘seguro agrícola’ para a produção de sementes, proporcionando maior estabilidade produtiva, melhor aproveitamento dos materiais genéticos superiores e maior segurança para os programas de melhoramento genético”, destaca.

Andreza Cerioni Belniaki, engenheira agônoma da Kolecti
O engenheiro florestal Jailton de Jesus Silva, pós-doutorando da Embrapa Semiárido, abordará os avanços metodológicos, aplicações e limitações do teste de tetrazólio para avaliação da qualidade de sementes de espécies nativas da Caatinga. Na mesa-redonda dedicada às novas abordagens da análise de sementes florestais, Silva irá palestrar sobre como esta metodologia oferece respostas rápidas sobre viabilidade e vigor das sementes, contribuindo para pesquisas, programas de restauração e conservação.
“O teste de tetrazólio pode ser uma ferramenta rápida, robusta e estratégica para estimar viabilidade e vigor de sementes florestais, especialmente quando não dispomos de informações básicas, protocolos consolidados ou tempo hábil para conduzir testes de germinação. Isso é particularmente relevante para espécies nativas de regiões semiáridas, como a Caatinga, onde ainda existem lacunas importantes sobre morfologia, dormência, condições ótimas de germinação e padrões de qualidade de sementes”, afirma.

Jailton de Jesus Silva, engenheiro florestal e pesquisador da Embrapa Semiárido
Ele reforça que não é um “teste universal”, mas um método que precisa ser calibrado espécie a espécie e interpretado com critério. “É uma alternativa importante para reduzir o tempo de resposta na tomada de decisão, principalmente em espécies que apresentam dormência, germinação lenta ou irregular”, conclui Silva.
Na última mesa-redonda do Simpósio, que irá tratar sobre Sementes, bioeconomia e justiça climática, a analista de Restauração Florestal Giovanna Bernardes, do Instituto Socioambiental (ISA) e da iniciativa Caminhos da Semente, discutirá o papel das sementes nativas na restauração ecológica e no fortalecimento das redes comunitárias de coleta. Ela apresentará experiências com a técnica da “muvuca de sementes”, que combina diversas espécies de diferentes grupos sucessionais em proporções ajustadas às suas características funcionais. De acordo com Bernardes, o método é considerado uma alternativa escalável e economicamente viável para recuperar regiões devastadas. “As sementes nativas são a base para recuperar áreas degradadas e assegurar a continuidade da sucessão ecológica nos nossos biomas”, ressalta.

Giovanna Bernardes, analista de Restauração Florestal do Instituto Socioambiental (ISA)
A programação do simpósio também inclui debates sobre testes de progênies para produção de sementes e restauração, ferramentas genômicas e biotecnológicas aplicadas ao melhoramento genético de espécies nativas, análises multiespectrais para o controle de qualidade de sementes, soluções para ampliar a oferta global de sementes nativas, o protagonismo de mulheres e comunidades tradicionais na cadeia produtiva, além do uso de biojoias como alternativa de geração de renda.
O evento também contará com o Espaço Avanço Tecnológico em Sementes Florestais, sessões de pôsteres, showroom tecnológico e atividades da III Feira de Sementes Florestais.
EVENTO – O XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes) será realizado de 25 a 28 de agosto de 2026, no Rafain Palace Hotel, em Foz do Iguaçu (PR). Promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), o evento reunirá pesquisadores, profissionais, estudantes de graduação e pós-graduação, além de empresas do setor de sementes. As inscrições estão abertas NESSE LINK.
Programação
XIII Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Sementes Florestais
Dia: 28 de agosto de 2026
Local: Rafain Palace Hotel & Convention – Foz do Iguaçu
8h – 8h15 Abertura
Fernando Augusto Henning, Embrapa Soja
Geângelo Petene Calvi, INPA
8h15 – 10h – Mesa redonda: Qualidade genética de sementes florestais – Colheita, melhoramento e pomares de sementes nativas e exóticas
Moderadora: Juliana Müller Freire, Embrapa Agrobiologia
Palestras:
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- Testes de progênies como base para a produção de sementes – produção e restauração – Miguel Luiz Menezes Freitas, Instituto de Pesquisas Ambientais
- Melhoramento genético de sementes florestais: USDA Forest Service – Arnaldo Ferreira, USDA
- Polinização suplementar mecanizada: tecnologia na produção de sementes de pinus – Andreza Cerioni Belniaki, Kolecti
- Aplicação de ferramentas genômicas e biotecnológicas no melhoramento genético de espécies florestais nativas – Ananda Virgínia de Aguiar, Embrapa Florestas
10h – 11h Coffee Break – Espaço Avanço Tecnológico em Sementes Florestais | Sessão Pôster- Florestal | Visita ao Showroom Tecnológico
11h – 12h30 – Mesa redonda: Novas abordagens da análise de sementes florestais
Moderadora: Elza Alves Corrêa, Unesp
Palestras:
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- Qualidade de sementes florestais por avaliações de raio-X; espectroscopia de infravermelho próximo e análises multiespectrais – Lausanne Soraya de Almeida, Universidade Federal de Viçosa
- Análises multiespectrais em sementes florestais: modelos de controle de qualidade aplicados na prática para a indústria – Thomas Bruno Michelon, Nova Spectra
- Teste de tetrazólio em sementes florestais da Caatinga: avanços metodológicos, aplicações e limitação em espécies nativas – Jailton de Jesus SIlva, FACEPE – Embrapa Semiárido
12h30 – 14h Almoço
14h – 15h Espaço Avanço Tecnológico das Redes de Sementes | Sessão Pôster – Florestal
15h – 16h30 – Mesa redonda: Sementes, bioeconomia e justiça climática: caminhos para o desenvolvimento sustentável
Moderadora: Fátima Piña-Rodrigues, Universidade Federal de São Carlos
Palestras:
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- Soluções para a lacuna global na oferta de sementes nativas: 40 anos de lições em 150 países – Danilo Urzedo, University of Western Australia
- Sementes florestais e restauração ecológica em larga escala – Giovanna Bernardes, Caminhos da Sementes
- Mulheres e comunidades tradicionais na cadeia de sementes nativas – Alciene Cardoso, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia
- Biojóias de sementes – Claudia Maria Carneiro Kahwage, Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará
16h30 – 17h00 – Encerramento do Simpósio e convite à participação das atividades da III Feira de Sementes Florestais
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A ABRATES, fundada em 1970, é uma entidade sem fins lucrativos que promove o avanço tecnológico na produção de sementes no Brasil. O CBSementes é um dos eventos promovidos pela ABRATES, que desempenha um papel crucial na divulgação de novas pesquisas e na formação contínua de profissionais do setor sementeiro, contribuindo significativamente para a agricultura brasileira.Imprensa ABRATES








