Fenômeno climático pode ampliar diferença entre produtores que conseguem antecipar decisões e aqueles que dependem de janelas cada vez mais curtas dentro da lavoura

A possível formação do El Niño ao longo de 2026 pode trazer um efeito cada vez mais presente nas fazendas brasileiras: menos tempo para errar. Com a maior instabilidade climática, operações como plantio, aplicação e manejo fitossanitário passam a depender de intervalos mais curtos, o que aumenta o risco de atrasos, de aplicações fora do momento ideal e de perdas difíceis de recuperar ao longo do ciclo.

Segundo Rafael Mancini, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ADAMA, o desafio da próxima safra pode ir além da mera interpretação das previsões meteorológicas. “O desafio não será apenas entender a previsão climática. Será possível operar dentro das janelas corretas”, afirma. Na prática, isso significa que atividades normalmente tratadas como rotina passam a ter peso estratégico durante a safra. Em regiões com maior volume de chuva, por exemplo, a redução das janelas de trabalho no campo pode dificultar a entrada de máquinas, atrasar pulverizações, comprometer a qualidade de aplicação e aumentar o risco de intervenções fora do momento mais adequado.

“Em muitos casos, o produtor até sabe o que precisa ser feito, mas encontra dificuldade em executá-lo no momento correto. E, em um cenário mais instável, alguns dias e a escolha correta do produto podem fazer uma diferença importante no resultado final”, explica Mancini. Em sua avaliação, o El Niño tende a pressionar diretamente a capacidade de resposta operacional no campo. Isso porque o fenômeno interfere simultaneamente em diferentes etapas do manejo, desde a plantabilidade e a emergência até o residual de herbicidas, o desenvolvimento radicular, a compactação do solo, a qualidade das aplicações e a janela de colheita.

Além dos impactos operacionais, a mudança no padrão climático também altera o comportamento fitossanitário das lavouras. Em soja e milho, cenários de maior umidade e de molhamento foliar aumentam a pressão de doenças como ferrugem asiática, antracnose, cercosporiose, doenças de final de ciclo e podridões. Já em regiões mais secas, o cenário muda: plantas sob estresse tendem a apresentar pior fechamento de linhas, menor competitividade e maior vulnerabilidade a escapes de plantas daninhas e pragas, favorecidas pelo calor e pelo déficit hídrico.

Para a ADAMA, esse contexto deve acelerar uma mudança que já vinha ocorrendo no campo: produtores mais preparados tendem a ganhar vantagem em ambientes mais imprevisíveis. “Anos assim normalmente ampliam a diferença entre quem consegue antecipar decisões e quem depende de correções ao longo do ciclo”, reforça Mancini.

Segundo ele, isso envolve uma combinação de fatores que começa antes mesmo do plantio, como a escolha de cultivares mais estáveis, o posicionamento adequado de pré-emergentes, o manejo da palhada, a definição da população de plantas, a logística de aplicação e o monitoramento mais frequente da lavoura. “O clima continua sendo determinante, mas a forma como o produtor se prepara e reage ao longo do ciclo passa a ter impacto ainda maior no resultado da safra”, conclui.

A ADAMA Ltda. é uma empresa global líder na proteção de cultivos, oferecendo soluções inovadoras para agricultores no combate a plantas daninhas, insetos e doenças. A companhia possui um dos portfólios mais amplos e diversificados de ingredientes ativos do setor, apoiado por capacidades avançadas de Pesquisa & Desenvolvimento, fabricação e formulação.
Com presença em mais de 100 países, a ADAMA combina escala global com forte foco local, desenvolvendo produtos de alta qualidade e soluções customizadas, orientadas às necessidades reais dos agricultores e de seus parceiros comerciais.

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