Com práticas regenerativas e metas de descarbonização, CJ Selecta mostra que cadeia da soja busca reduzir emissões, fortalecer a resiliência no campo e mudar a percepção internacional sobre o produto brasileiro
A soja brasileira entra em uma nova fase de posicionamento internacional impulsionada pela adoção de práticas de agricultura regenerativa e pela busca por cadeias produtivas com menor pegada de carbono. A estratégia tem sido adotada por empresas do setor para demonstrar que o grão, frequentemente associado a emissões e desmatamento no debate global, também pode integrar soluções climáticas.
“Estamos em uma nova era, a era da regeneração da soja”, declara a head de ESG e Comunicação da CJ Selecta, Patrícia Sugui (foto). Segundo ela, o avanço de práticas agrícolas voltadas à saúde do solo e à redução de emissões abre espaço para reposicionar a produção brasileira no mercado global de proteínas vegetais.
Para Sugui, a mudança também responde a um desafio reputacional enfrentado pela soja brasileira no exterior. “Quando pensamos no setor de proteínas vegetais, a soja do Brasil ainda carrega uma imagem negativa, muitas vezes associada a altas emissões. O que queremos mostrar é que isso não representa todos os casos”, pontua.
Entre as técnicas associadas à agricultura regenerativa estão o plantio direto, a rotação de culturas, o uso de plantas de cobertura e a ampliação do emprego de insumos biológicos. Essas medidas contribuem para melhorar a saúde do solo, aumentar a retenção de carbono e reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos e de combustíveis fósseis.
Derivados do grão desempenham um papel relevante nas cadeias produtivas globais. Um exemplo é o SPC – concentrado proteico de soja, utilizado como fonte de proteína na alimentação animal, especialmente na aquicultura. “Esse ingrediente é hoje uma ferramenta importante nas dietas desse segmento. Nosso compromisso é fornecer um produto de baixa emissão para essa indústria”, ressalta Sugui.
A executiva acrescenta que a adoção de práticas regenerativas tem potencial para reduzir significativamente as emissões associadas à produção agrícola. “Quando aplicamos essas práticas, conseguimos reduzir a aplicação de fertilizantes nitrogenados e de outros insumos sintéticos, ao mesmo tempo em que ampliamos a capacidade de retenção de carbono no solo”, observa.
Transparência nas emissões – Desde 2018, a empresa trabalha na elaboração de relatórios de pegada de carbono com dados auditados e comparáveis internacionalmente. A versão mais recente do estudo passou a seguir a metodologia europeia Product Environmental Footprint (PEF), utilizada para medir as emissões associadas a ingredientes destinados à alimentação animal.
A adoção desse padrão busca enfrentar um problema recorrente nas discussões internacionais: a comparação entre produtos avaliados com metodologias distintas. “O que vemos em muitos congressos é quase uma competição de números, calculados com base em premissas distintas. Muitas vezes não está claro quais etapas da cadeia estão sendo consideradas”, comenta a executiva, ao destacar que o objetivo da companhia é “trazer transparência e mostrar que os dados foram verificados, auditados e seguem uma metodologia reconhecida”.
De acordo com o levantamento da empresa, a pegada de carbono do produto analisado é de 0,617 quilo de CO₂ por quilo produzido. A análise, assegurada por empresa de terceiros, indica que cerca de 81% das emissões estão concentradas na etapa agrícola, enquanto a fase industrial responde por aproximadamente 19%.
Mesmo com resultados considerados positivos, a empresa afirma que a estratégia é continuar avançando na redução dos impactos. “Embora nosso número já seja baixo, não estamos satisfeitos. Sempre existe espaço para melhorar”, frisa Patrícia Sugui.
Outro fator considerado no cálculo das emissões envolve mudanças no uso da terra, como desmatamento e conversões ocorridas nas últimas décadas. Segundo a companhia, a operação atual baseia-se em cadeias livres de desmatamento e de conversão, o que tende a reduzir gradualmente esse fator nos indicadores futuros.
Da lavoura à cadeia global – Para ampliar a adoção de práticas regenerativas, a empresa lançou, em 2024, o programa Renova Terra, uma iniciativa voltada a incentivar produtores a adotar modelos agrícolas com maior retenção de carbono no solo e menor dependência de insumos sintéticos.
“Queremos que esse projeto ganhe escala em outros elos da cadeia, não apenas no óleo de soja destinado à indústria de alimentos, mas também em derivados como o concentrado proteico”, afirma a executiva.
Sugui argumenta que a transição para esse modelo produtivo depende da participação de diversos atores do setor. “O produtor não consegue fazer essa mudança sozinho. É necessário um esforço conjunto, pois as metas climáticas exigem rapidez.”
Além de reduzir emissões, sistemas regenerativos também podem fortalecer a resiliência das propriedades rurais diante de eventos climáticos extremos. “Quando o solo tem vida e os sistemas estão mais equilibrados, os fornecedores se tornam mais preparados para enfrentar as variações do clima”, salienta.
O avanço dessas iniciativas também traz um novo desafio para o setor: garantir a credibilidade das promessas ambientais. “Há uma preocupação crescente com o greenwashing e, mais recentemente, com o chamado ‘regen washing’”. Por isso, programas de agricultura regenerativa precisam ter indicadores claros, metas definidas e relatórios transparentes”, conclui.
O tema foi debatido recentemente durante a participação de Sugui no NASF – North Atlantic Seafood Forum, evento global da indústria da aquicultura, realizado em Bergen, na Noruega, no qual foram apresentados exemplos de como a soja regenerativa produzida no Brasil pode contribuir para cadeias alimentares mais sustentáveis.
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Desde 1984, a CJ Selecta, companhia que faz parte da CJ Bio Division do grupo coreano CJ, atua pioneiramente na fabricação de produtos derivados de soja para diversos segmentos. Com sede em Uberlândia (MG), unidade industrial em Araguari (MG) e várias filiais espalhadas pelo Brasil, a companhia é hoje uma das maiores exportadoras de Concentrado de Proteína de Soja (SPC, na sigla em inglês soy protein concentrate), com fontes de soja transgênica e não transgênica. Em 2019, a CJ Selecta iniciou a produção de fertilizantes especiais e soluções para nutrição de plantas, com foco em produtividade e sustentabilidade, integrando tecnologia e conhecimento técnico para oferecer soluções que ajudam produtores a alcançar alta performance de forma ambientalmente responsável.





