Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias.
Como o mercado se comportou? – Aumento da área de soja. O USDA, durante o Outlook Forum, projetou expansão da área de soja na safra 2026/27, acima das expectativas, indicando maior produção e estoques finais mais elevados, o que gerou pressão baixista nas cotações da CBOT.
- Semana de poucos negócios – O período pós-Carnaval reduziu o ritmo dos negócios, com agentes de mercado aguardando maior definição sobre os prêmios de exportação e uma avaliação mais precisa das perdas climáticas no Sul do Brasil e na Argentina.
- Câmbio pressionando – A valorização do real frente ao dólar, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro no Brasil, limitou a formação de preços mais atrativos para o exportador e manteve o mercado físico estável.
O que esperar do mercado?
- Clima no radar – As condições climáticas permanecem no centro das atenções nesta semana. A previsão de chuvas acima da média no Sudeste e em partes do Centro-Oeste pode intensificar os desafios logísticos, dificultando o avanço da colheita e o escoamento da soja até os portos. Ao mesmo tempo, o calor e a seca em áreas do Sul do Brasil exigem acompanhamento mais próximo para preservar o potencial das lavouras tardias. Caso se confirmem perdas produtivas na região, os prêmios nos portos de Rio Grande e de Paranaguá podem contar com suporte.
- Pressão logística – A logística doméstica entra em um período de forte pressão, impulsionada pelo pico no escoamento da safra recorde de soja, somado aos volumes remanescentes de milho. Esse cenário tende a sustentar a alta nos fretes, elevando os custos de transporte. Como consequência, parte desse encarecimento pode ser repassada ao produtor por meio de descontos no preço final recebido, reforçando a importância de estratégias e ferramentas de comercialização que permitam aproveitar oportunidades de mercado antes que o frete reduza a margem líquida.
- China no centro das atenções – O mercado acompanha atentamente possíveis movimentos da China após o fim do Ano Novo Lunar. Com importações projetadas em 112 milhões de toneladas em 2025/26, segundo o USDA, uma eventual aceleração nas compras, seja para recomposição de estoques ou para se antecipar a possíveis tensões comerciais com os EUA, pode dar novo impulso às exportações brasileiras. Nesse contexto, o produtor deve observar o comportamento dos prêmios portuários, hoje estáveis, para identificar sinais de reação na originação e avaliar oportunidades de negociar os volumes remanescentes da safra nova.
- Cenário macroeconômico – A semana traz indicadores econômicos de grande impacto no Brasil e nos Estados Unidos, com potencial para aumentar a volatilidade cambial. No cenário doméstico, o mercado acompanhará o Relatório Focus do Banco Central e, sobretudo, a divulgação do IPCA-15, que devem orientar as expectativas sobre a trajetória da Selic e o comportamento do real frente ao dólar. Caso a prévia da inflação surpreenda para cima, reforçando a manutenção de juros elevados, a moeda brasileira pode se fortalecer, ampliando a pressão sobre os preços da soja no mercado interno e exigindo maior cautela do produtor na definição de suas estratégias de venda.
Diante desse contexto, a expectativa é de uma semana marcada por elevada volatilidade, especialmente sob a influência do câmbio, que pode manter a trajetória de valorização do real. Em Chicago, o viés também permanece pressionado devido à projeção de aumento de área. Com esses fatores combinados, os preços no mercado brasileiro tendem a seguir enfraquecidos, com possibilidade de encerrar a semana em campo negativo.

Como o mercado se comportou?
- Diminuição de área – O mercado internacional de milho encerrou a semana em recuperação técnica, impulsionado pelas sinalizações do Outlook Forum do USDA. Diferentemente do soja, o milho teve projeção de redução da área plantada nos Estados Unidos, o que indica uma possível diminuição da oferta global no próximo ciclo.
- Semana lateralizada – O mercado brasileiro de milho operou de forma lateral, embora com sustentação em algumas regiões. Estoques elevados e a valorização do real limitaram avanços mais expressivos, enquanto o atraso no plantio da safrinha, provocado pelo excesso de chuvas em estados como Mato Grosso e Goiás, suscitou preocupações com a janela ideal e reforçou as cotações.
- Exportações aquecidas – As exportações brasileiras de milho avançaram de forma consistente em fevereiro, com alta significativa no ritmo diário de embarques e com o volume já próximo ao total exportado no mesmo mês do ano anterior, evidenciando a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, mesmo diante da concorrência dos EUA e dos desafios logísticos.
O que esperar do mercado?
- Expectativas de produção – A divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA em 10 de fevereiro trará clareza sobre o tamanho da safra norte-americana e os estoques globais, com a expectativa de que o órgão confirme uma produção volumosa nos EUA, o que poderá exercer pressão baixista sobre Chicago, se não houver um corte significativo nas estimativas para a Argentina. Entretanto, a situação na Argentina, que enfrenta calor estressante e seca severa com perdas projetadas na produtividade do milho semeado cedo, será o contraponto necessário para evitar quedas livres nas cotações internacionais.
- Plantio safrinha – No Brasil, o mercado estará voltado para a janela ideal de plantio da safrinha, essencial para a produtividade média nacional. No Mato Grosso, a semeadura já atingiu 28,30% da área estimada segundo o IMEA, saltando 12,71 pontos percentuais na última semana graças ao ritmo acelerado da colheita de soja. Ao mesmo tempo, isso representa 5% a mais do que o mesmo período do ano anterior. Nesse cenário, as condições climáticas da semana são chave para orientar os preços no curto prazo.
- Realidades regionais – O produtor deve estar atento ao fato de que, embora os preços internos estejam firmes, a entrada da safra de verão e o aumento das ofertas de milho por parte de produtores que precisam liberar espaço nos armazéns para a soja podem gerar janelas temporárias de queda nas cotações físicas.
À semelhança das últimas semanas, a expectativa para esta é de um mercado mais frio, assimilando os números da safra e podendo recuar um pouco mais ao longo dos dias.
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Comunicação Grão Direto









