Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias

Como o mercado se comportou?

  • Prêmios pressionados – Apesar do dólar alto, os prêmios de exportação nos portos permaneceram baixos. O encarecimento global dos fretes marítimos e dos seguros de guerra forçou as tradings a descontar esse custo logístico.
  • Colheita avançando – No campo, a colheita seguiu em ritmo mais lento do que a média histórica, refletindo os atrasos provocados pelas condições climáticas em importantes regiões produtoras. Esse movimento contribuiu para elevar a disponibilidade imediata de grãos, aumentando a liquidez no mercado spot.
  • Dólar em alta – No mercado doméstico, a forte aversão global ao risco fez o dólar saltar e superar a marca de R$ 5,30. Essa escalada cambial formou um piso sólido de sustentação para os preços em reais na porta da fazenda.

De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de soja spot em Chicago (maio/26) encerrou a semana cotado a US$ 11,63 por bushel, com queda expressiva de 4,98%, enquanto o contrato março/27 também recuou, porém com menor intensidade (-1,29%), fechando no mesmo patamar; no câmbio, o dólar encerrou a R$ 5,31, com leve baixa de 0,19%, e esse conjunto de fatores resultou em pressão negativa sobre o mercado físico, refletida na região Noroeste de Minas, onde os preços recuaram, em média, 1,80% na semana, se aproximando de R$ 106,20 por saca.

 

O que esperar do mercado?

  • Novas escaladas do conflito – O bloqueio do Estreito de Ormuz vem afetando severamente a logística mundial, com forte elevação nos fretes marítimos e nos prêmios de seguro contra guerra, encarecendo significativamente o transporte global de commodities; em paralelo, o Irã sinaliza tentativa de reduzir tensões com os Estados Unidos após a ordem de Donald Trump estabelecendo um prazo de 48 horas para posicionamento diante do conflito, e esse cenário de possível cessar-fogo tende a aumentar a volatilidade nos preços internacionais.
  • Área plantada dos EUA – O principal direcionador da semana será a preparação para o relatório Prospective Plantings do USDA, agendado para 31 de março. A expectativa consolidada é de que os produtores norte-americanos ampliem a área de soja na safra 2026/27, principalmente após a intensificação do conflito no Oriente Médio, que vem onerando os preços dos fertilizantes nitrogenados, muito demandados na cultura do milho.
  • Alta tensão comercial – O mercado aguarda a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, prevista para ocorrer entre 31 de março e 2 de abril em Pequim, com expectativa de que Trump pressione por novas compras de soja americana, o que pode reforçar a demanda e dar suporte às cotações; ainda assim, o cenário é de cautela, já que o histórico de tensões entre as duas potências mantém os investidores atentos, e eventuais frustrações nas negociações podem limitar ganhos e aumentar a volatilidade no curto prazo.
  • O clima na América do Sul segue no radar – Nesta semana, as previsões indicam um padrão climático bastante contrastante: enquanto a Região Sul segue sob influência de frentes frias, com chuvas frequentes e volumes elevados que podem atrapalhar o avanço da colheita, o Centro-Oeste apresenta irregularidade, com mais umidade no norte de MT e GO e tempo mais seco em MS; no Sudeste, o calor predomina com pancadas isoladas e mal distribuídas, e no Norte e Nordeste as chuvas continuam mais presentes, sustentando altos acumulados e maior umidade, cenário que, no geral, mantém atenção sobre impactos nas operações de campo e na qualidade das lavouras.

 

Como o mercado se comportou? 

  • Cotações em queda – Na B3, os contratos futuros de milho recuaram (com vencimento em maio/26, cedendo a R$ 72,00), mesmo diante da valorização do dólar. O avanço acelerado da safrinha e a maior disponibilidade interna exerceram pressão sobre as cotações.
  • Plantio avançando – O plantio da safrinha ganhou ritmo no Centro-Sul ao longo da semana. A trégua das chuvas mais intensas favoreceu o avanço das operações no campo, permitindo a recuperação parcial do atraso registrado anteriormente.
  • Risco contínuo – A irregularidade climática no início de março deslocou parte das lavouras para fora da janela ideal de cultivo. Com isso, as plantas passaram a apresentar maior exposição a riscos de temperatura e hídricos nas semanas seguintes.

    De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com uma leve queda de 0,21%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu na mesma direção, porém de forma mais intensa, fechando na semana em R$ 71,99 por saca (-4,38%). Esse movimento de queda nas bolsas provocou desvalorizações no mercado físico em diversas regiões do Brasil. Em Lucas do Rio Verde (MT), as cotações encerraram a semana com referência de R$ 48,12 por saca (-3,25%), no mercado disponível.

 

O que esperar do mercado?

  • Área plantada dos EUA – O mercado internacional de milho também ajusta suas posições à espera do relatório de intenção de plantio (Prospective Plantings) do USDA no dia 31 de março. As projeções indicam um forte recuo na área plantada dos EUA. Essa redução é uma resposta direta aos altos custos de insumos e deve apoiar os preços a médio prazo.
  • Safra 2026/27 em risco – O bloqueio de rotas no Oriente Médio acende um alerta vermelho de extrema gravidade para a matriz de custos da próxima safra. O Irã responde por cerca de 10% das exportações globais de ureia, e o Oriente Médio, como um todo, fornece 25% do suprimento mundial. Com o Brasil importando dessa região cerca de 35% de sua ureia, a guerra ameaça inflacionar rapidamente os fertilizantes nitrogenados.
  • Exportações sendo impactadas – Pelo lado da demanda, a escalada do conflito ameaça diretamente o fluxo das exportações brasileiras de milho. O Irã é um dos maiores compradores do cereal nacional, tendo importado mais de 9 milhões de toneladas recentemente, segundo a Secex. Qualquer embargo ou barreira logística no Golfo Pérsico pode represá-la no mercado interno brasileiro, pressionando as cotações locais para baixo.
  • Safrinha 2026 – O clima de abril será decisivo para a safrinha recém-implantada: apesar do avanço no plantio, muitas áreas ficaram fora da janela ideal, elevando a dependência de umidade no solo na transição para o padrão de outono; nesse cenário, a manutenção de chuvas regulares será fundamental para sustentar o desenvolvimento vegetativo e garantir uma polinização adequada, enquanto qualquer irregularidade hídrica pode comprometer o potencial produtivo das lavouras.

Macroeconomia e oportunidades – A forte escalada do dólar, que rompeu a marca de R$ 5,30, impulsionada pelo pânico global com a guerra no Oriente Médio e pelas novas tarifas de 15% impostas pelos EUA ao comércio mundial, traz um fôlego importante aos preços dos grãos em reais, ajudando a compensar a queda dos prêmios portuários. Com a volatilidade cambial devendo continuar alta na semana devido à divulgação da Ata do Copom, do IPCA-15 e dos discursos dos membros do Fed, a gestão financeira torna-se essencial. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção.

A Grão Direto é a plataforma líder na comercialização digital de grãos na América Latina, atendendo milhares de agricultores e compradores, como fábricas de ração, cooperativas, tradings, armazéns, corretores, confinamento de gado, granjas, entre outros. A plataforma pode atuar tanto em negociações no mercado spot quanto no mercado a termo/futuro e em operações de barter, que envolvem a troca de insumos por parte futura da produção. Para ter acesso aos serviços, agricultores e compradores do Brasil podem baixar o aplicativo gratuitamente em seus dispositivos móveis ou se conectar por meio de computadores. Com o aplicativo, os usuários têm acesso a vários serviços e ao suporte da Grão Direto. Além disso, a empresa oferece soluções personalizadas aos seus clientes corporativos, apoiando-os em suas transformações digitais. Esses serviços incluem inteligência de mercado, digitalização da base de fornecedores, gestão de documentos e contratos digitais, ferramentas de precificação de grãos em tempo real, produtos e serviços financeiros e integração com soluções de compliance social e ambiental (ESG). Tudo para tornar o comércio de grãos mais eficiente, moderno e sustentável. A plataforma possui diversos reconhecimentos nacionais e internacionais e mantém um acordo de colaboração inédito no mundo com a Bolsa de Chicago (CME Group). 

Comunicação Grão Direto