Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Dados do USDA – A soja começou a semana pressionada pelos novos dados do USDA. O relatório indicou aumento da área plantada nos Estados Unidos e estoques ainda elevados, reforçando a percepção de uma oferta mais confortável e limitando avanços mais consistentes em Chicago.
- Demanda externa mais fraca – Ao longo da semana, as cotações tentaram reagir, mas encontraram resistência diante de uma demanda externa menos firme. No Brasil, o dólar oscilou sem movimentos mais fortes, reduzindo o suporte do câmbio aos preços e mantendo o mercado físico com negociações mais pontuais.
- Clima nos EUA – O clima, por outro lado, voltou a apoiar as cotações. Previsões de temperaturas mais altas e de menor volume de chuvas em partes do Corn Belt aumentaram a atenção ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas e ajudaram a devolver volatilidade ao mercado.
De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de alta no contrato de soja spot em Chicago (jul/26), que fechou cotado a US$ 11,32 por bushel, com leve alta de 0,71%. O contrato de março/27 seguiu em direção oposta, apresentando uma queda de 0,43% e fechando em US$11,68 por bushel. Esse cenário impulsionou o Índice FOB Santos para patamares recordes, indicador exclusivo da Grainsights, que registrou alta de 2,52% na semana, encerrando em R$ 143,27 por saca.
O que esperar do mercado?
- Clima nos EUA – A semana começa sob forte agitação nos EUA, e não estamos falando da infeliz eliminação do Brasil da Copa do Mundo, mas da Bolsa de Chicago. No retorno das atividades, os contratos futuros de soja dispararam quase 3% hoje, impulsionados pelo acirramento das previsões climáticas nos Estados Unidos. Os holofotes estão totalmente voltados para o Meio-Oeste americano (Corn Belt), onde uma forte onda de calor elevou as temperaturas acima de 40°C em diversas regiões produtoras. Com as previsões de curto prazo indicando a continuidade de temperaturas acima da média e de chuvas escassas nos próximos dias, o estresse hídrico entra em fase crítica para o desenvolvimento vegetativo da soja, acrescentando um prêmio de risco às cotações.
- Relatório de oferta e demanda – Outro vetor de altíssima volatilidade para os preços nesta semana será a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda (WASDE) do USDA, agendada para a próxima sexta-feira (10/07) às 13h. Os agentes de mercado buscam entender se o órgão trará os primeiros reflexos desse estresse climático nas estimativas de produtividade norte-americanas, após o relatório de área do fim de junho ter confirmado um aumento na área plantada de soja em relação ao ciclo anterior. Qualquer indício de redução nos estoques globais servirá de combustível para manter o rali das cotações em Chicago.
- Cenário no Brasil – No mercado físico brasileiro, os produtores monitoram a alta internacional na tentativa de repassar os ganhos às cotações em reais, mas a pressão logística impõe desafios severos. A concorrência pelo espaço de armazenagem cresce substancialmente com o avanço da colheita da safrinha de milho, gerando gargalos que impulsionam a liquidação de lotes de soja no mercado spot. Esse fator limita uma reação mais agressiva dos prêmios portuários no curto prazo, mesmo em um cenário de embarques domésticos aquecidos e de demanda internacional ativa.

Como o mercado se comportou?
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- Pressão no início da semana – O milho começou a semana pressionado, mas ganhou força após os novos dados do USDA. A área plantada nos Estados Unidos ficou abaixo do que parte do mercado esperava, enquanto os estoques também trouxeram suporte às cotações em Chicago.
- Avanço da colheita no Brasil – A colheita da segunda safra no país continuou ampliando a oferta no mercado interno. A entrada de novos volumes pressionou os preços em algumas regiões e manteve os compradores mais cautelosos nas negociações.
- Clima no Corn Belt – Nos Estados Unidos, o clima ajudou a sustentar as cotações ao longo da semana. Previsões de temperaturas mais elevadas e de menor volume de chuvas aumentaram a preocupação com as lavouras em desenvolvimento, especialmente com a aproximação da fase de polinização.
De acordo com a Inteligência de Mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 3,16%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 64,40 por saca, o que representa uma leve alta de 0,17% na semana. No mercado físico, na região do Triângulo Mineiro, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 58,20 por saca.
O que esperar do mercado?
- Condições climáticas no cinturão americano – A exemplo da soja, os futuros do milho em Chicago também amanheceram em forte alta hoje, superando ganhos de 13 pontos em resposta direta às condições climáticas extremas no Meio-Oeste norte-americano. O risco climático atual é considerado altamente crítico para as lavouras dos EUA, que estão na fase decisiva de polinização, período em que o calor excessivo e a falta de umidade podem comprometer de forma irreversível os rendimentos. Embora as chuvas de junho tenham fornecido uma reserva de umidade favorável, o mercado operará na defensiva, sob a ameaça de perdas consolidadas, se o bloqueio atmosférico persistir.
- Avanço da colheita da safrinha – No cenário brasileiro, as atenções se voltam ao rápido avanço das colheitadeiras pelo Centro-Sul do país. A Conab estima o progresso nacional em cerca de 20% da área plantada. Embora o Mato Grosso dite um ritmo acelerado nos trabalhos de campo, estados como o Paraná enfrentam lentidão devido ao recente clima frio e úmido, o que gera preocupações pontuais quanto à qualidade do grão.
A entrada gradual desse milho físico no mercado spot mantém os compradores domésticos confortáveis e pressiona sazonalmente as cotações regionais no curto prazo.
Qualidade da safrinha: Apesar da pressão da colheita, o tamanho real da quebra produtiva na safrinha continuará no radar dos agentes nesta semana. Os dados consolidados do campo, provenientes das regiões que sofreram com a estiagem em abril e maio, como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, começarão a balizar o tamanho das perdas de produtividade. Se as perdas forem severas em lavouras tardias, haverá suporte aos preços futuros na B3, o que impedirá desvalorizações ainda mais bruscas no segundo semestre. - Comercialização – O ritmo de comercialização, por sua vez, caminha mais lentamente do que o habitual, refletindo uma postura cautelosa dos produtores, que evitam fixar grandes volumes nos atuais patamares de preços depreciados e optam por aguardar janelas cambiais ou outras oportunidades. No entanto, a forte demanda proveniente das usinas de etanol de milho em estados-chave atua como um colchão regional de suporte para mitigar quedas bruscas.
Macroeconomia e oportunidades – No ambiente financeiro, a semana se inicia com o dólar comercial operando acima de R$5,15, consolidando ajustes moderados após emendar sessões consecutivas de baixa frente ao real. Os agentes dividem a atenção entre as sinalizações de juros nos Estados Unidos e as tensões geopolíticas, enquanto, no cenário nacional, a agenda econômica aguarda a divulgação do IPCA de junho nesta semana, indicador que balizará as projeções de juros do Banco Central do Brasil. Diante de tamanha volatilidade cambial e da disparada das commodities em Chicago, a gestão dos custos operacionais torna-se a ferramenta mais poderosa para o produtor garantir a rentabilidade.
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Comunicação Grão Direto








