Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Cenário geopolítico. Na última semana, o mercado de soja foi marcado por grande volatilidade, influenciado principalmente pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Ao longo dos dias, o câmbio oscilou e perdeu força, atingindo patamares inferiores a R$ 5,00. Esse cenário reduziu a competitividade das exportações brasileiras, direcionando o maior volume para o mercado interno.
- Prêmios de exportação. Apesar do câmbio favorável ao exportador, os prêmios de exportação nos portos brasileiros continuaram achatados. No porto de Paranaguá, as indicações para embarques curtos permaneceram estagnadas na faixa negativa de -0,25 US$/bushel. A justificativa segue sendo o altíssimo custo do frete marítimo internacional, duramente inflacionado pela crise logística no Oriente Médio, que é repassado ao produtor.
- Colheita na reta final. Segundo a Conab, a retirada da soja superou 85% da área nacional, impulsionada pelos avanços nos estados do Matopiba e no Sul. O ritmo permanece ligeiramente abaixo da média histórica e do registrado no mesmo período do ano passado, refletindo as intempéries que marcaram o ciclo atual.
- Acordo entre China e EUA. O mercado reagiu ao avanço nas negociações entre EUA e China, com redução de tarifas e a promessa chinesa de aumentar a compra de soja americano. Isso gerou preocupação com possível queda na demanda e na liquidez da soja brasileira no mercado internacional.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de soja spot em Chicago (maio/26) encerrou a semana cotado em US$ 11,66 por bushel. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, finalizando a semana em US$ 11,66; o dólar encerrou em R$ 4,98. Esse conjunto de fatores trouxe grande volatilidade aos preços do índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que encerrou cotado em R$ 130,38 por saca.
O que esperar do mercado?
- Próximos passos. Para a semana que se inicia, o mercado tentará precificar os impactos reais da trégua comercial entre Washington e Pequim. A promessa da China de aumentar a compra de soja norte-americana para até 20 milhões de toneladas adicionais pode desacelerar o ritmo de negócios nos portos brasileiros, exigindo que o produtor não perca boas oportunidades de fixação de preços.
- Clima instável no Sul. A previsão do tempo será um fator crítico para as áreas que ainda estão colhendo, especialmente o Rio Grande do Sul. O Inmet alerta para a chegada de uma forte frente fria, com chuvas intensas, na região Sul no decorrer das próximas semanas. O excesso de umidade nesta fase ameaça diretamente a qualidade dos grãos, elevando os riscos de deterioração e de grãos ardidos.
- Exportação aquecida. Apesar dos ruídos comerciais com os EUA, as perspectivas para as exportações brasileiras permanecem positivas no curtíssimo prazo. O USDA revisou recentemente sua estimativa, apontando que o Brasil deve exportar o recorde de 115 milhões de toneladas na temporada. O fluxo de navios programado para abril indica que a demanda asiática pela soja nacional continuará forte neste mês.
- Moratória da soja. Outro ponto de extrema relevância no cenário interno será o desfecho judicial relativo à Moratória da Soja. Após a audiência de conciliação realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), as partes envolvidas têm até o dia 30 de abril para chegar a um acordo. Decisões sobre o tema poderão alterar as exigências comerciais das tradings e impactar produtores, sobretudo em Mato Grosso.

Como o mercado se comportou?
- Postura defensiva. Na última semana, o mercado de milho foi marcado por incertezas geopolíticas, que deram suporte indireto às cotações, impulsionadas pelo petróleo e pelo dólar. O plantio e as condições das lavouras da segunda safra também seguiram sendo acompanhados de perto. O cenário de irregularidade das chuvas, somado à alta nos custos dos nitrogenados e aos alertas fitossanitários, gerou uma postura mais defensiva por parte do setor.
- Plantio na reta final. Os trabalhos de campo estão praticamente concluídos no Centro-Sul, com o ritmo no Paraná e no Mato Grosso recuperando fôlego após as dificuldades de março. Embora muitas áreas tenham sido semeadas fora da janela de risco ideal, a conclusão do plantio aliviou a tensão dos produtores.
- Lavouras em estado de atenção. As lavouras semeadas começaram a sentir os primeiros golpes climáticos. Uma massa de ar quente se estabeleceu sobre partes do Sul e do Centro-Oeste, resultando em um déficit hídrico precoce para plantas em estádios vulneráveis. A ausência de chuvas no Paraná e no Mato Grosso do Sul acendeu um grave alerta sobre a ruptura do potencial produtivo.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de milho spot na BM&F (maio/26) encerrou a semana cotado em R$ 65,70. Na região do Triângulo Mineiro, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 60,90 por saca, no mercado disponível.
O que esperar do mercado?
- Mercado de clima. O fator mais decisivo para as cotações do milho nos próximos dias será o rigoroso monitoramento do clima. O Inmet prevê a continuidade de uma distribuição irregular de chuvas, com escassez severa e temperaturas acima da média, no Centro-Sul brasileiro. Se o estresse hídrico se intensificar, as perdas recentes na B3 podem ser rapidamente revertidas por altas especulativas.
- Safra norte-americana. O acompanhamento do plantio da nova safra americana também dominará as atenções globais. Com a redução drástica da área de milho nos EUA, o mercado internacional está extremamente sensível. Qualquer boletim de progresso de safra indicando que as chuvas de primavera estão atrasando o plantio no Corn Belt americano fornecerá suporte imediato aos preços em Chicago.
- Comportamento da demanda. A demanda externa e interna será um ponto-chave para a definição dos preços físicos. Internamente, o alerta de quebra na safrinha pode levar o setor de proteína animal e as indústrias a anteciparem as compras. Externamente, a guerra no Oriente Médio continuará afetando as rotas de comércio, colocando em risco as grandes vendas do cereal brasileiro para nações que dependem de passagens seguras no Golfo.
Macroeconomia e oportunidades – A volatilidade macroeconômica e as oscilações do câmbio seguem como principais vetores das negociações no curto prazo, com investidores ajustando suas posições em dólar conforme novos dados de inflação nos Estados Unidos e a perspectiva de juros elevados por mais tempo; na última sexta-feira (17/04), a moeda norte-americana encerrou próxima de R$ 5,00, refletindo o ambiente de cautela global, enquanto as incertezas envolvendo o conflito no Irã adicionam pressão e podem gerar picos de valorização da moeda, criando oportunidades para o produtor travar margens no mercado físico; nesse contexto, o cenário macro continuará determinante para o ritmo das comercializações, e, diante de margens apertadas e riscos climáticos, a recomendação é utilizar plataformas de negociação para aproveitar janelas em que o câmbio ofereça níveis mais atrativos de remuneração.
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Comunicação Grão Direto









