Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias

Como o mercado se comportou?

  • Realização de lucros – O mercado internacional da soja encerrou a semana com forte volatilidade, refl etindo um movimento de realização de lucros por parte dos fundos de investimento após as altas registradas nas sessões anteriores.
  • Demanda norte-americana – As cotações em Chicago dispararam quase 2% no meio da semana, impulsionadas por um excelente volume de vendas externas norte-americanas. O USDA reportou dados que superaram o teto das projeções, evidenciando o apetite pontual da China.
  • Logística argentina – Paralisações e greves nos portos da Argentina elevaram as preocupações quanto ao abastecimento global de farelo de soja. O cenário favoreceu o direcionamento da demanda para os portos brasileiros e norte-americanos, oferecendo suporte temporário aos prêmios de exportação e às cotações internacionais.
  • Comercialização cautelosa – Apesar da melhora das cotações em reais, o mercado físico brasileiro permaneceu com baixa liquidez. Os produtores mantiveram uma postura cautelosa, restringindo novas vendas enquanto acompanham a evolução do clima nos Estados Unidos, que pode influenciar a formação dos preços nas próximas semanas.

De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de alta no contrato de soja spot em Chicago (jul/26), que fechou cotado a US$11,24 por bushel, com leve alta de 0,09%. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, apresentando alta de 0,86% e fechando a US$11,73 por bushel. Esse cenário impulsionou o Índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que registrou alta expressiva de 2,61% na semana, encerrando em R$ 139,65 por saca.

 

O que esperar do mercado?

  • Relatórios do USDA – A bússola absoluta do mercado na virada do mês será a divulgação, no dia 30 de junho, de dois relatórios cruciais do USDA: o “Acreage” (Área Plantada) e o “Grain Stocks” (Estoques Trimestrais). O mercado aguarda ansiosamente para ver se a agência norte-americana fará ajustes na estimativa de área plantada com soja nos EUA. Além disso, os estoques trimestrais podem consolidar um cenário de oferta que, se confirmado, exigirá forte demanda para justificar suporte nos preços da CBOT.
  • Clima nos EUA – Além dos números de área, o “mercado de clima” norte-americano entra em sua fase mais aguda. O relatório Crop Progress acompanhará as condições das lavouras recém-emergidas no Corn Belt. Modelos meteorológicos que apontam a chegada de massas de calor intenso ou de estresse hídrico no Meio-Oeste adicionarão prêmios de risco rápidos às cotações em Chicago.
  • Plano Safra – No Brasil, os olhos do agronegócio estão voltados para o aguardado anúncio do Plano Safra 2026/27, também previsto para o dia 30 de junho. O setor, representado pela CNA, pleiteia um volume de R$ 670 bilhões. Em um ambiente de Selic a 14,50%, a definição do montante de recursos com juros equalizados (subsidiados) pelo Tesouro Nacional será decisiva para o planejamento e aquisição de insumos.
  • Logística Global – No front logístico e geopolítico, a tensão global envia sinais mistos. A extensão por 60 dias de um cessar-fogo tático entre os Estados Unidos e o Irã aliviou temporariamente os preços do petróleo Brent. Se essa trégua garantir a navegação pacífica no Estreito de Ormuz, o custo do frete marítimo internacional poderá recuar, aliviando a enorme pressão que esmaga os prêmios portuários no Brasil.
  • China no radar – Os desdobramentos da balança comercial sino-americana também exigem monitoramento contínuo. A manutenção das tarifas de retaliação entre Washington e Pequim, somada à proximidade da colheita nos EUA em setembro, significa que a China continuará altamente dependente do fluxo ininterrupto de exportações brasileiras neste segundo semestre do ano.

 

Como o mercado se comportou? 

    • Colheita avançou – O mercado futuro de milho na B3 encerrou a semana mantendo uma forte trajetória de queda, pressionado inquestionavelmente pelo avanço contínuo da colheita, com exceção do estado do Paraná, onde o avanço é mais tímido devido ao excesso de umidade e à janela mais tardia.
    • Cabo de Guerra – A liquidez no mercado físico nacional permaneceu engessada, operando sob a dinâmica do “cabo de guerra”. Os compradores industriais, especialmente fábricas de ração e frigoríficos, estavam confortavelmente abastecidos e ofereciam preços retraídos. Por outro lado, produtores rurais seguraram as vendas, recusando-se a negociar a preços próximos aos custos de produção.
    • Safra dos EUA – A saúde impecável da safra dos Estados Unidos é o principal balizador de baixa em Chicago. O relatório Crop Progress vem mostrando que as condições das lavouras superam a média dos últimos cinco anos. A ausência de problemas climáticos severos no Corn Belt retirou todo e qualquer prêmio de risco até o momento.

    De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com queda de 1,20%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 64,29 por saca, o que representa uma alta de 0,59% na semana. No mercado físico, na região Norte de Mato Grosso, as cotações encerraram a semana com referência a R$ 39,53 por saca.

 

O que esperar do mercado?

  • Pressão de colheita continua – As cotações da B3 e do mercado físico serão estritamente ditadas pelo avanço da colheita da safrinha de milho, que deve atingir seu pico operacional entre a segunda quinzena de junho e meados de julho. Em Mato Grosso, a retirada dos grãos do campo já ultrapassou a expressiva marca de 35,5% da área semeada, em ritmo bastante acelerado. Com o clima previsto para continuar favorecendo o trânsito das colheitadeiras, essa inundação de oferta física forçará os preços spot para baixo, tendo a demanda interna como principal piso limitador dessa desvalorização.
  • Relatórios do USDA – Internacionalmente, todos os holofotes estão voltados para a divulgação do relatório de Área Plantada (Acreage) e dos Estoques do USDA no dia 30 de junho. O
    mercado estima que a área americana de milho diminua. Qualquer surpresa, com números de área inferiores aos projetados, pode gerar um efeito estilingue sobre a cobertura das posições vendidas em Chicago.
  • Lavouras nos EUA – O monitoramento do Crop Progress norte-americano será crítico. As mesas de operação especulativas acompanham avidamente as porcentagens das lavouras nas condições “Boa” e “Excelente”. Como julho marca o período crítico de polinização do milho nos EUA, eventuais bolsões de calor severo nas Grandes Planícies seriam o único gatilho capaz de injetar prêmios de risco consistentes na bolsa.
  • Riscos de Geadas – No Brasil, os riscos de “mercado de clima” se restringem ao avanço de frentes polares. O Instituto Nacional de Meteorologia alerta para madrugadas com risco de geadas ao longo do sul do Paraná, de Santa Catarina e das áreas serranas do Rio Grande do Sul. Lavouras de safrinha semeadas tardiamente nesses estados estão sob alerta máximo de queima por gelo.
  • Exportações em alerta – O escoamento via exportação precisará reagir para aliviar a pressão no mercado doméstico. A redução das estimativas de embarques no Brasil aumenta o alerta. Contudo, se a renovação do cessar-fogo de 60 dias no Golfo Pérsico se sustentar, a redução nos seguros navais pode voltar a baratear os fretes para o Irã (grande comprador nacional), dinamizando os portos do Arco Norte.
  • Demanda interna aquecida – Um ponto de sustentação fundamental no mercado interno continuou a ser a gigantesca e crescente demanda das usinas de etanol de milho. Com a produção de biocombustíveis em Mato Grosso projetada para crescer 16% na temporada, as indústrias operam com margens saudáveis e fornecem grãos de forma consistente, evitando que a praça do Centro-Oeste sofra quedas ainda mais catastróficas.

 

Macroeconomia e oportunidades – No cenário macroeconômico, as recentes decisões de política monetária reforçaram a manutenção de um ambiente de crédito mais restritivo, com o Copom mantendo a taxa Selic em 14,50% ao ano diante da inflação persistente, refletida no IPCA acumulado de 4,72% em 12 meses até maio. No mercado cambial, embora o dólar tenha encerrado a semana em queda, a moeda permaneceu em patamares elevados, sustentando a competitividade da soja brasileira e amenizando os efeitos das quedas em Chicago. Acompanhe as cotações em tempo real na plataforma da Grão Direto e, ao encontrar preços que garantam uma margem positiva, aproveite para negociar seus grãos de forma 100% digital, rápida e segura.

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Comunicação Grão Direto