Análise semanal do especialista de mercado da Grão Direto, com os principais fatores que devem impactar o mercado de grãos nos próximos dias
Como o mercado se comportou?
- Chicago pressionada – O mercado internacional da soja enfrentou uma semana de forte pressão e volatilidade na Bolsa de Chicago (CBOT). Esse movimento de queda foi impulsionado principalmente pelo ritmo acelerado e pelas condições favoráveis ao plantio da nova safra nos Estados Unidos.
- WASDE neutro – A agência norte-americana manteve inalterada a sua estimativa de produção de soja para os EUA, o Brasil e a Argentina para a temporada 2026/27. Apesar dos estoques finais estadunidenses terem permanecido estáveis em 8,44 milhões de toneladas, a produção global teve um leve ajuste, enquanto os estoques mundiais subiram para 124,88 milhões de toneladas, reforçando a percepção de uma oferta extremamente confortável.
- Exportações fortes – Mesmo com a safra recorde, o escoamento segue agressivo e enxugando os excedentes. A Conab e as associações do setor estimam que o Brasil deverá embarcar um volume recorde de 116 milhões de toneladas nesta temporada. Só para o mês de junho, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projetou embarques superiores a 14,3 milhões de toneladas, o que confirma o apetite voraz do mercado asiático.
De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de queda no contrato de soja spot em Chicago (jul/26), que fechou a semana cotado a US$11,13 por bushel, com queda de 0,80%. O contrato de março/27 seguiu na mesma direção, apresentando uma queda de 0,43%, fechando a US$11,55 por bushel. Esse cenário impulsionou o Índice FOB Santos, indicador exclusivo da Grainsights, que registrou queda de 0,91% na semana, encerrando em R$ 135,35 por saca.
O que esperar do mercado?
- Safra norte-americana – A principal bússola internacional para esta semana que se inicia será o acompanhamento estrito do relatório de Progresso de Safra (Crop Progress) do USDA. Com o plantio nos Estados Unidos praticamente concluído e bem à frente das médias históricas, o mercado de Chicago passará a precificar de forma cirúrgica as notas de condição das lavouras recém-emergidas (índices de “Bom” e “Excelente”).
- Mercado climático – O “mercado de clima” norte-americano assumirá o protagonismo absoluto na formação dos preços. Os mapas meteorológicos indicam um cenário de chuvas volumosas e excesso de umidade em áreas vitais do Corn Belt (Cinturão Agrícola) nas próximas semanas. Caso essas precipitações intensas ameacem a qualidade ou afoguem as plantas recém-germinadas, os fundos especulativos poderão iniciar uma rápida cobertura de posições vendidas, gerando ralis altistas na CBOT.
- Alerta de geadas – Internamente, o alerta climático foca nas condições do extremo Sul do Brasil. O avanço de massas de ar polar mantém o risco de geadas e de temperaturas próximas de zero em áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Embora a colheita da soja esteja finalizada, a infraestrutura de armazenagem enfrentará um teste crítico devido à alta umidade, o que exigirá aeração e controle rigoroso para evitar o surgimento de grãos ardidos nos silos.
- Risco geopolítico – Do lado diplomático, a extensão do cessar-fogo de 60 dias entre EUA e Irã precisará se provar na prática. Qualquer quebra desse acordo e a retomada das apreensões de navios no Estreito de Ormuz poderão gerar um novo choque nos preços do petróleo e dos fretes marítimos. As trading companies monitoram o Golfo Pérsico 24 horas por dia, e o risco de explosão logística impede a recuperação dos prêmios portuários brasileiros.
- Biodiesel adiado – As discussões sobre a matriz energética também estarão no radar. O aguardado aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil, de 15% para 16% (B16), teve sua reunião no CNPE cancelada e deve ser adiado para 2027, frustrando parcialmente as expectativas de um aumento imediato na demanda doméstica por óleo de soja.
- Estratégia comercial – Diante desse xadrez complexo — supersafra brasileira, juros altos, prêmios portuários achatados e volatilidade em Chicago —, a estratégia comercial nas fazendas exigirá frieza. A recomendação é que o produtor utilize ativamente as plataformas de inteligência e realize vendas cadenciadas exclusivamente nos dias de estresse cambial, aproveitando os picos do dólar para garantir liquidez.

Como o mercado se comportou?
- Mercado travado – Os preços do milho também recuaram na B3, refletindo a expectativa de aumento da oferta com o avanço da colheita. No mercado físico, os negócios seguem lentos, já que muitos compradores estão abastecidos e os produtores aguardam preços melhores para vender, o que reduz a liquidez nas negociações.
- WASDE limitador – O relatório trouxe dados que limitaram uma queda ainda mais profunda. A agência estadunidense projetou uma safra de 2026/27 nos EUA menor, estimada em 406,3 milhões de toneladas. No entanto, os estoques globais do cereal tiveram uma leve revisão para cima, estacionando em confortáveis 314 milhões de toneladas, o que justificou a manutenção do viés de baixa em Chicago.
- Colheita avança – No campo brasileiro, a colheita da safrinha ganhou tração acelerada, especialmente no Mato Grosso. Na contramão do Centro-Oeste, o estado do Paraná continuou enfrentando atrasos no campo devido ao excesso de umidade e chuvas tardias, que mantiveram as máquinas nos galpões e atrasaram a entrada física do cereal paranaense no mercado.
De acordo com a plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com uma queda expressiva de 1,20%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência seguiu na mesma direção, fechando a R$ 64,06 por saca, o que representa uma queda de 2,88% na semana. No mercado físico, na região do Oeste Paranaense, as cotações encerraram a semana com referência de R$50,50 por saca.
O que esperar do mercado?
- Pressão da colheita – A chegada da colheita em Mato Grosso e Goiás deve aumentar significativamente a oferta de milho no mercado nas próximas semanas. Com muitas indústrias já abastecidas, a procura pelo cereal tende a diminuir, o que pode pressionar os preços e favorecer uma tendência de baixa nas principais regiões produtoras do país.
- Déficit de armazenagem – A falta de espaço para armazenar grãos deve voltar a ser um desafio importante nas fazendas do Centro-Sul. Com a colheita do milho avançando enquanto muitos silos ainda estão ocupados pela grande safra de soja, produtores podem enfrentar dificuldades para armazenar a nova produção. Esse cenário pode aumentar a necessidade de vendas rápidas, muitas vezes a preços menores do que o esperado.
- Safra norte-americana – Na Bolsa de Chicago, a atenção continuará concentrada no relatório de Crop Progress (Progresso de Safra) dos Estados Unidos, que sai hoje (15/06) no fim do dia. Com o plantio finalizado precocemente, as mesas de operação estarão focadas nas notas semanais “Boa” e “Excelente” para o milho já emergido. Qualquer anomalia climática (excesso de chuvas ou de calor) no Corn Belt servirá de gatilho para que os fundos de investimento ajustem suas posições.
- Demanda interna – A procura por milho no mercado interno seguirá firme, principalmente dos setores de aves e suínos, que podem aproveitar os preços mais baixos para reforçar seus estoques e garantir o abastecimento de ração nos próximos meses. Já a indústria de etanol de milho pode sentir uma leve redução na competitividade com a queda dos preços do petróleo.
- Exportações – Com um cenário mais estável no Oriente Médio, os embarques brasileiros tendem a ganhar em segurança e fluidez. Isso ajuda a escoar parte da grande oferta da safrinha, reduzindo a pressão sobre os preços no mercado interno.
Macroeconomia e oportunidades – A semana será marcada pela “Superquarta”, com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção das taxas, com o Fed mantendo os juros elevados e o Copom preservando a Selic em 14,50% ao ano. No Brasil, a inflação de maio acelerou para 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central, reforçando a necessidade de juros altos por mais tempo. Esse cenário, somado aos juros elevados nos EUA, continua sustentando o dólar acima de R$5,00 e reduzindo as expectativas de cortes de juros no curto prazo. Acompanhe as cotações atualizadas em tempo real da Grão Direto e aproveite as melhores oportunidades para fechar negócio.
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Comunicação Grão Direto





