Comissário Europeu e 80 empresas debatem acesso a mercado no Brasil no dia 23; representantes da indústria espanhola e de frutas frescas destacam a remoção de barreiras e a proteção de IGs como chaves para equilibrar o déficit comercial e impulsionar a competitividade global
O cenário comercial e tecnológico entre o Brasil e a União Europeia será tema central de um Fórum de Negócios que será realizado no dia 23, em um hotel de São Paulo. O evento reunirá o Comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, e uma delegação de 80 produtores e representantes do agro da UE.
O objetivo da missão vai além de conexões B2B, focando no esforço contínuo para a consolidação do Acordo UE-Mercosul e na eliminação de entraves que afetam o comércio de produtos de valor agregado.
Em entrevista exclusiva, Verónica Puente (foto acima), Diretora de Internacionalização e Política Comercial da Federação Espanhola da Indústria de Alimentos e Bebidas (FIAB), sublinhou que a indústria europeia vê o Acordo como uma prioridade estratégica, especialmente no atual contexto geopolítico (tensão EUA-China, guerra na Ucrânia).
“O acordo permite a diversificação das fontes de matérias-primas e gera substanciais economias tarifárias, estimadas em € 4 bilhões anuais para todos os setores”, afirma Puente.
A executiva da FIAB ressaltou o papel do Acordo como catalisador de exportações, lembrando que o agro espanhol quadruplicou suas vendas externas desde o início das negociações com o Mercosul. A remoção gradual de altas tarifas (ex: azeite 20–35%, vinho 27%) e a proteção de 59 Indicações Geográficas (IGs) espanholas são vistas como fatores que aumentarão a segurança e o valor agregado no mercado brasileiro.
Barreiras fitossanitárias – Para o setor de Frutas e Vegetais Frescos, a pauta é mais específica. Philippe Binard, Delegado Geral da European Fresh Produce Association, apontou que, embora o Brasil seja o 6º maior destino de suas exportações (€ 230 milhões anuais em maçãs, peras, kiwis), o potencial de comércio está aquém do ideal.
O obstáculo reside nas restrições persistentes de acesso a mercado impostas pelo Brasil. “O setor considera inaceitável que alguns pedidos de acesso da UE estejam pendentes há mais de uma década, o que contradiz os princípios SPS da OMC”, afirmou Binard.

Philippe Binard, delegado geral da European Fresh Produce Association
Ele defende que os produtos europeus, fornecidos na entressafra brasileira, complementam a produção nacional e podem ajudar a equilibrar o grande déficit comercial. A cooperação é vista como crucial também para enfrentar desafios comuns como as mudanças climáticas, que afetam culturas importantes em ambos os blocos.
Sustentabilidade e rastreabilidade – Ambos os setores reforçaram que a adesão a altos padrões de qualidade e sustentabilidade é uma condição de mercado, e não um diferencial. A indústria de alimentos e bebidas da UE adota a rastreabilidade total como pilar de confiança.
Os produtores europeus, em especial no setor de frutas frescas, cumprem regulamentações de proteção de plantas e resíduos consideradas as mais rigorosas do mundo, fator que, segundo Binard, deve construir uma confiança duradoura com os mais de 210 milhões de consumidores brasileiros.
O Fórum, que será realizado em São Paulo, representa, portanto, uma oportunidade para que policymakers e líderes empresariais acelerem a resolução de entraves e fortaleçam a parceria estratégica em inovação, sustentabilidade e competitividade global.
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