A primeira semana oficial de comercialização de 2026 foi caracterizada por um ambiente de cautela técnica nos mercados agrícolas, com os preços reagindo a uma combinação de fatores fundamentais e macroeconômicos. O avanço inicial da colheita de soja no Brasil, aliado às disparidades regionais de produtividade associadas ao La Niña, manteve o mercado atento às revisões de oferta, especialmente diante da expectativa pelos próximos relatórios do USDA (WASDE) e da Conab.
Do ponto de vista logístico, o sistema portuário brasileiro entra em uma fase crítica. A projeção de forte aceleração das exportações de soja em janeiro ocorre simultaneamente à transição operacional do milho para a soja em Santos e em Paranaguá. Riscos climáticos, como o excesso de chuvas no Centro-Oeste e a instabilidade no Sul, elevam a probabilidade de gargalos, com potencial impacto sobre prêmios, custos de frete e penalidades por atraso na descarga.
Como o mercado se comportou? – A semana anterior foi marcada por uma leve recuperação da oleaginosa na Bolsa de Chicago (CBOT), com o contrato de março/26 encerrando a semana na faixa de US$ 10,62 por bushel. O fator limitante de novas altas foi a pressão sazonal da entrada da safra brasileira, com relatos de produtividades iniciais elevadas no Mato Grosso, superando as preocupações pontuais com o clima.
No mercado físico brasileiro, a comercialização travou. As indecisões de Chicago, combinadas com um dólar volátil e em queda que fechou a semana próximo a R$ 5,40, reduziram a liquidez. Os preços no interior cederam, com o produtor pensando majoritariamente na operação de colheita e pouco disposto a travar vendas nos patamares atuais, enquanto os prêmios nos portos tiveram leve sustentação devido à demanda chinesa por embarques curtos.
Do lado da demanda, o USDA confirmou novas vendas para a China e para destinos desconhecidos, mas o ritmo geral ainda é visto com cautela pelo mercado. A percepção de que a oferta sul-americana será suficiente para cobrir a demanda global limitou qualquer tentativa de uma recuperação mais robusta das cotações da soja americana durante a semana.
No mercado físico brasileiro, a estabilidade em Chicago junto à queda no câmbio, orbitando os R$ 5,40, ancorou os prêmios para segurar as cotações. O Índice Soja FOB Santos da Grão Direto, que reflete o valor da soja embarcada no principal porto de exportação da soja brasileira, encerrou a semana com alta de 1,40%, cotado em R$ 135,18. Já o Índice Soja FOB Rio Grande sofreu mais diretamente o impacto da desvalorização do dólar, recuando 0,16% e encerrando a semana anterior em R$133,02.
O que esperar do mercado? – A segunda-feira (12) começa com foco total no relatório de Oferta e Demanda do USDA (WASDE), a ser divulgado às 14h (Brasília). O mercado espera ajustes na produtividade dos EUA e nos estoques finais globais. Qualquer surpresa nos números pode gerar volatilidade e ditar o rumo dos preços para o restante de janeiro.
No clima, o alerta máximo está no Rio Grande do Sul. A passagem de um ciclone extratropical neste fim de semana trouxe ventos fortes e tempestades. O mercado avaliará nesta semana os danos físicos (acamamento) nas lavouras gaúchas, o que pode sustentar os preços se as perdas forem confirmadas. No Centro-Oeste, o excesso de chuvas pode atrasar a colheita e a logística.
A logística de exportação ganha peso. Com a ANEC projetando exportações robustas para janeiro, a atenção volta ao line-up nos portos. Se as chuvas atrapalharem os embarques em Paranaguá e Santos, o aumento da fila de navios pode pressionar os prêmios (basis) e os preços ao produtor devido aos custos de demurrage.

Como o mercado se comportou? – Na B3, os contratos futuros encerraram a semana anterior em queda, com o vencimento de Janeiro/26 orbitando abaixo de R$ 69,00. A pressão veio da boa evolução das lavouras de verão no Sul e no Sudeste, que receberam chuvas benéficas, criando uma expectativa de oferta confortável no curto prazo.
No mercado físico, a liquidez foi escassa. Compradores, especialmente as indústrias de carnes, mostram-se abastecidos e alongaram suas escalas ainda em 2025. Isso gerou um cenário de pouca urgência de compra e de preços estáveis, a mais baixos, em praças como Rio Verde e Campinas.
Externamente, Chicago encontrou suporte nas vendas de exportação dos EUA, mantendo-se acima de US$ 4,45/bushel (contrato de março). A demanda internacional pelo cereal americano segue firme, o que evitou quedas maiores na bolsa brasileira, mantendo a paridade de exportação como piso psicológico para os preços.
O que esperar do mercado? – Assim como na soja, o relatório WASDE desta segunda-feira é o principal foco da semana. Analistas especulam que o USDA possa reduzir a produtividade da safra americana. Se confirmado e os estoques finais dos EUA caírem, poderemos ver um repique de alta em Chicago que ajudaria a B3.
O fator climático no Sul é crítico para o milho no verão. Lavouras em fase final de enchimento de grãos podem ter sofrido com os ventos fortes do ciclone. Danos significativos na 1ª safra do RS e do SC podem mudar o sentimento de oferta regional, elevando os prêmios no interior desses estados.
O plantio da safrinha de 2026 entra no radar. Com as chuvas intensas no Mato Grosso atrasando o início da colheita da soja, o mercado passa a monitorar a janela de plantio do milho. Atrasos significativos agora podem empurrar o ciclo do milho para períodos de risco climático mais adiante, o que tende a dar suporte aos contratos futuros mais longos (Set/26).
Macroeconomia e oportunidades – O cenário macroeconômico segue desafiador, com a Selic mantida em 15% ao ano, elevando drasticamente o custo de carregar estoques físicos (custo de oportunidade acima de 1% a.m.). O dólar, operando volátil na casa dos R$ 5,40, oferece janelas pontuais de conversão, mas não garante tendência de alta contínua.
É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção. Em um cenário de juros elevados e margens apertadas, a proteção de preços é essencial.
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Comunicação Grão Direto





