Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias

Como o mercado se comportou?

  • Recuperação nos preços – A soja encerrou a semana tentando recuperar parte das perdas recentes em Chicago. O movimento foi apoiado por ajustes técnicos antes do feriado de Memorial Day, nos Estados Unidos, e pela retomada da atenção à demanda chinesa após novos sinalizadores comerciais entre China e EUA.
  • Dólar fraco – No Brasil, o câmbio mais fraco limitou parcialmente o repasse das altas externas aos preços internos. Mesmo com Chicago reagindo em alguns momentos, a formação de preços seguiu dependente da combinação entre dólar, prêmios, logística e do apetite dos compradores.
  • Competitividade Argentina – O anúncio de redução gradual das retenções sobre produtos agrícolas aumentou a atenção à competitividade regional, principalmente com foco em 2027, quando a soja pode ser impactada de forma mais direta.

    De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de recuperação para a soja na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de soja spot em Chicago (jul/26) encerrou a semana cotado a US$11,97 por bushel, com alta de 1,70%. O contrato de março/27 seguiu na direção contrária, apresentando uma leve queda de 0,42% e fechando em US$ 11,99 por bushel. Esse cenário impulsionou o índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que registrou alta de 1,21% na semana, encerrando em R$ 134,94 por saca.

 

O que esperar do mercado?

  • Cenário global – No exterior, a segunda-feira começa com liquidez reduzida devido ao feriado do Memorial Day nos Estados Unidos, o que mantém as bolsas americanas, incluindo a CBOT, fechadas. Isso deve desacelerar os negócios no início da semana, mas, ao longo dela, o foco retornará ao monitoramento diário do plantio da safra norte-americana. Com o plantio avançado, Chicago deve se manter sensível a qualquer alteração de clima nos estados produtores do Corn Belt, que hoje operam sob condições muito favoráveis.
  • O futuro das condições climáticas no Brasil — Talvez um tema seja mais recorrente do que os conflitos geopolíticos em sua relação com as cotações agrícolas. Esse é o clima. As expectativas globais ganham ainda mais peso com as projeções atualizadas da NOAA, que apontam uma probabilidade alta de consolidação de um “Super El Niño” a partir de setembro. Os desdobramentos de curto prazo já começam a desenhar uma transição com tempo seco no Centro-Oeste e chuvas acima da média na região Sul do Brasil nas próximas semanas. Para o produtor de soja, essa transição exige planejamento antecipado das compras de insumos e monitoramento constante da umidade do solo para evitar problemas na janela de plantio da próxima safra.
  • Flutuação cambial – Com a forte entrada de capital estrangeiro, o dólar chegou a operar abaixo de R$5,00 por alguns dias, mas voltou a ganhar força na última semana. Ainda assim, a expectativa para os próximos dias é de um câmbio mais fraco, o que limita os ganhos da soja no mercado interno, mesmo em momentos de alta em Chicago. O próprio Banco Central reduziu sua projeção para o dólar no fim do ano, de R$ 5,20 para R$ 5,17, reforçando a percepção de um real mais forte e de pressão adicional sobre os preços da soja no Brasil durante a colheita.

 

Como o mercado se comportou? 

  • Pressão no milho – O milho teve uma semana de pressão, mas também ensaiou recuperação em alguns momentos, acompanhando o movimento técnico dos grãos em Chicago antes do feriado nos EUA. Ainda assim, o mercado seguiu defensivo diante da oferta e do avanço da safra americana.
  • Estiagens na safrinha – No Brasil, a atenção concentrou-se no clima da safrinha. A estiagem no Centro-Oeste e o risco de geadas no Sul mantiveram o mercado sensível, especialmente porque qualquer perda produtiva pode afetar a disponibilidade regional e os preços físicos.
  • Dólar impactando – O comportamento do câmbio também influenciou os preços físicos do cereal no Brasil. O dólar, mais enfraquecido após muitas oscilações recentes, limitou o repasse das valorizações externas ao mercado interno, mantendo os compradores domésticos mais recuados.

    De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 1,93%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu na mesma direção, fechando a R$ 67,20 por saca (0,60%) na semana. O mercado físico se descolou da bolsa e, na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, as cotações encerraram a semana com referência de R$56,96 por saca, no mercado disponível.

 

O que esperar do mercado?

  • Milho safrinha – A atenção deverá permanecer nas projeções climáticas para o milho safrinha. O Inmet prevê chuvas abaixo da média para o Centro-Oeste e temperaturas acima do normal, o que deve levar à redução dos estoques de água no solo em junho em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. O mercado estará extremamente atento a essas condições. Qualquer resultado negativo deve ter impacto imediato nas cotações.
  • O início da semana – Com o mercado volátil devido ao clima e, na segunda-feira, sem a referência de Chicago por conta do feriado americano, a agilidade na tomada de decisões será importante para o produtor. Sem a principal bolsa global em operação, o mercado interno tende a operar com menor liquidez e maior sensibilidade ao câmbio, aos prêmios e às movimentações regionais, o que pode gerar oscilações pontuais nas indicações de compra. Certamente, a comercialização digital por meio da Grão Direto torna-se ainda mais estratégica nesse contexto.
  • Custos logísticos – Custos logísticos seguem no radar do milho, que é altamente sensível ao transporte rodoviário e aos preços dos combustíveis. O destaque da semana é o Boletim Focus divulgado hoje, que elevou a projeção de inflação para 2026 de 4,92% para 5,04%. Já são várias semanas de altas consecutivas. Com os combustíveis pressionando os custos ao longo da cadeia, o mercado pode apresentar oportunidades pontuais tanto para a venda do milho disponível quanto para travas futuras, exigindo atenção do produtor aos movimentos de preços e de frete.

 

Macroeconomia e oportunidades – A macroeconomia brasileira inicia a semana sob o impacto de novas revisões do Boletim Focus, divulgado hoje, com o IPCA de 2026 subindo para 5,04% e o PIB ajustado para cima, para 1,89%. No câmbio, o dólar comercial fechou a sexta-feira em alta, a R$ 5,03, devido a tensões externas e à redução do fluxo de capital estrangeiro no país, que foi muito significativo nas últimas semanas.

Diante de margens de lucro mais apertadas devido à volatilidade dos custos, o produtor precisa agir estrategicamente para proteger sua rentabilidade. É fundamental estar atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos custos de produção.

A Grão Direto é a plataforma líder na comercialização digital de grãos na América Latina, atendendo milhares de agricultores e compradores, como fábricas de ração, cooperativas, tradings, armazéns, corretores, confinamento de gado, granjas, entre outros. A plataforma pode atuar tanto em negociações no mercado spot quanto no mercado a termo/futuro, bem como em operações de barter, que envolvem a troca de insumos para a produção futura. Para ter acesso aos serviços, agricultores e compradores do Brasil podem baixar o aplicativo gratuitamente para seus dispositivos móveis ou acessá-lo em computadores. Com o aplicativo, os usuários têm acesso a diversos serviços e ao suporte da Grão Direto. Além disso, a empresa oferece soluções personalizadas aos seus clientes corporativos, apoiando-os em suas transformações digitais. Esses serviços incluem inteligência de mercado, digitalização da base de fornecedores, gestão de documentos e contratos digitais, ferramentas de precificação de grãos em tempo real, produtos e serviços financeiros e integração com soluções de compliance social e ambiental (ESG). Tudo para tornar o comércio de grãos mais eficiente, moderno e sustentável. A plataforma possui diversos reconhecimentos nacionais e internacionais e mantém um acordo de colaboração inédito no mundo com a Bolsa de Chicago (CME Group). 

Comunicação Grão Direto