Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias

Como o mercado se comportou?

  • Relatório USDA – O principal fator de movimento no mercado da soja na última semana foi a divulgação do relatório Prospective Plantings (Intenção de Plantio) do USDA, no dia 31 de março. O órgão surpreendeu ao estimar a área plantada dos Estados Unidos em 84,7 milhões de acres para a safra 2026/27. Esse número ficou abaixo das expectativas do mercado e das indicações divulgadas anteriormente.
  • Colheita na reta final – No campo, a colheita da safra brasileira de soja 2025/26 avançou consideravelmente até o final de março, segundo dados da Conab. Embora o índice esteja ligeiramente à frente da média dos últimos cinco anos, revela um atraso em comparação ao mesmo período do ano passado, o que evidencia as dificuldades impostas pelo clima irregular ao longo do ciclo.
  • Exportações aquecidas – Pelo lado da demanda, o Brasil registrou um forte ritmo de escoamento para superar os atrasos logísticos de fevereiro. Impulsionadas pelo forte apetite asiático, as programações dos portos indicaram que as exportações brasileiras de soja atingiram um recorde em março.De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o contrato de soja spot em Chicago (maio/26) encerrou a semana cotado em US$ 11,63 por bushel, com leve alta de 0,35%. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, apresentando uma alta de 0,78%; no câmbio, o dólar encerrou em R$ 5,16, com uma baixa significativa de 1,53%. Esse conjunto de fatores trouxe bastante volatilidade aos preços do índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que teve leve avanço de 0,17% na semana, encerrando cotado em R$ 133,53 por saca.

 

O que esperar do mercado?

  • Relatório de Oferta e Demanda – O grande destaque da semana será a divulgação do novo relatório Mundial de Oferta e Demanda (WASDE) do USDA, agendado para o dia 09 de abril. O mercado aguarda ansiosamente para ver se a agência americana fará cortes na estimativa da safra brasileira, que foi mantida em 180 milhões de toneladas na leitura do mês passado, ignorando parte das perdas no Rio Grande do Sul. Além disso, investidores buscarão atualizações sobre os estoques finais globais e sobre a projeção de importações da China, estimada em 112 milhões de toneladas no último relatório.
  • Mercado climático à vista – Com as intenções de plantio dos Estados Unidos já definidas pelo USDA, o mercado internacional passará a precificar diariamente o clima no Meio-Oeste norte-americano. O mês de abril marca o início efetivo dos trabalhos de campo nos EUA, e qualquer previsão de excesso de chuvas ou de frio tardio que atrase o ritmo das plantadeiras poderá adicionar novos e rápidos prêmios de risco às cotações em Chicago.
  • Colheita na reta final – No Brasil, o clima de abril será decisivo para o encerramento e para a qualidade da safra. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta um padrão de chuvas abaixo da média histórica para a Região Sul e para partes do Centro-Oeste. Se, por um lado, o tempo seco favorece o avanço final das colheitadeiras, por outro, penaliza severamente as lavouras mais tardias que ainda dependem de umidade no solo para a fase de enchimento de grãos.
  • Geopolítica no radar – O cenário geopolítico seguirá exigindo monitoramento constante de tradings e produtores, com atenção especial à cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, que pode indicar se a China aumentará as compras de soja dos EUA ou manterá sua dependência do Brasil diante das incertezas tarifárias. Ao mesmo tempo, a escalada no Oriente Médio, com riscos no Estreito de Ormuz, elevou o petróleo em cerca de 30%, pressionando os custos de frete e mantendo os prêmios de exportação brasileiros sob viés negativo ao longo da semana.

 

Como o mercado se comportou? 

  • Relatório USDA – O mercado internacional do milho também reagiu à divulgação dos números do relatório do USDA, publicado na terça-feira (31/03). A agência confirmou uma redução significativa na área plantada nos Estados Unidos, reforçando, assim, a perspectiva de menor oferta. Esse cenário trouxe um viés positivo aos preços, sustentando os contratos na Bolsa de Chicago, com o vencimento em maio/26 demonstrando resiliência.
  • Plantio do milho – A segunda safra de milho já está na reta final, com 96% da área no Centro-Sul do país, segundo a Conab. Ainda que o plantio tenha ganhado ritmo recentemente, o atraso da soja teve forte influência, resultando em uma parcela muito grande de lavouras cultivadas fora da janela de zoneamento agrícola ideal.
  • Clima do Radar – Com o milho já no campo, os impactos climáticos começaram a ser precificados. Diversas regiões produtoras, especialmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul, passaram a registrar fortes períodos de estiagem combinados com calor atípico. Essa falta de chuva logo no estabelecimento inicial da cultura elevou os alertas de perda de produtividade.De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com uma leve queda expressiva de 2,16%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 71,60 por saca (+1,79%) na semana. Esse cenário impulsionou as cotações. A alta na B3 se refletiu no mercado físico em várias regiões do Brasil, porém de forma mais tímida. Na região do Triângulo Mineiro, as cotações encerraram a semana com referência de R$ 65,12 por saca (0,76%), no mercado disponível.

 

O que esperar do mercado?

  • Relatório de Oferta e Demanda – Para o milho, o foco do início da semana recai totalmente no relatório WASDE (Oferta e Demanda) de 09 de abril. O mercado espera que o USDA comece a refletir o drástico corte de área norte-americana (estimada em 94 milhões de acres) nos seus balanços de médio prazo, o que pode apertar a projeção dos estoques finais dos EUA. Qualquer sinal de redução das reservas globais de cereais atuará como um gatilho altista e dará forte suporte às cotações internacionais.
  • Volatilidade climática – O prêmio de risco climático será o motor absoluto e inquestionável dos preços do milho na B3 nas próximas semanas. O Inmet prevê que o mês de abril será marcado por chuvas abaixo da média e por temperaturas significativamente acima do padrão no Centro-Sul brasileiro. Essa anomalia climática pode causar estresse hídrico irreversível nas lavouras durante suas fases mais críticas, o que alavancaria os preços domésticos.
  • Demanda interna aquecida – Pelo lado da demanda, a cada vez maior ameaça de quebra na safrinha deve intensificar a disputa interna pelo grão físico disponível. Indústrias de etanol de milho e o robusto setor de proteína animal, que historicamente alongam seus estoques nesta época do ano, poderão adotar uma postura de compra mais agressiva para evitar o desabastecimento no segundo semestre, dando firmeza às praças do interior.
  • Incertezas na demanda externa – As exportações também passam por um teste de resiliência geopolítica. O Irã consolidou-se como um dos maiores destinos do milho brasileiro. Com a escalada da guerra e o fechamento de rotas navais, há risco iminente de que embarques sejam travados ou cancelados, o que poderia represá volumes significativos de milho no mercado interno e gerar distorções locais de preço.

 

Macroeconomia e oportunidades –A agenda econômica da segunda semana de abril deve ser o principal fator de volatilidade no câmbio. Nos Estados Unidos, a divulgação do CPI (inflação ao consumidor) será determinante para orientar as decisões do Federal Reserve sobre juros, influenciando diretamente a força do dólar no cenário global. No Brasil, o foco estará no IPCA de março, que pode alterar a precificação da curva de juros do Copom e gerar movimentos mais bruscos no câmbio, reforçando a importância de estratégias de comercialização em momentos de valorização da moeda americana. Em um ambiente de margens mais apertadas, aproveitar os momentos de alta do dólar se torna fundamental para garantir melhores resultados nas vendas antecipadas. Ao mesmo tempo, os custos de produção seguem como ponto de atenção, especialmente no mercado de fertilizantes, onde as tensões no Oriente Médio e possíveis restrições no Estreito de Ormuz elevam o risco de aumento nos preços da ureia e dos fosfatados, insumos essenciais para o Brasil.

A Grão Direto é a plataforma líder na comercialização digital de grãos na América Latina, atendendo milhares de agricultores e compradores, como fábricas de ração, cooperativas, tradings, armazéns, corretores, confinamento de gado, granjas, entre outros. A plataforma pode atuar tanto em negociações no mercado spot quanto no mercado a termo/futuro e em operações de barter, que envolvem a troca de insumos por parte futura da produção. Para ter acesso aos serviços, agricultores e compradores do Brasil podem baixar o aplicativo gratuitamente em seus dispositivos móveis ou se conectar por meio de computadores. Com o aplicativo, os usuários têm acesso a vários serviços e ao suporte da Grão Direto. Além disso, a empresa oferece soluções personalizadas aos seus clientes corporativos, apoiando-os em suas transformações digitais. Esses serviços incluem inteligência de mercado, digitalização da base de fornecedores, gestão de documentos e contratos digitais, ferramentas de precificação de grãos em tempo real, produtos e serviços financeiros e integração com soluções de compliance social e ambiental (ESG). Tudo para tornar o comércio de grãos mais eficiente, moderno e sustentável. A plataforma possui diversos reconhecimentos nacionais e internacionais e mantém um acordo de colaboração inédito no mundo com a Bolsa de Chicago (CME Group). 

Comunicação Grão Direto