Relatório trimestral da StoneX mostra inflexão nas expectativas, com energia no epicentro e efeitos em fertilizantes, câmbio e alimentos
A escalada da guerra entre EUA, Israel e Irã não apenas acrescentou mais uma camada de complexidade aos mercados financeiros e de commodities que já operavam sob elevada imprevisibilidade, mas também redefiniu o mapa de riscos para este trimestre. Este é o ‘pano de fundo’ da 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, lançado nesta terça-feira (14): a volta do risco como variável central, com transbordamentos que conectam geopolítica, energia, logística, custos de produção e, por fim, preços de matérias-primas e de alimentos. O relatório pode ser baixado gratuitamente aqui.
De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, a combinação entre tensões comerciais, escalada militar no Oriente Médio e ruídos macroeconômicos redesenhou os fundamentos de oferta e demanda, elevando a volatilidade em diferentes mercados. Desde abril de 2025, a economia global passou a conviver com uma política comercial mais incisiva e imprevisível dos Estados Unidos, que contribuiu para rearranjos nas relações internacionais e nas cadeias de suprimento, elevando os custos de produção e gerando impactos heterogêneos entre os setores. Paralelamente, o conflito no Oriente Médio extrapolava as fronteiras de Gaza e converteu-se, mais recentemente, em uma guerra aberta envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã, com ataques devastadores ao Líbano e a outros alvos na região, incluindo instalações petrolíferas e siderúrgicas.
Nesse contexto, o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde transitam cerca de 20% da oferta global de petróleo e de GNL e parte expressiva das exportações de fertilizantes do Golfo Pérsico, desencadeou choques severos na oferta de energia, na logística marítima e nos custos de produção agrícola ao redor do mundo. O cessar-fogo de duas semanas, anunciado em 8 de abril, trouxe algum alívio imediato, mas o relatório observa que o acordo permanece frágil, o que limita as expectativas de uma resolução rápida do conflito e de uma reabertura efetiva do Estreito e da normalização da navegação.
“O segundo trimestre de 2026 começa com uma mudança estrutural de premissas: o choque geopolítico não afeta apenas o petróleo; ele se espalha por fretes, fertilizantes, custos industriais e, no limite, por preços de alimentos. Isso recoloca a gestão de risco no centro das decisões e exige leitura integrada dos complexos de commodities”, afirma Vitor Andrioli (foto), gerente de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil.
Andrioli ressalta que esses choques se somam a um ambiente macroeconômico já marcado por incertezas relevantes. As preocupações com a independência do Federal Reserve, que ganham tração com a aproximação do encerramento do mandato de Jerome Powell em maio e com a expectativa de um sucessor mais alinhado à Casa Branca, acrescentam uma dimensão adicional de risco aos mercados globais de câmbio e de renda fixa. Para o Brasil, em ano eleitoral e com vulnerabilidades fiscais próprias, a leitura do relatório é de que esse conjunto de fatores pode ampliar a volatilidade cambial e tornar ainda mais desafiadora a gestão de riscos nas cadeias de commodities.
“Quando a incerteza se espalha por juros, câmbio e energia ao mesmo tempo, o efeito sobre margens e decisões de compra e venda é imediato. Para o Brasil, o cenário exige ainda mais disciplina em estratégia comercial, hedge e planejamento”, complementa Andrioli.
Um breve olhar sobre as commodities – No complexo de grãos, o início do plantio no Hemisfério Norte coloca o clima dos Estados Unidos no centro da formação de preços, mas agora sob a conjuntura de custos mais elevados. A alta de energia e de fertilizantes sustenta as cotações, ao mesmo tempo em que pressiona as margens dos produtores. Já no mercado de fertilizantes, o que tradicionalmente seria uma janela de compras mais favorável no segundo trimestre passa a conviver com riscos relevantes de oferta e de encarecimento logístico, diretamente influenciados pela instabilidade no Golfo.
Para as commodities energéticas, o componente geopolítico permanece como força dominante de curto prazo. As consequências da guerra sobre a capacidade produtiva e as rotas comerciais dificilmente serão dissipadas rapidamente, mantendo o mercado sensível a qualquer novo desdobramento. “Mesmo em cenários de trégua, os efeitos estruturais sobre a logística e os custos tendem a persistir, prolongando as restrições de oferta”, destaca Andrioli.
Entre as soft commodities, Andrioli destaca que o algodão caminha para um rebalanceamento, com redução da sobreoferta, enquanto o café pode enfrentar pressão adicional com a entrada da safra brasileira, em um ano de bienalidade positiva. No cacau, a recomposição da oferta global, especialmente na África Ocidental, sugere continuidade na trajetória de acomodação de preços.
Nos metais, o início do ano trouxe sinais mistos. A restrição de oferta sustenta parte das cotações dos metais de base, mas o ambiente de política monetária mais apertada e a busca global por liquidez em dólar, intensificada pelo conflito, contribuíram para a recente correção nos preços de ouro e prata.
Em relação ao câmbio, o real brasileiro tem demonstrado resiliência, apoiado pela posição exportadora líquida de petróleo do país. “Ainda assim, a moeda permanece exposta à combinação entre o diferencial de juros, a dinâmica eleitoral doméstica e a evolução do conflito no Oriente Médio, fatores que devem compor a conjuntura do par real/dólar nos próximos meses”, finaliza Andrioli.
Serviço – Produzido desde 2015 pela Inteligência de Mercado StoneX, com insights elaborados por analistas do Brasil, em parceria com analistas no Reino Unido, no Paraguai, na Argentina, na China e nos Estados Unidos, o Relatório Trimestral de Commodities traz análises objetivas e de abrangência global, destacando fatores que podem influenciar, no curto prazo, os mercados de produtos agrícolas, energia, metais e moedas emergentes. A publicação reflete a amplitude da cobertura global da StoneX e as capacidades da área de Inteligência de Mercado para apoiar decisões estratégicas com informação relevante e acionável.
Acesso aqui: 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX
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A StoneX é uma empresa global e centenária de serviços financeiros customizados, com presença em mais de 80 escritórios em todo o mundo, conectando mais de 480 mil clientes em 180 países. No Brasil, atua em estratégias de gestão de riscos, banco de câmbio, inteligência de mercado, corretagem, mercado de capitais de dívida, fusões e aquisições, investimentos, trading e consultoria em soluções sustentáveis.









