Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Câmbio sustentou o mercado interno. No cenário doméstico, a forte valorização do dólar ao longo da semana trouxe sustentação aos preços da soja no Brasil. A moeda norte-americana encerrou a sexta-feira próximo a R$ 5,07, atingindo o maior nível desde o início de abril. Esse movimento ajudou a proteger as cotações em reais, amenizando, assim, os impactos das quedas no mercado internacional.
- WASDE trouxe projeções recordes. O relatório de Oferta e Demanda do USDA apresentou as primeiras estimativas para a safra 2026/27, projetando produção brasileira recorde de 186 milhões de toneladas. Já a safra norte-americana foi estimada em 120,7 milhões de toneladas. O cenário de ampla oferta global reforçou o sentimento baixista entre os investidores da Bolsa de Chicago.
- Cúpula EUA-China. A cúpula diplomática entre Donald Trump e Xi Jinping terminou sem anúncios relevantes de novas compras de soja norte-americana pela China. A ausência de acordos mais robustos reforçou a percepção de que os chineses devem seguir dependentes da oferta sul-americana nos próximos meses.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, a semana foi de forte pressão negativa para a soja na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de soja spot em Chicago (jul/26) encerrou a semana cotado a US$ 11,77 por bushel, com queda de 2,40%. O contrato março/27 seguiu em direção contrária, apresentando uma leve alta de 0,67%, fechando a US$ 12,04 por bushel. AS cotações de Chicago pressionaram o índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que teve queda de 2,40% na semana, encerrando cotado a R$ 134,67 por saca.
O que esperar do mercado?
- Safra norte-americana. As cotações em Chicago nesta terceira semana de maio serão estritamente guiadas pelo relatório de “Crop Progress” (Progresso de Safra) do USDA. A semeadura nos Estados Unidos avança bem, com alguns estados-chave atingindo mais de 49% da área semeada. Porém os mapas meteorológicos indicam o risco de frio atípico em partes do Corn Belt. Caso o plantio norte-americano comece a travar em função das baixas temperaturas, os fundos poderão retomar as compras e adicionar um prêmio de risco momentâneo na Bolsa.
- Clima segue no radar. No Brasil, as condições climáticas trarão as últimas definições logísticas da safra atual. O Inmet aponta a chegada de uma forte massa de ar frio que deve provocar quedas drásticas de temperatura e chuvas no Sul do Brasil, afetando os produtores que ainda tentam finalizar suas colheitas. As fazendas gaúchas que ainda possuem grãos no campo precisam agir com agilidade antes do encharcamento da área.
- Fretes e logística continuam pressionados. O mercado também precisará digerir os altos custos e perigos do frete transoceânico. Com as forças armadas do Irã mantendo manobras agressivas e a paralisação do fluxo no Estreito de Ormuz, as tradings terão que lidar com o encarecimento ininterrupto dos seguros marítimos. Consequentemente, não há qualquer perspectiva de que os prêmios portuários no Brasil se recuperem ou voltem a patamares atrativos de forma rápida.
- Custos de produção preocupam. A estrutura de custos de produção passará por novas turbulências graças aos desdobramentos de guerra. O bloqueio dos petroleiros e os conflitos crônicos envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Estreito de Ormuz retiram qualquer oportunidade de barateamento dos fretes e fertilizantes importados. A tendência aponta para mais dificuldades operacionais e inflação na ureia no próximo trimestre.

Como o mercado se comportou?
- Conab confirmou perdas na safrinha. O 8º levantamento de Safra da Conab consolidou as preocupações com a segunda safra brasileira de milho. O órgão reduziu as projeções de produção diante da irregularidade das chuvas em importantes regiões produtoras, especialmente Goiás e Mato Grosso do Sul. Esse cenário reforça a expectativa de menor potencial produtivo da safrinha, oferecendo suporte aos preços no mercado interno.
- Menor safra dos EUA sustentou Chicago. O relatório WASDE do USDA trouxe ajustes relevantes para a safra norte-americana de milho, com redução nas estimativas de produção para 2026/27. O corte refletiu a retração da área plantada nos Estado Unidos e ajudou a limitar perdas mais intensas nos contratos futuros da Bolsa de Chicago ao longo da semana.
- Impactos climáticos na safrinha. No Brasil, o mercado climático seguiu no radar dos investidores. Apesar da melhora pontual das chuvas em regiões como Paraná e Mato Grosso do Sul, os volumes foram considerados tardios para parte das lavouras já afetadas pelo estresse hídrico. Com isso, permanecem as preocupações em relação ao potencial produtivo da segunda safra.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com queda de 3,40% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência seguiu na mesma direção, fechando a R$ 66,80 por saca (-3,40%) na semana. O mercado físico se descolou da bolsa e, na região de Noroeste de Minas, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 54,37 por saca, no mercado disponível.
O que esperar do mercado?
- Clima continuará comandando a safrinha. As oscilações do milho safrinha continuarão ditadas pelas intempéries em um mês de extrema transição. O Inmet adverte para a ocorrência de fortes contrastes, com risco agudo de geadas que podem atingir o sul do Paraná devido a uma potente frente fria. Ao mesmo tempo, o bloqueio do clima seco e o calor abrasador seguirão destruindo áreas vitais e mais tardias em Goiás e no Centro-Oeste, impondo risco contínuo à produtividade.
- Safra norte-americana no foco. Globalmente, a direção da Bolsa de Chicago será guiada de perto pelas atualizações de plantio norte-americano. Com uma área menor estipulada para os EUA neste ciclo, o mercado passará a monitorar de forma extremamente sensível o Crop Progress. Se os mapas continuarem indicando geadas nas lavouras americanas recém-semeadas ao norte, as cotações poderão ganhar um imediato solavanco altista.
- Exportações entram em alerta. Pelo lado das negociações de escoamento, o próprio Irã tornou-se um alerta de duplo viés para a liquidez nacional. Sendo um dos mais fiéis clientes do milho brasileiro, há um temor de que novos bombardeios ou sanções prejudiquem a chegada dos nossos navios na região. Qualquer interrupção no corredor do Golfo Pérsico obrigaria o Brasil a manter volumes colossais no mercado doméstico, pressionando os preços.
- Etanol de milho segue sustentando preços. A demanda firme das usinas de etanol no Centro-Oeste continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado físico brasileiro. O aumento dos preços internacionais do petróleo mantém o biocombustível competitivo, incentivando as indústrias a permanecerem ativas na originação do cereal.
Macroeconomia e oportunidades –
O cenário macroeconômico segue marcado pela valorização do dólar frente ao real, impulsionada pelas projeções mais elevadas de inflação no Brasil e pela expectativa de manutenção dos juros em patamares elevados. Segundo o último Boletim Focus, o IPCA projetado para 2026 atingiu 4,92%, acima do teto da meta, enquanto a Selic foi estimada em 13,25%.
Esse ambiente fortalece a atratividade da moeda americana e mantém o câmbio como principal ferramenta de sustentação para os preços agrícolas no Brasil. Diante desse cenário, é fundamental que o produtor acompanhe atentamente as oscilações do mercado e suas margens de rentabilidade.
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Comunicação Grão Direto









