Conflitos e questões políticas internacionais impactaram o comércio exterior brasileiro no ano passado. Resiliência e busca por novos mercados marcaram o período.
Em análise feita pela WoodFlow, as exportações de produtos madeireiros registraram queda de 3% em volume e de 3% em valores, na comparação entre 2025 e 2024. Os dados são do portal ComexStat. Na avaliação do CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo, o ano de 2025 foi desafiador para o setor, com fatores internos e externos que influenciaram as negociações.

Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat
Entre os produtos analisados pela WoodFlow estão: madeira serrada de pinus, compensado de pinus, tora de eucalipto, madeira serrada tropical, tora de teca, compensado de eucalipto, compensado tropical, madeira serrada de teca, tora de pinus e toras tropicais.
No montante desses produtos, no ano passado foram comercializados US$ 1,6 bilhões, contra US$ 1,7 bi em 2024. A queda em volume e valores foi puxada principalmente pela política internacional dos Estados Unidos, que aplicou tarifas às importações de produtos brasileiros, e também pela incerteza gerada pelo EUDR na Europa.
Entre os mercados monitorados pela WoodFlow, os dois principais produtos foram compensado de pinus, com US$ 712,6 milhões exportados, e madeira serrada de pinus, com US$ 662,1 milhões. “O principal destino continuou sendo os Estados Unidos. Entretanto, no acompanhamento mensal, é possível observar uma redução nos volumes embarcados a partir de abril, quando foram anunciadas as tarifas recíprocas. Depois, em setembro, os embarques caíram vertiginosamente para aquele destino. Para se ter ideia, em dezembro de 2024, foram exportados US$ 45,8 milhões para os Estados Unidos, enquanto, no mesmo mês de 2025, foram apenas US$ 19,3 milhões”, destacou Gustavo.
Busca por outros mercados – O CEO da WoodFlow ainda aponta que, devido às instabilidades geopolíticas globais, se esperava uma redução ainda maior em 2025. “Porém, vimos uma retomada dos volumes nos últimos meses do ano, mesmo com a queda nas exportações para os Estados Unidos. Acredito que isso é reflexo da resiliência e da capacidade do produtor brasileiro de buscar alternativas de mercado para seus produtos”, acrescentou.
Como exemplo dessa retomada, podemos citar a madeira serrada de pinus, que teve seu auge em fevereiro, com US$ 67,3 milhões exportados, caiu para apenas US$ 42,7 milhões em agosto, mas voltou à casa dos US$ 55 milhões em dezembro. “No caso da madeira serrada de Pinus, em dezembro, há mais negociações para destinos como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, por exemplo”, apontou Gustavo.
Já o compensado de Pinus teve uma retomada a partir de novembro, quando a Europa anunciou uma possível prorrogação do EUDR, confirmada em dezembro. Os valores totais deste produto passaram de US$ 37,3 mi, em novembro, para US$ 58,6 mi, em dezembro.
Perspectivas para 2026 – Gustavo avalia que o ano que começa deve ser estratégico para muitas empresas. “2026 é o momento de olhar para processos, reduzir custos e buscar diversificação onde for possível. O ano passado foi especialmente desafiador para muitos produtos, mas o mercado se mostrou resiliente. Temos que manter nossa qualidade, reconhecida mundialmente, trabalhando com pé no chão e visando um futuro melhor”, finalizou.
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