Enquanto a supersafra sul-americana amplia a disponibilidade do grão, o fortalecimento das margens de esmagamento e as incertezas climáticas seguem no radar dos investidores

O mercado da soja segue sustentado por fatores ligados à demanda por óleo vegetal e à forte competição pela matéria-prima, mesmo diante de um cenário global de ampla oferta. É o que aponta o mais recente relatório de Inteligência de Mercado da MerX, que avalia que o viés de preços no curto prazo permanece altista, enquanto o horizonte de médio prazo é considerado neutro.

Entre os fatores que limitam uma valorização mais intensa da commodity está a confirmação de uma safra recorde na América do Sul. A produção combinada da região deve alcançar 244,3 milhões de toneladas, um crescimento de 5,9% em relação ao ciclo anterior. Na Argentina, a colheita avançou para 74,8% da área, com produtividade média de 3,3 toneladas por hectare, o melhor desempenho dos últimos cinco anos.

Além da grande disponibilidade de soja sul-americana, os Estados Unidos caminham rumo a uma safra promissora. O plantio atingiu 74% da área prevista, acima dos 67% registrados no mesmo período do ano passado e da média histórica de 62%. As condições climáticas seguem favoráveis, reduzindo as preocupações com riscos produtivos neste estágio inicial da temporada.

Outro elemento de pressão sobre o mercado continua sendo o elevado nível de estoques nos EUA. Dados trimestrais apontam volumes recordes tanto nos armazéns das propriedades rurais quanto nas estruturas comerciais, reforçando a percepção de um quadro global de oferta confortável.

Por outro lado, a demanda por óleo de soja continua oferecendo importante sustentação ao complexo. Nos Estados Unidos, os mandatos de biocombustíveis aprovados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) garantem um consumo robusto nos próximos anos, enquanto o programa B50 da Indonésia amplia a demanda global por óleos vegetais. Como resultado, as margens de esmagamento permanecem atrativas e incentivam a disputa entre exportadores e indústrias processadoras pela soja disponível.

No Brasil, essa concorrência tem contribuído para a firmeza dos prêmios e do basis. Segundo a MerX, mesmo com a consolidação da supersafra e a estabilidade cambial observada nas últimas semanas, a demanda chinesa continua concentrada no produto brasileiro, o que sustenta o mercado físico. A consultoria destaca ainda que o avanço dos custos logísticos, impulsionado pela alta do diesel, e os preços elevados dos fertilizantes reforçam a resistência dos produtores a ampliar as vendas.

No cenário internacional, os investidores seguem acompanhando as negociações entre os Estados Unidos e a China. A visita do presidente Donald Trump a Pequim reacendeu especulações sobre um possível aumento das compras chinesas de soja norte-americana, embora ainda não haja confirmação oficial dos volumes envolvidos. A indefinição mantém o mercado em compasso de espera e limita movimentos mais expressivos nos preços.

O relatório também chama a atenção para os riscos climáticos da próxima temporada. Indicadores atmosféricos apontam para uma elevada probabilidade de formação de um evento El Niño no ciclo 2026/27, o que aumenta o risco de estiagens no Sul do Brasil e na Argentina. Caso o cenário se confirme, os contratos da nova safra poderão incorporar um prêmio climático adicional nos próximos meses.

Diante desse conjunto de fatores, a MerX avalia que o mercado da soja segue equilibrado entre oferta abundante e demanda estruturalmente fortalecida pelo setor de biocombustíveis. No curto prazo, a tendência permanece de sustentação dos preços, enquanto o comportamento da demanda chinesa e a evolução do clima serão determinantes para a direção do mercado na próxima safra.

A MerX é uma agfintech que integra rastreabilidade, crédito e trading no agronegócio. Com uma plataforma digital que combina inteligência de mercado, serviços financeiros e gestão de contratos, a empresa empodera produtores rurais e cerealistas, promovendo a sustentabilidade e a eficiência ao longo da cadeia produtiva.

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