Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias

Como o mercado se comportou?

  • Fatores climáticos – O mercado de soja na última semana foi marcado principalmente pelo clima e pela retomada da demanda internacional. No Centro-Oeste, o excesso de chuvas atrasou o avanço da colheita e limitou a disponibilidade imediata de grãos, o que traz mais cautela à comercialização. Ao mesmo tempo, no Sul do país, períodos de estiagem passaram a gerar preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras, o que adicionou incerteza ao cenário produtivo.
  • Exportações – No ambiente internacional, a retomada das compras da China após o período do Ano Novo Lunar voltou a colocar o país asiático no centro das atenções do mercado. O Brasil manteve forte ritmo de embarques e liderou as exportações para o gigante asiático, com expectativa de volumes elevados ao longo de fevereiro e março. Esse fluxo de demanda ajudou a sustentar as cotações e reforçou o protagonismo brasileiro no comércio global da soja.
  • Fatores macroeconômicos – O câmbio mais baixo ao longo da semana reduziu os custos de produção associados a insumos, especialmente fertilizantes e defensivos. Ao mesmo tempo, o mercado seguiu atento às movimentações políticas e comerciais globais, incluindo discussões sobre tarifas, que mantiveram os agentes em estado de alerta.

A soja spot, com referência no contrato de março/26, encerrou a semana cotada em US$ 11,57 por bushel, acumulando alta de 1,67% no período em Chicago. O avanço externo trouxe suporte às cotações internacionais, porém, no Brasil, o movimento foi parcialmente neutralizado pelo dólar em queda, que fechou a R$ 5,13, recuando 1,16% na semana, reduzindo o potencial de valorização no mercado interno. No mercado físico, o movimento foi de alta na maior parte das regiões, apesar da pressão do dólar.

 

O que esperar do mercado?

  • Desempenho da safra – A atenção do mercado está voltada para a consolidação das estimativas de safra recorde no Brasil, projetada em 178 milhões de toneladas pela Conab, lembrando que entramos agora em um mês decisivo para o avanço da colheita. Nesse cenário, o monitoramento climático no Rio Grande do Sul, mas também na Argentina, ganha força, pois a estiagem severa e o calor extremo no
    Cone Sul pode provocar cortes significativos na produtividade das áreas de maturação mais tardia.
  • Geopolítica – No campo geopolítico, o foco será a preparação para a cúpula de abril entre a China e os Estados Unidos. O mercado aguarda compras de “boa vontade” por parte dos chineses para validar a trégua comercial, o que pode dar fôlego novo às cotações internacionais. Qualquer sinalização de aumento ou redução de tarifas por parte da administração Trump será o principal gatilho de volatilidade para os contratos futuros na CBOT.
  • Oportunidades – Da perspectiva do produtor, é recomendável adotar uma estratégia defensiva. Com a paridade de exportação pressionada pelo dólar baixo, o mercado físico deve permanecer travado, com negócios ocorrendo apenas por necessidade de caixa ou de logística. A agenda econômica brasileira também traz o PIB do quarto trimestre de 2025 na terça-feira (03), o que influenciará as projeções de juros e, consequentemente, o comportamento do câmbio na formação do preço.

Mesmo com o dólar mais fraco limitando altas mais intensas, o cenário atual reduz o espaço para quedas relevantes; assim, podemos ter uma semana mais tranquila e lateralizada.

 

Como o mercado se comportou? 

  • Safrinha – O mercado de milho apresentou comportamento influenciado principalmente pelas expectativas para a segunda safra no Brasil e pelos sinais do mercado internacional. O plantio da safrinha seguiu atrasado em parte do Centro-Oeste devido ao excesso de chuvas, o que aumenta o risco de que parte das áreas fique fora da janela ideal. Esse cenário elevou a atenção dos agentes para possíveis impactos na produtividade futura.
  • Safra americana e demanda – No mercado externo, as cotações receberam suporte das expectativas de redução da área plantada nos Estados Unidos, o que levou a um viés mais positivo nos preços internacionais. Em paralelo, a demanda da indústria de etanol e o aumento das exportações também contribuíram para sustentar o mercado, mantendo uma percepção de oferta e demanda relativamente ajustada.
  • Exportações – As exportações do milho brasileiro foram influenciadas pelo câmbio na semana anterior. O dólar mais baixo ao longo da semana reduziu a competitividade das exportações e limitou movimentos mais fortes de alta nos preços. O mercado doméstico seguiu relativamente equilibrado, acompanhando as variações externas, mas influenciado pela demanda interna.

O milho spot em Chicago encerrou a semana cotado em US$ 4,38 por bushel, registrando alta de 2,34% no período, indicando uma recuperação mais consistente no mercado internacional. No Brasil, o contrato março/26 na B3 (BM&F) acompanhou parcialmente o movimento externo, fechando a R$ 72,29 por saca, com avanço de 0,64% na semana, sinalizando sustentação, mas com ritmo mais moderado em relação à alta observada em Chicago. No mercado físico, o movimento foi misto, com altas e baixas a depender da região.

 

O que esperar do mercado?

  • Condições climáticas – A semana que começa deve ser marcada pelo clima no Cone Sul. Com quebras significativas do milho de verão em partes do Rio Grande do Sul devido ao bloqueio atmosférico e ao calor, o mercado doméstico deve manter um prêmio de risco elevado. O produtor precisa acompanhar se o retorno das chuvas será suficiente para salvar as áreas da safrinha ou se o déficit hídrico continuará se expandindo para o Centro-Oeste.
  • Agenda e mercado – A divulgação do PIB brasileiro na terça-feira (03) será vital para entender o fôlego da demanda interna por proteína animal e por etanol, setores que hoje consomem a maior parte do milho produzido no país, com destaque para a indústria de biocombustíveis.
  • Realidades regionais – Os preços devem continuar a refletir a cautela do vendedor. Com o dólar acumulando quedas, o milho brasileiro ganha competitividade na exportação, mas a disputa com o mercado interno (especialmente na ração e no etanol) deve manter a saca firme em patamares superiores, como já conhecemos. Monitorar as janelas de plantio da safrinha, que se encerram agora em março, será crucial para definir a estratégia de venda.
    Sendo assim, poderemos ter uma semana de mercado lateralizado a levemente positivo, sensível a qualquer mudança no clima.

Macroeconomia e oportunidades – O cenário macroeconômico do início de março de 2026 é definido pela força do Real, que se mantém abaixo de R$ 5,20 devido à taxa Selic elevada e ao fluxo de capital estrangeiro para o Brasil. Embora o câmbio valorizado ajude a conter a inflação, ele impacta diretamente a receita bruta do produtor de grãos ao reduzir a conversão das cotações do dólar em reais. Por outro lado, o momento é oportuno para a aquisição de insumos importados e de tecnologias de monitoramento, visando proteger a margem diante da volatilidade climática que atinge o Sul e a Argentina. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção. Acompanhe as cotações da Grão Direto e, ao identificar um valor alinhado à sua margem sustentável, aproveite!

A Grão Direto é a plataforma líder na comercialização digital de grãos na América Latina, atendendo milhares de agricultores e compradores, como fábricas de ração, cooperativas, tradings, armazéns, corretores, confinamento de gado, granjas, entre outros. A plataforma pode atuar tanto em negociações no mercado spot quanto no mercado a termo/futuro e em operações de barter, que envolvem a troca de insumos por parte futura da produção. Para ter acesso aos serviços, agricultores e compradores do Brasil podem baixar o aplicativo gratuitamente em seus dispositivos móveis ou se conectar por meio de computadores. Com o aplicativo, os usuários têm acesso a vários serviços e ao suporte da Grão Direto. Além disso, a empresa oferece soluções personalizadas aos seus clientes corporativos, apoiando-os em suas transformações digitais. Esses serviços incluem inteligência de mercado, digitalização da base de fornecedores, gestão de documentos e contratos digitais, ferramentas de precificação de grãos em tempo real, produtos e serviços financeiros e integração com soluções de compliance social e ambiental (ESG). Tudo para tornar o comércio de grãos mais eficiente, moderno e sustentável. A plataforma possui diversos reconhecimentos nacionais e internacionais e mantém um acordo de colaboração inédito no mundo com a Bolsa de Chicago (CME Group). 

Comunicação Grão Direto