Ademir Chaim reforça que suas pesquisas “jamais” poderiam ser usadas como argumento para proibir o setor, simplesmente porque não têm metodologia e nem resultados que embasem o risco da ferramenta – o que deve repercutir em audiência esta semana em Brasília 

Ademir Chaim, pesquisador da Embrapa © Castor Becker Junior/C5 NewsPress

Perguntado se as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre aplicações áreas realizadas entre 1999 e 2006 – e que seguidamente são citadas contra o setor, poderiam ser usadas para políticas públicas (ou mesmo para justificar projetos de proibição), o pesquisador Aldemir Chaim é taxativo: “Jamais. Ele (esse trabalho) serve tão somente para orientação de calibração. (O programa) não é uma análise de resíduo que você possa fazer um uso mais aprofundado”. A declaração ocorreu em uma entrevista publicada no final de semana, no site do Sindag e esclarece de uma vez por todas a falta de bom senso com que o tema tem sido tratado nos últimos anos.

“Não foi para dizer ‘a pulverização aérea produz esse volume’, ou ‘a pulverização aérea é x ou é y’. Esse instrumento serve para a pulverização aérea, para a pulverização terrestre”, assinala o pesquisador, em outro ponto da entrevista. O trabalho abrange uma série de ensaios que serviram para validar o Programa Gotas da Embrapa está no centro de uma controvérsia histórica em torno de uma das principais ferramentas para o trato de lavouras do País.

A entrevista coloca ainda mais lenha na fogueira de uma controvérsia que foi parar no STF (onde ainda falta julgar os chamados embargos declaratórios na ação de inconstitucionalidade contra a proibição no Ceará) e deve ganhar mais um capítulo nesta quarta-feira (dia 30) em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro, promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (CAPADR), terá início às 10 horas, no Anexo II, Plenário 6 da casa.

 

Nunca foi feito – Na entrevista ao portal do Sindag, Chaim ressalta que nos ensaios aeroagrícolas foram feitos com papel hidrossensível, que não é fidedigno na captação de resíduos. Além disso, sem a presença de plantas na lavoura e com os marcadores afixados em tijolos no chão. Segundo ele, um trabalho para avaliar riscos e vantagens do setor necessitaria de uma série de pesquisas em todas as regiões do País, em diversas culturas e com análise de resíduos nas plantas, solo e outros alvos próximos. O que nunca foi feito.

Ou seja, as pesquisas foram apenas com fins de gerar parâmetros para avaliação e regulagens de equipamentos. Mostrando números do pior ao melhor ajuste (trabalhados propositalmente na pesquisa). Apenas para comparar (em uma mesma análise) as leituras analógica (“no olho”) e digital dos mesmos dados. E com alguns dos ensaios tendo ocorridos em condições que seriam ruins para uma aplicação real.

 

Incoerência – “Tanto que, no mesmo rol de pesquisas da Embrapa, há ensaios com trator terrestre apontando perdas entre 44% e 88% do produto (no caso, um traçador) aplicado sobre lavouras de tomate e feijão. E com pulverizador manual registrando perdas de 59% a 76% do traçador aplicado em tomate”, sublinha o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle. “Só que, por motivos que vão desde a falta de conhecimento sobre as rotinas e necessidades do campo, descuido na checagem das fontes originais de informação e até ideologia política, todo esse material acabou sendo usado para justificar o combate à aviação agrícola”, acrescenta.

“O que, neste caso, teria como único efeito prático justamente agravar os problemas que se alega estar querendo resolver. Como, aliás, temos explicado na campanha lançada em agosto”, conclui o dirigente – referindo-se à ação que teve seu start em reunião do Instituto Pensar Agro, em Brasília.


Castor Becker Júnior | Assessoria de Imprensa