Produtores devem antecipar compras e adotar tecnologias de precisão para garantir margens diante da alta dos insumos e cenário de crédito restrito
O plantio do milho de verão 2025/26 avança em bom ritmo nas regiões do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, mantendo desempenho acima da média dos últimos anos. Levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atualizados em 11 de outubro, indicam que 31,2% da área estimada já foi semeada, resultado que reforça o empenho do produtor em aproveitar as janelas ideais de umidade e temperatura. Mesmo com esse avanço no campo, as projeções para a safra nacional apontam leve retração na produção, com expectativa de colheita em torno de 138,6 milhões de toneladas, volume cerca de 1,8% inferior ao registrado na temporada passada.
O cenário evidencia um período de maior cautela e planejamento para o produtor, que enfrenta custos elevados, crédito mais restrito e preços do grão sob pressão. Diante desse contexto, o equilíbrio entre eficiência técnica e gestão financeira será determinante para garantir rentabilidade.
“Buscar a antecipação na compra de fertilizantes, sementes e defensivos é indispensável para mitigar a volatilidade do mercado. Aliada a isso, a otimização do uso de insumos, por meio de análise de solo, agricultura de precisão e aplicação localizada, garante máxima eficiência e redução de desperdícios”, explica Vinicius Vigela, especialista técnico da Nitro.
A volatilidade cambial e as oscilações internacionais de preços têm pressionado o custo de produção, especialmente dos fertilizantes, que representam uma das maiores parcelas do investimento na lavoura. Segundo Vigela, a estratégia para driblar o impacto passa por um planejamento agronômico detalhado e o uso inteligente de tecnologias. “O produtor precisa trabalhar com base em dados e aplicar insumos apenas onde há necessidade real, o que evita desperdício e mantém o equilíbrio financeiro mesmo em cenários adversos.”
Entre as ferramentas que podem ajudar na redução de custos sem comprometer a produtividade, o especialista destaca quatro pilares: a agricultura de precisão, com mapas de fertilidade e taxa variável; o manejo integrado de pragas (MIP), que reduz o uso de defensivos ao priorizar o monitoramento e a intervenção apenas quando o nível de dano econômico é atingido; o uso criterioso de análises de solo, para uma adubação mais precisa; e a inclusão de bioinsumos nos programas de manejo, como alternativa de melhor custo-benefício e de promoção da saúde do solo.
Para proteger suas margens, o produtor também pode se apoiar no histórico de preços e no mercado futuro. “Essas ferramentas permitem identificar períodos de baixa sazonal e realizar compras de forma estratégica, além de fixar preços via contratos futuros ou mecanismos de barter, protegendo-se da volatilidade cambial”, orienta Vigela.
As expectativas de preço para o milho de verão apontam para um cenário de estabilidade, com possível leve pressão de baixa, o que reforça a necessidade de um planejamento financeiro cuidadoso. “A rentabilidade tende a ser mais apertada, e isso exige que o produtor conheça o ponto de equilíbrio da sua operação, ou seja, o custo total por saca, para definir o momento mais adequado de compra e venda”, complementa.
O especialista também ressalta que o manejo climático é parte essencial desse planejamento. O plantio dentro da janela ideal, a escolha de híbridos tolerantes ao estresse hídrico e o uso do Sistema Plantio Direto (SPD) estão entre as práticas que ajudam a mitigar riscos e garantir o retorno sobre o investimento. Regiões com maior controle sobre o risco climático e acesso facilitado ao mercado, como o Sul do país, tendem a apresentar melhor rentabilidade nesta safra.
“Planejar com antecedência, avaliar diferentes cenários e investir em eficiência técnica são as chaves para equilibrar custos e expectativas de preço. Em um ano de margens mais justas, cada decisão precisa ser tomada com base em dados e foco em produtividade sustentável”, conclui Vigela.
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