Escassez de sucessores preparados começa a travar decisões e expor fragilidades na gestão de empresas do setor
O agronegócio brasileiro segue em expansão e se consolida como um dos principais motores da economia nacional. Mas, dentro das empresas, um desafio menos visível começa a ganhar relevância: a dificuldade de formar líderes na velocidade exigida pelo próprio crescimento.
O setor responde por cerca de um quarto do PIB do país, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ao mesmo tempo, o avanço das operações e o aumento da complexidade na gestão têm elevado o nível de exigência aos executivos, sem que isso esteja sempre acompanhado de formação adequada.
Nos bastidores, o problema aparece com recorrência: promoções feitas antes da hora, profissionais que ainda não sustentam a posição e decisões estratégicas que acabam concentradas em poucas pessoas.
“É um risco que não aparece no balanço, mas impacta diretamente o resultado. Muitas empresas crescem mais rápido do que conseguem desenvolver suas lideranças”, afirma Jorge Ruivo, consultor e CEO da Wiabiliza.
Esse descompasso não é exclusivo do agro. Estudos indicam que a maioria das empresas enfrenta lacunas relevantes de habilidades, especialmente em níveis de liderança, o que compromete a capacidade de execução e de tomada de decisão.
Decisão travada e dependência de poucos – Na prática, a falta de lideranças prontas cria um efeito em cadeia. Executivos mais seniores passam a concentrar decisões críticas, enquanto os níveis intermediários ainda não têm repertório suficiente para assumir um protagonismo maior.
O resultado é conhecido: decisões mais lentas, maior risco de erro e dificuldade em sustentar o crescimento de forma consistente.
“Quando não há sucessores preparados, a empresa fica refém de poucas pessoas. Isso limita o crescimento e aumenta a exposição ao risco”, explica o especialista da Wiabiliza.
Mentoring como resposta prática – Diante desse cenário, algumas empresas do setor têm buscado caminhos mais diretos para acelerar a formação de lideranças. Entre eles, o mentoring executivo vem ganhando espaço por sua abordagem prática.
Diferentemente de programas tradicionais de treinamento, o modelo se baseia na troca direta entre executivos mais experientes e líderes em desenvolvimento, com foco em situações reais do negócio.
“O ganho está na aplicação imediata. O executivo discute decisões reais, antecipa erros e amadurece mais rápido”, afirma.
Um desafio que tende a crescer – Com a escassez de profissionais qualificados se intensificando, a formação de lideranças deve se consolidar como um dos principais temas estratégicos para o agronegócio nos próximos anos.
Para especialistas, a diferença estará na forma como cada empresa estrutura esse processo. “Desenvolver líderes deixou de ser uma agenda de longo prazo. Hoje é uma necessidade imediata para sustentar o crescimento”, conclui.
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Com mais de 35 anos de atuação, a Wiabiliza é uma consultoria empresarial que atua nos mais variados setores, oferecendo soluções em recrutamento, seleção, capacitação e desenvolvimento de profissionais para todas as etapas da cadeia produtiva. Com unidades de negócios em polos estratégicos pelo Brasil, a empresa conecta talentos e empresas em todo o território nacional.









