Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Flutuação dos preços – Influenciada por fatores externos, o mercado de soja apresentou alta volatilidade. No início da semana, a escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, o que trouxe suporte ao complexo da soja em Chicago. Ao longo dos dias, esse fator continuou sendo relevante, sustentando as cotações mesmo diante de movimentos de realização e incertezas geopolíticas.
- Avanço da colheita no Brasil – O aumento na oferta pressionou os prêmios nos portos e contribuiu para um ritmo mais lento de negócios no mercado interno. Além disso, a valorização inicial do dólar deu sustentação aos preços, mas o movimento posterior de recuo da moeda frente ao real reduziu essa força, trazendo um viés um pouco mais negativo.
- China, safra sul-americana e projeções de área nos EUA – O mercado operou com atenção dividida a esses três fatores. O farelo de soja também teve papel importante ao oferecer suporte às cotações, evitando quedas mais acentuadas. Ainda assim, o ambiente foi de cautela, com investidores ajustando posições antes do relatório USDA e monitorando possíveis avanços nas relações entre EUA e China.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de soja spot em Chicago (maio/26) encerrou a semana cotado a US$ 11,59 por bushel, com queda de 0,09%, enquanto o contrato março/27 apresentou uma leve alta, de 0,35%; no câmbio, o dólar encerrou a R$ 5,24, com leve baixa de 0,75%. Esse conjunto de fatores trouxe suporte aos preços no índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que avançou 2% na semana, encerrando cotado a R$ 135,19 por saca.
O que esperar do mercado?
- Relatório USDA – Para esta semana, as atenções do mercado global devem se voltar para a divulgação do relatório “Prospective Plantings” do USDA, em 31 de março. Este documento trará a estimativa oficial da intenção de plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos e possui alto potencial de ditar o rumo das cotações em Chicago. Analistas monitoram se haverá uma redução na área destinada a milho em favor da soja.
- Condições climáticas – No Brasil, o foco climático se desloca para uma onda de calor extrema e atípica prevista para o início do outono nas regiões Sul e Centro-Oeste. Com temperaturas acima da média e chuvas irregulares, a umidade do solo pode ser comprometida nas áreas de colheita tardia e desenvolvimento final. O produtor deve acompanhar os boletins meteorológicos diários, pois o estresse térmico pode impactar a produtividade marginal e a qualidade dos grãos que ainda permanecem no campo.
- Exportações – Em termos de logística e demanda, a Anec revisou para baixo a projeção de exportações de março, embora o ritmo continue acelerado. A normalização do protocolo sanitário com a China deve elevar a liquidez no mercado físico portuário, mas a entrada maciça da safra mantém o viés de baixa nos prêmios domésticos. O produtor deve se atentar a janelas de alta no câmbio, principalmente, dado que a disponibilidade global de soja permanece confortável para o curto prazo.

Como o mercado se comportou?
- Etanol – O mercado de milho apresentou comportamentos distintos entre EUA e Brasil ao longo da semana. Nos Estados Unidos, a decisão de aumentar a mistura obrigatória de etanol nos combustíveis trouxe um impulso relevante para a demanda interna por milho, gerando suporte às cotações no mercado internacional.
- Pressão nos preços – No Brasil, o cenário foi de pressão sobre os preços, reflexo da maior oferta e da dinâmica interna mais desconectada do mercado externo. Esse movimento reforçou a atual dissociação entre os preços do mercado interno e os fundamentos globais, especialmente em momentos de avanço da safra e maior disponibilidade do grão.
- Cautela nas cotações – O milho também foi impactado pelo contexto macro, com tensões geopolíticas e oscilações no petróleo influenciando o apetite por commodities. Assim como na soja, o mercado operou com cautela antes do relatório do USDA, ajustando posições e mantendo um viés de volatilidade, ainda que com fundamentos mais pressionados no cenário brasileiro.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com leve queda de 0,86% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência segiu na mesma direção, porém, de forma mais intensa, fechando a R$ 70,34 por saca -1,44% na semana. Apesar da queda na B3, o mercado físico seguiu na direção contrária em várias regiões do Brasil. Em Rio Verde (GO), as cotações encerraram a semana com referência de R$ 58,00 por saca (2,90%), no mercado disponível.
O que esperar do mercado?
- Safrinha em foco – A perspectiva para esta semana é de um mercado de milho atento aos riscos climáticos da safrinha, especialmente com a chegada da onda de calor extrema no Centro-Sul. Áreas plantadas tardiamente no Paraná e em São Paulo podem sofrer com a evapotranspiração acelerada, exigindo chuvas complementares para evitar perdas de produtividade. Se o tempo seco persistir, poderemos observar um aumento na volatilidade dos contratos de julho e setembro na B3, refletindo o prêmio de risco das lavouras.
- Exportação de milho – A demanda externa pelo cereal brasileiro permanece robusta para o mês de março, com projeções da Anec indicando embarques recordes. A competitividade do grão nacional frente à safra argentina — prejudicada pela estiagem em fevereiro — deve manter o interesse das tradings ativo. O produtor deve monitorar os dados de inspeção semanal de exportação do USDA, que serão divulgados nesta segunda-feira, para entender o apetite do mercado global.
- Dinâmica dos preços – Por fim, a dinâmica dos custos de insumos continuará no radar, com o governo monitorando o abastecimento de fertilizantes diante dos impactos da guerra na logística internacional. A necessidade de garantir nutrição para as áreas de safrinha já estabelecidas pode gerar novas disputas por fretes rodoviários, especialmente se o preço do diesel voltar a oscilar. Estratégias de hedge são fundamentais neste momento para proteger a rentabilidade contra a alta dos insumos nitrogenados.
Macroeconomia e oportunidades – O cenário macroeconômico na última semana foi marcado por uma desvalorização do dólar frente ao real. Esse movimento foi impulsionado pela menor aversão ao risco global após os EUA sinalizarem moderação nas tensões com o Irã, o que também derrubou o barril de petróleo Brent para patamares abaixo de US$ 100. Internamente, a ata do Copom reforçou que o Banco Central monitora a desaceleração econômica e as incertezas externas, deixando em aberto os próximos passos para a taxa Selic. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção. Acompanhe as cotações pela Grão Direto e, ao identificar um valor alinhado à sua margem sustentável, aproveite para comercializar digitalmente seus grãos com segurança e agilidade!
–
Comunicação Grão Direto





