Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Escalada do conflito – O mercado da soja foi fortemente influenciado pelas tensões no Oriente Médio. A escalada do conflito e os bloqueios no Estreito de Ormuz fizeram o petróleo disparar na semana, o que puxou fortemente as cotações do óleo de soja e do grão na Bolsa de Chicago (CBOT), superando o peso da oferta sul-americana.
- Colheita em ritmo lento – No campo, a colheita avança a um ritmo mais lento do que o habitual no país. As chuvas no Centro-Oeste têm dificultado a entrada das máquinas nas lavouras, enquanto o Rio Grande do Sul ainda contabiliza as perdas causadas pelo calor extremo e pela falta de chuva.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, os contratos de soja para maio/26 registraram alta e encerraram próximos de US$ 11,85 por bushel. No Brasil, o clima de aversão ao risco global impulsionou o dólar, que saltou para a casa dos R$ 5,24 no fechamento de sexta-feira.
No mercado físico, os preços da soja registraram valorização em praticamente todas as regiões do país. Para entrega em Santos, a alta foi de cerca de R$ 1,60 por saca (+1,20%), levando a cotação para aproximadamente R$ 129,60.
O que esperar do mercado?
- Relatório de Oferta e Demanda – A semana será fortemente marcada pela divulgação do relatório WASDE do USDA, na terça-feira (10). O mercado projeta possíveis cortes nas estimativas das safras do Brasil e da Argentina, além de uma redução nos estoques finais norte-americanos, o que tem potencial para gerar grande volatilidade em Chicago. Além disso, o relatório apresentará os primeiros números da Safra 2026/27 dos EUA.
- Clima no radar – O clima no Brasil apresenta fortes contrastes no início de março. As previsões meteorológicas indicam que as regiões Norte e Nordeste devem receber volumes de chuva acima da média, o que favorece a umidade do solo, mas exige atenção operacional. Em contrapartida, o Sul do país enfrenta uma preocupante previsão de tempo mais seco, com precipitações abaixo do padrão histórico. No Centro-Sul, as chuvas intensas e irregulares das últimas semanas atrasaram a retirada da soja e vêm encurtando o calendário ideal de semeadura do milho de segunda safra.
- Conflito entre EUA e Irã – No cenário geopolítico, a guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã atingiu uma fase crítica, marcada por bombardeios massivos e coordenados contra a infraestrutura militar em Teerã. Essa escalada bélica
resultou no bloqueio prático do Estreito de Ormuz, uma “garganta” marítima por onde transita cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás. Diante desse cenário, como consequência direta do pânico logístico e da ameaça à oferta, as cotações do petróleo podem continuar em disparada, o que acende um alerta vermelho para o agronegócio mundial devido à inevitável inflação nos custos de fretes, combustíveis e fertilizantes importados, além de acarretar mudanças nos fluxos de comércio. - Pressão nos prêmios – Os prêmios de exportação nos portos brasileiros devem continuar a ser pressionados. Isso pode ser explicado pela abundante chegada de grãos da colheita brasileira, pela valorização do dólar frente ao real e pelas tensões no Oriente Médio, que elevaram os custos de frete e seguro marítimo devido aos riscos logísticos no Estreito de Ormuz. Isso tem encarecido drasticamente os fretes marítimos e os seguros internacionais, forçando os importadores a reduzir os prêmios pagos pela commodity diretamente nos portos do Brasil.

Como o mercado se comportou?
- Petróleo puxando cotações – O milho teve uma semana de fortes ganhos, com os contratos da B3 registrando altas. O principal motor foi a disparada do dólar frente ao real e a alta do petróleo, cenário que fortalece a competitividade do etanol e puxa o cereal para o mercado internacional.
- Plantio atrasado – O plantio da safrinha avançou no Brasil, impulsionado pelo bom ritmo em Mato Grosso, mas o quadro geral permanece atrasado em relação ao ciclo anterior. Esse empurrão do calendário para fora da janela ideal eleva o prêmio de risco climático nas cotações de médio prazo.
No mercado interno, esse cenário, somado à retenção de oferta por parte dos produtores e ao fato de a logística nas fazendas ainda estar bastante concentrada na colheita da soja, tem contribuído para a firmeza dos preços. De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, os preços do milho registraram alta em diversas regiões do Brasil. Em Uberlândia, por exemplo, houve um avanço médio de R$ 0,60 por saca, levando as cotações a cerca de R$ 64,00.
O que esperar do mercado?
- Relatório de Oferta e Demanda – Assim como na soja, o relatório do USDA trará novos direcionamentos para o cereal nesta terça-feira (10). A expectativa do mercado é que haja uma elevação da estimativa dos estoques finais domésticos dos Estados Unidos e que isso gere um leve ajuste positivo na expectativa de safra brasileira. Consequentemente, isso deve impactar as reservas globais de cereais.
- Safrinha 2026 – A implantação da safrinha de milho no Brasil tornou-se o principal ponto de alerta interno. O plantio segue atrasado, em comparação a anos anteriores, reflexo direto do atraso na colheita da soja provocado pelo excesso de chuvas em regiões como Mato Grosso. Com grande parte das lavouras empurradas para fora da janela agronômica ideal, o cereal fica consideravelmente mais exposto ao risco de corte precoce das chuvas no outono e à proliferação de pragas. Apesar desses desafios, o mercado ainda projeta uma safra abundante.
- Desdobramentos geopolíticos – O agravamento das tensões no Oriente Médio pode afetar o agronegócio brasileiro. O Irã é um importante comprador do milho do Brasil e um grande fornecedor global de ureia, fertilizante essencial para a produção agrícola. Caso o conflito se intensifique, podem surgir problemas logísticos nas exportações e uma alta nos preços dos fertilizantes, elevando os custos de produção da próxima safra no Brasil.
Macroeconomia e oportunidades – O cenário global atravessa um momento de extrema volatilidade, com o estouro da guerra no Oriente Médio puxando o petróleo e o dólar para patamares elevados, o que altera de forma drástica a paridade de exportação e a formação de preços no Brasil, além de pressionar a inflação de insumos importados. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção. Acompanhe as cotações da Grão Direto e, ao identificar um valor alinhado à sua margem sustentável, aproveite! Negocie digitalmente, acumule pontos e troque por prêmios exclusivos.
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Comunicação Grão Direto









