Diante de risco de El Niño, custos produtivos em alta e preço das commodities em queda, especialistas alertam que a definição da semente será ainda mais decisiva
A escolha das cultivares de soja para a próxima safra já começou em diversas regiões produtoras do País e, neste ano, a decisão tende a ser ainda mais estratégica para o agricultor. Com os preços das commodities pressionados, aumento nos custos de produção e probabilidade de 98% de ocorrência do El Niño no segundo semestre, segundo o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, especialistas alertam que esta definição deixou de ser apenas operacional e passou a ter impacto ainda maior nos resultados da lavoura.
De acordo com Rafael Neubauer, representante comercial da Conceito Sementes, o cenário exige do produtor uma análise técnica mais criteriosa antes da compra. “O agricultor não pode olhar apenas para o custo imediato. É fundamental escolher materiais adaptados à região, com histórico consistente de produtividade e características adequadas a cada realidade de solo e clima”, afirma.
Entre os principais pontos de atenção estão o grupo de maturação da cultivar, o zoneamento agrícola, a textura do solo, o histórico da propriedade, a resistência a doenças e nematoides, além da qualidade fisiológica da semente, como os índices de germinação e de vigor.
Critérios técnicos ganham peso na próxima safra — O grupo de maturação está diretamente ligado ao ciclo da soja e influencia o comportamento da planta em cada região produtora. Em média, as cultivares podem variar de materiais mais precoces, com cerca de 100 dias de ciclo, a variedades tardias, que podem chegar a 125 dias entre a emergência e a colheita. A escolha correta depende de fatores como a altitude, o regime de chuvas, a segunda safra e o planejamento operacional da fazenda.
Já o zoneamento agrícola serve de referência técnica para indicar quais cultivares são mais adequadas a cada microrregião do País. Além de contribuir para maior estabilidade produtiva, ele também impacta diretamente questões como acesso ao seguro rural. Outro fator determinante é a textura do solo. Em áreas mais argilosas, que retêm maior volume de água, o produtor pode trabalhar com uma faixa menor de ciclos. Já em solos arenosos, mais suscetíveis ao déficit hídrico, variedades de ciclo médio ou tardio tendem a oferecer maior segurança produtiva, especialmente em anos de instabilidade climática.
Além disso, o histórico do talhão deve ser levado em conta. A presença de nematoides, doenças ou períodos de estresse hídrico influencia diretamente a escolha da cultivar e o tratamento de sementes mais adequado. “O agricultor precisa avaliar se a cultivar foi realmente desenvolvida e validada para a realidade da sua região. Muitas vezes, uma variedade produz bem em uma área específica, mas apresenta baixa estabilidade em diferentes ambientes. O que faz diferença no longo prazo é a consistência dos resultados”, destaca o especialista.
A qualidade também ganha peso em um ano marcado por menor oferta no mercado. O excesso de chuvas nos campos de sementes reduziu a disponibilidade de lotes de alto padrão fisiológico, elevando a preocupação quanto à germinação e ao vigor. “Embora a legislação brasileira exija um mínimo de 80% de germinação para sementes certificadas, trabalhamos com valores muito superiores a esse e com alto padrão na análise de vigor a ser entregue. A semente é a base da produtividade. Não adianta investir em fertilidade, manejo e tecnologias de proteção se o agricultor começa a safra com uma cultivar mal posicionada ou de baixa qualidade fisiológica”, completa Neubauer.
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O Grupo Conceito atua em diversos segmentos no mercado agro do Sudoeste goiano, dentre eles: comercialização de insumos agrícolas, com a Conceito Agrícola; armazenagem e comercialização de grãos, com a Conceito Armazém; produção própria de grãos, com a Conceito Fazendas; e, mais recentemente, venda de sementes de soja próprias, trazendo a genética Brasmax, com a Conceito Sementes, que possui estrutura de armazenagem 100% refrigerada e logística de entrega diferenciada. Com sede em Rio Verde, o Grupo é um núcleo de conhecimentos, tecnologias, produtos e serviços que facilita a adaptação dos clientes para que prosperem em um negócio mais tecnológico e sustentável, trazendo a visão de quem também é produtor e entende as dificuldades e expectativas do campo.









