Estudo traz as projeções para o cenário econômico, além dos mercados de soja, milho, algodão, fertilizantes, proteína animal, café, cana, açúcar, etanol, papel, celulose, suco de laranja e leite
O Rabobank, banco de atuação global especializado em soluções financeiras para o agronegócio, divulgou o relatório Perspectivas para o Agronegócio 2026, que traz as principais tendências do setor para o próximo ano. Para ter acesso ao estudo completo, clique aqui.
Confira abaixo os destaques:
Macroeconomia
- A economia brasileira desacelera devido aos efeitos defasados da política monetária restritiva, apesar do efeito parcialmente mitigador de políticas fiscais contracíclicas. Medidas de inflação corrente e prospectiva já ensaiam moderação, mas o Copom aguarda sinais mais claros para dar início ao próximo ciclo de cortes de juros. Assim, o real brasileiro não poderá continuar a contar com a ajuda do diferencial de juros, passando a refletir cada vez mais incertezas sobre a fragilidade fiscal e os destinos da corrida eleitoral.
- A conjuntura global continuará desafiadora. Além das tensões geopolíticas, as incertezas comerciais pesarão sobre o crescimento da economia dos EUA e da China. Com isso, cortes de juros pelo Fed podem enfraquecer o dólar no curto prazo, enquanto uma recessão global permanecer longe do radar. Portanto, trata-se de um cenário desafiador para a demanda global e o mercado de commodities.
Insumos
- Os produtores rurais deverão continuar enfrentando uma situação de aperto nas margens operacionais em 2026, com a recuperação esperada para a metade de 2027.
- Segundo projeções do Rabobank, as entregas de fertilizantes em 2025 devem ser recorde no Brasil. Para 2026 a expectativa é de um novo aumento nas entregas.
Cana, Açúcar e Etanol
- Com um plantio maior no 1º trimestre de 2025 e um clima mais ameno ao longo de 2025 em comparação com 2024, a safra 2026/27 no centro-sul tem chance de ser maior que a safra 2025/26, se o verão for normal.
- O preço internacional de açúcar caiu ao longo de 2025, dada a transição do balanço global de déficit para excedente, enquanto os fundos construíram uma grande posição líquida vendida no mercado. O preço do etanol em 2025 se mostrou firme dada a moagem menor e um mix altamente açucareiro.
- Se a safra 2026/27 for grande, as usinas vão enfrentar um dilema de mix. Um mix açucareiro poderia pressionar ainda mais o preço do açúcar. Mas, com crescimento adicional de etanol de milho garantido, se o setor de cana mudar muito para etanol, arriscaria derrubar o preço do combustível.
Café
- O Rabobank revisou a estimativa de demanda brasileira de café em 2024/25 (julho a junho), de 21,8 para 21,4 milhões de sacas, uma queda de 0,9% em relação ao ciclo anterior. Para 2025/26, espera-se um crescimento de 1,2%, totalizando 21,7 milhões de sacas.
- As exportações brasileiras de café para o ciclo 2025/26 (julho a junho) são projetadas entre 39 e 41 milhões de sacas. Esta desaceleração reflete as frustrações nas últimas colheitas e a redução nos estoques de passagem.
- Entre o final de 2025 e o início de 2026, os preços do café devem permanecer voláteis, influenciados pelo atual contexto geopolítico, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos e o regulamento europeu (EUDR), além dos estoques mais baixos. No entanto, a expectativa de recuperação da oferta global pode exercer pressão sobre os preços.
Soja
- Para o ciclo 2025/26, mesmo diante de elevadas taxas de juros, que continuam pressionando o fluxo de caixa dos produtores, muitos ainda altamente alavancados, o RaboResearch projeta um crescimento de 2% na área plantada de soja. Embora represente uma expansão, esse ritmo é inferior à média dos últimos 15 anos, de aproximadamente 4% ao ano.
- As exportações brasileiras devem manter os volumes recordes de 2024, com estimativa de 111 milhões de toneladas. No entanto, um eventual acordo comercial entre Estados Unidos e China pode reduzir a demanda pela soja brasileira e pressionar os prêmios nos portos nacionais, o que poderia resultar em preços internos menos favoráveis ao produtor no Brasil.
Milho
- A rentabilidade observada em 2025 tem incentivado os produtores a ampliar a área destinada ao milho na safra 2025/26. O RaboResearch projeta um aumento de 2,2% na área total cultivada, refletindo a atratividade do cereal frente a outras culturas.
- Considerando a tendência de produtividade, a produção total deverá atingir 137 milhões de toneladas, sendo 27 milhões de toneladas da safra de verão e 110 milhões de toneladas do milho safrinha.
- Apesar da expansão da área, a produção projetada representa uma redução de 5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. No cenário internacional, os Estados Unidos, maior produtor e exportador global, devem colher uma safra recorde estimada em 427 milhões de toneladas, o que permitirá uma recomposição significativa dos estoques.
Algodão
- Para a safra 2025/26, o RaboResearch projeta uma nova expansão da área destinada ao cultivo de algodão, que deve ultrapassar 2,1 milhões de hectares — o maior nível observado em 37 anos.
- Apesar do avanço, o crescimento será mais moderado, com alta estimada em cerca de 2,5% em relação à safra anterior.
- No mercado interno, os preços da pluma no Mato Grosso registraram queda pelo quinto mês consecutivo, pressionados pelo avanço da colheita da safra 2024/25 e pelo desempenho ainda aquém do esperado das exportações acumuladas entre agosto e setembro, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O atual cenário de preços também não vem favorecendo a evolução da comercialização da pluma para a safra 2025/26. De acordo com o Imea, a comercialização da safra está em 30%, em linha com o ano passado, porém 13 pontos percentuais abaixo da média histórica.
Proteína animal
- O mercado de proteína animal no próximo ano segue em ambiente de volatilidade, impactado por questões climáticas, geopolíticas, riscos sanitários e pelo poder de
- compra da população.
- Barreiras comerciais e/ou sanitárias seguem como os principais desafios para o setor de exportação, por conta da baixa previsibilidade e do alto potencial disruptivo, mesmo com os avanços ligados à regionalização com importantes parceiros comerciais.
- As exportações das carnes bovina, suína e de frango devem ter por mais um ano, a oportunidade de elevar os embarques não só em volume, como em faturamento, principalmente a carne bovina, devido à expectativa de queda na oferta global.
Suco de laranja
- Com a oferta em crescimento e a demanda retraída pelos altos preços no varejo, a recuperação dos estoques globais deve ganhar relevância ao final da safra 2025/26.
- O balanço global entre oferta e demanda, projetado com superávit de 250 mil toneladas equivalentes de FCOJ, está sustentado principalmente pela retomada da produção no Brasil durante esta safra.
- Nesse contexto, os preços do suco devem permanecer sob pressão, enquanto o mercado aguarda as primeiras indicações da safra 2026/27, que serão fundamentais para avaliar se a recomposição dos estoques poderá se estender por mais um ciclo.
Leite
- A produção brasileira de leite deve apresentar crescimento moderado em 2026, influenciada por preços ao produtor ligeiramente menores no início do ano e por uma base de comparação elevada, devido ao forte crescimento registrado em 2025.
- Do lado da demanda, o cenário tende a permanecer moderadamente positivo, impulsionado pelo início de um ciclo de corte de juros, gastos públicos elevados e manutenção do desemprego em patamares baixos. Esses fatores devem contribuir para sustentar o consumo de lácteos ao longo do ano.
Celulose
- O mercado ainda enfrenta dificuldades para absorver a capacidade adicional das novas plantas inauguradas na América do Sul em 2023 e 2024, além do impacto do aumento da celulose integrada na China, que deve acrescentar cerca de 5 milhões de toneladas de BHKP entre 2024 e 2027.
- A desaceleração macroeconômica global, com enfraquecimento nos EUA e Europa, e o excesso de capacidade na China devem continuar pressionando os preços do papel.
Em 2025, as exportações já devem superar 20 milhões de toneladas, com novo recorde esperado para o próximo ano. O país deve continuar avançando na diversificação dos destinos, com destaque para o crescimento nos EUA.
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Com sede na Holanda, o Rabobank está presente em 35 países. A instituição atua no Brasil há mais de 35 anos e conta com 17 agências no interior do país, com uma gama de serviços financeiros que inclui consultoria a empréstimos, gestão de riscos e investimentos para produtores rurais e grandes empresas agroindustriais.









