Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Leve alta ao longo da semana – O mercado da soja apresentou leve viés de alta, sustentado principalmente pela força dos derivados. Tanto o farelo quanto o óleo de soja tiveram papel central, puxando o complexo em Chicago, com destaque para o óleo, que seguiu beneficiado pela demanda por biocombustíveis. Esse movimento ajudou a compensar pressões externas, como a queda do petróleo em alguns momentos e a volatilidade ligada ao cenário geopolítico.
- Avanço da colheita no Brasil – Ao mesmo tempo, os fundamentos trouxeram um contraponto relevante. O avanço da colheita aumentou a oferta física, pressionou os prêmios nos portos e limitou movimentos mais fortes de alta. Esse cenário, combinado com oscilações no petróleo, especialmente após o cessar-fogo temporário no Oriente Médio, gerou um ambiente de preços mais contidos, mesmo com suporte externo em determinados dias.
- Demanda chinesa – No cenário global, o mercado seguiu atento à demanda chinesa, que continuou firme, e aos desdobramentos do relatório do USDA, que trouxe poucas mudanças, mantendo o equilíbrio geral. A menor oferta de farelo na Argentina e a demanda consistente dos EUA reforçaram o suporte ao grão, enquanto o foco começou a migrar gradualmente para a safra americana e condições climáticas, mantendo a soja em um ambiente de sustentação, porém sem grandes avanços.
O que esperar do mercado?
- De olho no mercado – Para esta semana, a atenção se volta para os dados de esmagamento de soja nos EUA, previstos para quarta-feira, que servirão como termômetro da demanda interna norte-americana. Além disso, o mercado monitorará o ritmo final de colheita no Rio Grande do Sul e Matopiba, buscando sinais de qualquer quebra qualitativa residual decorrente do clima irregular das últimas semanas.
- Formação de preços – A continuidade de um real forte poderá manter os preços domésticos lateralizados ou em baixa, forçando o produtor a aguardar janelas de oportunidade no câmbio ou melhora nos prêmios portuários, que seguem pressionados pelo volume massivo da safra recorde entrando no mercado. Vale lembrar que, em Chicago, as cotações estão acima do que rodou todo o ano de 2025, por exemplo, o que atribui a suporte dos preços no mercado físico ao prêmio e ao câmbio, fatores chave para oportunidades pontuais.
- Próximos passos – Em se tratando de oportunidades pontuais, o produtor deve ficar alerta ao início do vazio sanitário e ao calendário de semeadura da próxima safra (2026/27). O planejamento antecipado de custos de produção será vital, dado que a volatilidade dos insumos e as taxas de juros elevadas continuam a comprimir as margens líquidas mesmo em um ano de produtividade elevada.

Como o mercado se comportou?
- Semana pressionada – O mercado de milho teve uma semana mais pressionada, especialmente no Brasil, refletindo um cenário de oferta mais confortável e fatores climáticos mistos. Apesar das preocupações iniciais com o clima, como calor e baixa umidade no Centro-Sul, que poderiam afetar a produtividade da safrinha, a ocorrência de chuvas em momentos-chave trouxe alívio e ajudou a reduzir parte do risco produtivo.
- Fatores macroeconômicos e cambiais – Além disso, o milho foi impactado por esses fatores. A valorização do dólar e a dinâmica interna brasileira contribuíram para manter os preços pressionados, reforçando a desconexão entre o mercado doméstico e alguns vetores externos. O relatório do USDA, com poucas mudanças relevantes, não trouxe suporte adicional significativo para o grão.
- Safra argentina no radar – No cenário internacional, a pressão aumentou com a revisão positiva da safra argentina, que elevou a estimativa de produção e ampliou a oferta global. Esse fator pesou diretamente sobre Chicago, reforçando o viés baixista da semana. Assim, mesmo com pontos de atenção no clima brasileiro, o milho encerrou o período com predominância de pressão nos preços e um mercado mais cauteloso.
No Brasil, o contrato da B3 fechou a R$70,34 por saca -4,65% na semana. O mercado físico seguiu na mesma direção.
O que esperar do mercado?
- Safrinha em foco – A perspectiva para esta semana é de um mercado de milho focado no comportamento das chuvas no Centro-Sul brasileiro. A consolidação da produtividade da safrinha dependerá de precipitações regulares até o mês de maio. Caso a estiagem persistir nas áreas sob alerta (PR e sul de MS), poderemos observar a introdução de um prêmio de risco nas cotações da B3 para os vencimentos de julho e setembro.
- Exportação de milho – No front internacional, o mercado monitorará o progresso inicial do plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos. Dados de intenção de plantio do USDA sugerem um ajuste de área em favor da soja, o que pode oferecer algum suporte técnico ao milho em Chicago no médio prazo se os trabalhos de campo sofrerem atrasos por excesso de umidade no Corn Belt norte-americano.
- Agenda da semana – A agenda doméstica destaca a divulgação do Levantamento de Safra da Conab, que trará dados atualizados sobre a área e produtividade do milho em todos os ciclos. Qualquer revisão negativa significativa na safrinha devido ao estresse hídrico regional será um forte catalisador para movimentações nos preços futuros e na postura de comercialização do produtor.
Macroeconomia e oportunidades – O cenário macroeconômico global apresentou um alívio significativo com a trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã, levando o dólar a recuar 2,88% na semana e fechar a R$ 5,01, o menor valor desde o primeiro semestre de 2024. No Brasil, o IPCA de março acelerou para 0,88%, ficando acima das expectativas e reforçando a tese de que o Banco Central manterá taxas de juros elevadas por mais tempo para conter pressões inflacionárias. Essa combinação de dólar baixo e juros altos atrai capital estrangeiro, mas desafia a competitividade das exportações de grãos, que perdem valor nominal em reais. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção.
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Comunicação Grão Direto









